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Continuações de games que nunca saíram

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Corrija-me se eu estiver errado: é relativamente comum que, quando você completa um jogo com o qual esteve envolvido por várias horas e vários dias, um dos primeiros pensamentos que cruzam sua mente é “quando será que sairá o 2?”

Talvez essa dúvida não seja um fator tão relevante nos dias atuais. Vivemos a era dos jogos online; multiplayer (competitivo e cooperativo) servem pra estender a longevidade de um título. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, a sua curiosidade a respeito da inevitável continuação (“inevitável”, sim; pensa aí comigo, que jogo não teve continuações?) começa a atrair a sua atenção.

Eventualmente, o estúdio que te trouxe o “Jogo Incrível 1” anuncia planos de continuar a história em “Jogo Incrível 2: O Retorno”. Screenshots começam a aparecer, teaser trailers geralmente seguem logo em breve.

Só que às vezes o destino tem outros planos. Por um motivo ou outro, o estúdio perde o interesse em lançar a sequência, então ou o time responsável por ela enfrenta “conflitos criativos” (eufemismo na indústria que significa “ninguém conseguia concordar a respeito de nada sobre a produção do game”).

Seja qual for a razão, às vezes as continuações que nos foram prometidas acabam nunca aparencendo nas prateleiras das lojas. E estes são alguns exemplos disso.

Full Throttle Payback e Hell on Wheels

Full Throttle é um clássico absoluto do gênero adventure. Lançado em 1995 no mercado em crescimento dos jogos em mídia ótica pra PCs (os saudosos CD-ROMs, que rodávamos nos nossos kit multimídia da Sound Blaster), o jogo se tornou rapidamente um sucesso crítico, comercial, e marcou uma geração. Se você era filho de técnico de informática nos anos 90, você sem dúvida alguma jogou Full Throttle.

Em 2000 a LucasArts começou a produção da continuação do jogo, intitulada Full Throttle: Payback. Tim Schafer, o gênio criador do jogo original, já havia largado a LucasArts para trabalhar na sua própria empresa recém-fundada, a Double Fine Productions. A falta de participação do cérebro por trás do jogo original já era um bom indício de que a coisa começava com o pé esquerdo.

Larry Ahern e Bill Tiller, ambos também colaboradores de peso do jogo original, receberam as rédeas do projeto. Em 2001, eles seguiram o mesmo caminho e largaram a LucasArts. Sem poder contar com a participação dos produtores do primeiro jogo, a empresa decidiu — com toda a razão — abortar a continuação de Full of Throttle.

No ano seguinte, a LucasArts decidiu tentar de novo com Full Throttle: Hell on Wheels. E com uma nova direção, também: o jogo agora teria mais ênfase em ação do que na aventura. Houve até um trailer divulgado durante a E3 de 2003:


(YouTube)

E, como aconteceu com o projeto anterior, Full Throttle: Hell on Wheels foi cancelado.

Quer uma notícia ainda mais triste? Roy Conrad, a voz do Ben, morreu em 2002.

Legacy of Kain: Dark Prophecy

A série Legacy of Kain teve 5 jogos e, apesar de não ser nenhum God of War — tanto em valores de produção quanto em aceitação popular —, obteve considerável sucesso de crítica e de vendas. A série começou em 1996, com Blood Omen: Legacy of Kain no PlayStation e PC, e foi “concluída” em 2003 com o Legacy of Kain: Defiance, para PS2, PC e Xbox.

Eu digo “concluída” porque o final aberto de Defiance deixava claro que aquela não era a conclusão definitiva da história. Inevitavelmente, uma continuação foi anunciada. Legacy of Kain: Dark Prophecy seria o próximo capítulo da saga, mas por vários motivos o jogo acabou sendo cancelado.

Legacy of Kain: cancelada (imagem: Gamespot)

Um dos motivos do cancelamento é tradicional: a saída de membros da produção dos jogos originais. Amy Hennig e Richard Lemarchand, respectivamente a diretora da série e o designer, saíram da Eidos. Tony Jay (o dublador do Elder God) e Kyle Mannerberg (designer da série) morreram após o lançamento de Defiance. E, para completar tudo, a Eidos começou a priorizar a série Tomb Raider.

Por isso, Dark Prophecy acabou indo para cova.

Wet 2

Wet tinha tudo pra dar certo: era um jogo de ação em terceira pessoa a ser lançado em 2009 pela Bethesda, conhecida pelos blockbusters Elder Scrolls IV: Oblivion e Fallout 3. A ênfase do jogo era na ação acrobática com armas (um lugar comum da era pós-Matrix, mas ainda bastante divertido) e havia toda uma influência de filmes de ação e crime da década de 70. Ou seja, aquele visual que nós, mais jovens, conhecemos melhor nas emulações do Tarantino.

Tarantula: morra?

O jogo termina com o clássico gancho para uma continuação. Na cutscene final, a vilã Tarantula (que teve o pescoço quebrado pela heroína) é vista mexendo os dedos, numa indicação de que ela não está tão morta assim, sugerindo de que essa não é a última vez em que a veremos.

