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Jon Maddog, o papa do Linux, fala com exclusividade ao TB

Thássius Veloso

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Não é exatamente fácil falar com uma das autoridades mundiais em software livre. Ainda assim, eu consegui conversar por alguns minutos com Jon Maddog Hall sobre o seu grandioso Projeto Cauã, sobre o qual palestrou hoje mais cedo. A ideia de Maddog é permitir que todos os brasileiros tenham acesso à informática e à internet, por meio de uma estrutura visionária (e complicadíssima de ser montada).

Entre um fã e outro que pede para tirar fotos, Maddog falou sobre a burocracia, um dos problemas que possivelmente o Projeto Cauã vai enfrentar no Brasil. Todos sabemos que é muito caro empreender por aqui, e ele reconhece isso. Maddog diz que tem bons contatos junto ao governo, para que as coisas sejam facilitadas e seu projeto siga em frente.

Maddog falou para dezenas de campuseiros (foto: Danilo Braga) | Clique para ampliar

Além de conversar com o governo, Maddog e o time por trás da iniciativa mantém contato com as operadoras. Ele cita nominalmente a Telefônica (que patrocina a Campus Party, por sinal), dizendo que a operadora está “entusiasmada” com a ideia que ele apresentou aos dirigentes. Segundo ele, a Telefônica (assim como as demais operadoras) só tem a ganhar ao oferecer acesso a internet para mais pessoas.

Ele traça um paralelo com a indústria de PCs. Segundo Maddog, a Apple possui sistemas completamente fechados, disponíveis apenas para seus dispositivos. O resultado disso é que a empresa de Jobs detém apenas 10% do mercado do desktops. Enquanto isso, a Microsoft permite que qualquer parceiro venda PCs com Windows, o que a fez abocanhar cerca de 90% do mercado.

E quanto ao hardware por trás dos thin clients? Um dos pontos mantidos por Maddog é que será muito fácil atualizá-lo, já que as peças que realmente permanecem no aparelho são simples. Uma das dúvidas sobre esses aparelhos é quanto ao armazenamento, já que Maddog disse em sua palestra que não haveria partes móveis nos thin clients. Seriam SSDs, que custam bem mais caro? Ele diz que não: “Os discos rígidos ficarão na central de dados do edifício, o que permite uma manutenção mais rápida e também permite um manuseamento mais eficaz”.

Por fim, Maddog comenta o controle da rede por trás do Projeto Cauã. Segundo ele, não será uma “rede de computadores”, uma vez que cada terminal será independente e sem um controlador do que passa pela rede de dados. Falando especificamente da China, o presidente da Linux International diz que as ditaturas terão que enfrentar uma população cada vez mais ciente do que acontece no nebuloso campo da liberdade de expressão e comunicação.

Esse é Jon Maddog, um visionário que não poupa palavras duras quando é necessário, mas parece sonhador na maior parte do tempo (inclusive em suas argumentações lúcidas acerca do projeto que lidera).