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Linus Torvalds diz que Android não viola GPL

"São totalmente falsas", diz líder do Linux sobre acusações contra sistema do Google.

Paulo Graveheart
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Ao que tudo indica, a antiga guerra entre o software livre e as fabricantes de software proprietário está para recomeçar, mas dessa vez em outro campo de batalha: smartphones. E, para defender o Android do último ataque, o próprio Linus Torvalds resolveu entrar na briga, colocando um ponto final na discussão.

Para entender a história: na semana passada, alguns blogs e jornais noticiaram com pompa a informação de que o “Android estava para morrer”, pois violava a licença GPL. Tal violação, resumidamente, estaria na reprodução de algumas partes dos headers do Linux kernel, sob uma licença diferente da GPL. Como o Android usa o Bionic, e não o gblic, os desenvolvedores do Android acharam melhor remover comentários e outros extras desses headers, licenciado-o por meio de um documento mais permissivo que a GPL, o que permitiria a terceiros desenvolver e lançar programas que não estivessem sob a GPL.

"É a GPL! Corram pelas suas vidas!"

Assim, enquanto o Kernel Linux é licenciado sob a GPL, o Kernel Linux usado no Android (que na verdade possui apenas algumas poucas definições) é licenciado pela licença BSD, bem menos “chata” que a GPL. O que, na cabeça de alguns “especialistas” (entre eles, Edward Naughton; guarde bem esse nome) seria uma clara violação da GPL, e que, portanto, ou o Android (e, por consequência, todos os aplicativos feitos para o iPhone) deveria também ter todo o seu código-fonte aberto, ou ele deveria morrer.

Pior: os mesmos “especialistas” afirmavam que, se nada fosse feito contra o Google, isso seria uma nítida prova de que a GPL possui “buracos” e que seria possível a partir daí criar sistemas proprietários baseados no Kernel Linux!

E, enquanto donos de iPhone corriam por todos os cantos balançando seus celulares e rindo dos donos de celulares com Android (a maioria deitada em posição fetal abraçadas ao celular e murmurando “por favor não pode ser verdade” repetidamente), algumas pessoas mais sensatas foram correr atrás de maiores informações, e inclusive perguntar para quem entende se é bem por aí mesmo.

É aí que entra Linus Torvalds, que foi bem claro sobre o assunto (tradução livre):

Essa afirmação parece ser totalmente falsa. Nós sempre deixamos claro que o interfaces que fazem chamadas ao kernel não necessariamente precisam ser licenciadas sob a GPL, e os detalhes do kernel são exportados para os headers para todas as interfaces do glibc também. (…) Ainda não olhei ao que exatamente o Google faz com os headers do kernel, mas não consigo enxergar o que eles podem ter feito que seja fundamentalmente diferente da glibc.

(…) Então eu não consigo entender todo esse mua-ha-ha em torno do assunto. Exceto se alguém está querendo chamar a atenção ou está politicamente motivado a fazê-lo.  Se é pela necessidade gritante de chamar a atenção, eu sugiro que essas simplesmente devam liberar suas próprias fitas de sexo caseiro, o que seria melhor que levar o kernel Linux para seu mundinho sórdido.

Embora muitos possam achar que Linus pegou pesado ao chamar a mãe dos “especialistas” de coxinha, a verdade é que com um pouco mais de investigação o Groklaw descobriu algo fantástico: lembram do “especialista” Edward Naughton, de quem falamos anteriormente? Bem… Ele é um advogado que já trabalhou para a Microsoft em dezenas de casos, a maioria envolvendo casos de direitos autorais. E tudo indica que Edward teve um bom trabalho nas semanas que antecederam sua afirmação sobre a GPL, removendo da internet indícios de que já trabalhou para a Microsoft.

Estranho, não?

Para quem já convive com software livre desde 1998, nem tanto. Não é de hoje que empresas de software proprietário contratam “especialistas” para opinar contra o software livre, normalmente envolvendo a total perda de liberdade ao usar produtos sob uma licença como a GPL. A diferença, como já disse, é que agora não estamos mais falando de desktops, mas sim de smartphones. E, ao que tudo indica, essa briga continuará por muitos anos, e com muitas jogadas sujas.

Em resumo: dificilmente o Android violou a GPL em algum ponto, e seria quase impossível que ele simplesmente “morresse” de uma hora para outra por um problema desse tipo. Donos de smartphones com Android podem respirar aliviados.

Com informações: OSNews.

Paulo Graveheart

32 anos, formado em Ciências da Computação, usuário de Linux e evangelista do Software Livre desde 1997. Comediante Geek e pirata semi-profissional, estuda a internet e as relações sociais dentro dela desde que ouviu o chiado do modem pela primeira vez. Eleito pelo terceiro ano consecutivo o tecnoblogger mais bonito.

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