Mas aquela acabou sendo a última vez que a vimos mesmo. Apesar de ter sido anunciado em novembro de 2010, Wet 2 parece ter sido cancelado este ano, de acordo com o perfil do LinkedIn de um dos responsáveis pelo projeto. Apesar de não haver notícia oficial do cancelamento, vários outros envolvidos com a continuação também abandonaram a desenvolvedora. E nos últimos 6 meses não houve nenhuma nova informação sobre o projeto.

Por isso, vou arriscar o palpite de que aquela mexida de dedo da Tarantula foi só um espasmo post mortem.

Split Second 2

Ok, vocês sabem que eu sou um grande defensor de jogos para iOS, certo? Há gamers hardcores alarmistas que dizem que esse tipo de foco casual da indústria acaba prejudicando o lado mais “sério” dos games. Bem, a história de Split Second 2 dá alguma razão a esse tipo de discurso.

Split Second é um jogo de corrida lançado em 2010. A premissa do jogo é bastante interessante: os pilotos são participantes de um reality show, e o objetivo da corrida não é apenas passar pela linha de chegada primeiro, mas sozinho se você preferir. Como na série Burnout, eliminar seus oponentes violentamente não é apenas permitido; é encorajado e recompensado.

Split Second: explosões na tela do iPhone

Os efeitos visuais enchem os olhos, como se pode averiguar nesta coletânea de explosões. É como pilotar um carro no meio de um filme do Michael Bay. E pra completar, o jogo obteve ótimas notas nos sites especializados. Como é de praxe, uma continuação foi proposta à Disney, que é a publisher do jogo.

E adivinha o que aconteceu? A Disney recusou a continuação do jogo. Ela havia acabado de comprar a Tapulous, uma desenvolvedora de jogos pra iOS, e anunciou que mudaria seu foco para os jogos casuais (como Club Penguin, uma rede social de jogos casuais que trouxe à gigante americana muito mais lucros que o excelente — porém pouco apreciado — Split Second).

Vá em frente, agora você tem um bom argumento para alegar que jogos casuais matam a indústria hardcore. (Sim, eu estou ciente de que chamar um jogo como Split Second de “hardcore” irritará alguns fãs de simulação automobilística)

Você lembra de mais alguma continuação que te deixou esperançoso, apenas pra esmagar seus sonhos quando o anúncio de cancelamento pintou no seu leitor de feeds?

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@christianocombr
River Raid III, já que o II não tinha nada demais...
keek
e o melhor jogo de estratégia pra pc's na minha opinião: Age of empires?! continuará ou ñ?1?1?
Keith
Então nem se fala no Advent Rising que era pra ser uma trilogia mas por causa da Majesco querer se focar só em Mobile Gaming cancelou a série, putz e eu achava a história muito boa, poderia ter sido um Mass Effect. E o pior é que muitos são cancelados por não venderem, mas também não fazem marketing em cima como no caso do Advent.
Keith
Na verdade não, o problema é que 95% dos cartuchos do SNES eram de uma versão Beta em que não havia um final. Joguei as duas, ná original cada planeta tinha duas divisões, no nível fácil o jogo terminava no planeta de Gelo mas no mais difícil competia até o planeta Inferno tinha até uma animaçãozinha de final onda aquela nave que te leva de um lugar pra outro voava por cima de uma cidade.
@gabrielmoura
De fato.
@leandroblima
Musashi teve uma continuação no PS2. Mas o do 1 é infinitamente superior.
@leandroblima
LEgend of Dragoon eu nunca zerei pq o PS1 pifou (e antes disso, o cd3 nunca funfava u.u). Fantastico RPG. Vagrant Story joguei pouco,mas era foda Legend of Legaia n zerei tbm pq pifou,mas pqp Q JOGO DIFICIL! Ta no top 5 de rpg's de ps1 pra mim. Chrono Cross, Xenogears, FFVIII, Legend of Dragoon e Legend of Legaia. SIM,nad ade FFVII ,paga paus da espada do Sephiroth ;p
Camila
E o que fizeram com o Guitar Hero!?!? Porque pararam a produção de um jogo que gerou até a produção e venda em larga escala de um Joystick específico para o tipo de jogo???? Inacreditável...!!!!!!! E definitivamente lamentável.
@euBrunno
Os jogos da Blizzard demoram sempre +ou- 12 anos para terem uma continuação ^^ e ngm acha isso "anormal" como o DUKE NUKEN , problema é que no ultimo anunciam e renunciam todo ano.
@julianobh
eu zerei, consegui pegar um viking tipo o OLAF de lost vikings com um carango super tunado q explodia tudo pela frente eu meu tempo de supernes
@julianobh
foi por causa dele q eu me matriculei num cursinho de ingles amei esse jogo pena q nao zerei pq fiquei sem pc na epoca
KLEBER
Vamos ser otimista duke nukem forever levou mais de 14 anos para ser lançado.
@thiagoleite
Por isso, um remake.
J. Neto
Achei que vocÊ tava brincando. A versão pro SNES é horrível.
Emmanuel Fotógrafo
SNES não... Arcade, que dava pra jogar 3 ao mesmo tempo! =D
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