Início / Arquivos / Jogos /

Hacks do Kinect podem não ser viáveis para o consumidor final

Izzy Nobre

Por

Notícia
Achados do TB Achados do TB

As melhores ofertas,
sem rabo preso 💰

Acho que qualquer leitor do Tecnoblog que acompanhe minha coluna aqui deve saber qual é a minha opinião sobre o Kinect (e, por extensão, do Playstation Move): não acho que esse tipo de paradigma —gaming usando interface de captura de movimentos — é o futuro da indústria.

Apesar disso, tenho que ser (ao menos tentar ser) imparcial. O Kinect é um periférico relativamente novo, tendo sido lançado há apenas 3 meses e, por isso mesmo, ainda não foi plenamente aproveitado por software que faça uso do potencial do aparelho.

O que é perfeitamente comum, diga-se de passagem. Nenhum console começa a ver seus títulos “AAA” em apenas alguns meses de existência. Jogos que espremam o hardware de um console (ou, como é mais o caso do Kinect, que usem o método de interface por movimento de forma criativa e bem amarrada) demoram um pouco para aparecer.

Em parte por esse vácuo de utilidades oficiais para o aparelho, e em parte pela facilidade de interfaceá-lo com um computador Windows (o driver open source para usar o Kinect apareceu menos de uma semana após o lançamento do console), existe uma pequena comunidade de hackers que comprou o Kinect, ao que parece, especialmente para brincar com o potencial “alternativo” do aparelho.

E novas capacidades para o Kinect parecem surgir toda semana. Já usaram o Kinect pra jogar Super Mario Bros (um link que eu recebi incontáveis vezes no Twitter, o que é compreensível, já que ele combina um jogo que eu adoro com um aparelho pelo qual não morro de amores), para controlar uma TV, para dar olhos a um robô, e até mesmo para ficar invisível no melhor estilo Predador.

É incrível que um bando de desocupados (que não são pagos para explorar o aparelho da forma como desenvolvedores de jogos são) conseguiu, em poucos meses, bolar tantas funções interessantes para o Kinect, não é mesmo? Para a sua conveniência, aqui está um vídeo que reúne os melhores hacks do Kinect até agora.


(YouTube)

Às vezes me pergunto quantas dessas funções foram previstas pelos desenvolvedores da Microsoft e quantas os fizeram dizer “Como é que não pensamos nisso?”. Talvez nunca cheguemos a saber, mas uma coisa é óbvia: a tecnologia por trás do Kinect é extremamente versátil e pode ser capaz de aumentar a forma como interagimos com os games de maneiras impensáveis há meros meses atrás.

Ou não. Permita-me apresentar-lhe Johnny Chung Lee, um hacker que há alguns anos inventou um monte de usos criativos e impressionantes para o WiiMote. Lembro que na época esses vídeos eram repassados em redes sociais com entusiasmo por gamers que imaginavam o potencial dos futuros jogos para o Wii caso estas gambiarras do Lee se tornassem aplicações oficiais.

WiiMote: DNA do Kinect

Os insights do Lee se tornam mais impressionantes quando os vemos no contexto atual. Este experimento dele, por exemplo, é essencialmente um protótipo rudimentar do próprio Kinect. Não é à toa que o hacker foi contratado pela Microsoft e colocado no time que desenvolveu esse produto.

Meu ponto é que embora houvesse várias aplicações não oficiais para o WiiMote (uma delas que carrega visivelmente o DNA do Kinect), o Wii nunca realmente se beneficiou de nenhum desses hacks.

Nada daquilo foi incorporado ao funcionamento do console. Os jogos do Wii continuam, em sua esmagadora maioria, usando a tecnologia do WiiMote da mesma forma como ela foi concebida. Ou seja, mova o controle de um lado para o outro e aponte para tela de vez em quando. Os esforços dos hackers para adaptar o hardware para outros usos foram completamente ignorados pela Nintendo.

O próprio Lee saiu da Microsoft e arrumou um emprego no Google. Considerando que o trabalho dele com WiiMotes e desenvolvimento do Kinect não tem muitos pontos de interseção com produtos da gigante de buscas — limitar o Google às buscas é muito 2004, né? —, parece-me acertado supor que o hacker finalizou seu trabalho nessa área e partiu em busca de outros desafios.

É por isso que eu não consigo me empolgar — como alguns de meus colegas gamers se empolgam — com vídeos no YouTube mostrando funções incríveis para o Kinect. A história nos mostrou que uso alternativo da tecnologia de consoles não costuma chegar às prateleiras.

E é compreensível: só porque você pode fazer algo, não significa que você deve. Prova de conceito não é nada sem usabilidade viável para o consumidor comum.

Você acha que essas mil gambiarras pro Kinect moldarão a forma como você jogará videogame no futuro?