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Rock Band 3, com uma pitada de profissionalismo

Izzy Nobre

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Acho que poucos devem saber disso atualmente, mas Guitar Hero não foi o primeiro simulador de instrumentos musicais. Os gamers com boa memória devem se lembrar do GuitarFreaks, da Konami, lançado no Japão no longíquo ano de 1999. A cultura do videogame arcade ainda anda forte naquelas bandas, e talvez por isso o Guitar Freaks nunca tenha dado o salto para consoles – e, como consequência da plataforma adotada, nunca saiu do Japão também.

Tive a oportunidade de jogá-lo num arcade gigante de Toronto. A falta de músicas reconhecíveis certamente contribuiu para que eu achasse a experiência no geral bem desinteressante.

Guitar Hero, apesar de não ser o pioneiro que alguns devem achar que é, foi definitivamente o jogo que popularizou o estilo e inspirou imitadores. E o outro sentimento que Guitar Hero inspirou foi a revolta de qualquer músico – especificamente, guitarristas – presentes durante uma sessão do jogo.

O debate era tão frequente que julgo impossível existir um fã do gênero que não tenha ouvido a reclamação indignada de um guitarrista em relação ao jogo. “Isso não é tocar guitarra de verdade!”, eles proclamavam o óbvio. “Por que você não pega uma guitarra de verdade, se tem interesse na música?”, eles perguntavam, ignorando completamente o ponto do game.

Eu toco guitarra (mal e porcamente, mas toco), e me divertia muito jogando Guitar Hero com os amigos. O fato de que o jogo me permitia reproduzir músicas e solos muito acima do meu nível técnico numa guitarra de verdade pode ter algo a ver com isso…

Já meus companheiros músicos eram incapazes sequer de ouvir o nome do jogo sem lançar protestos. A impressão que dava é que os caras se ofendiam com a ideia de alguém brincar com uma guitarrinha de plástico e se sentir um rockstar por causa disso.

Não sei se tais reclamações chegaram aos ouvidos da Harmonix, ou se essa era uma evolução natural para o andamento da série, mas o fato é que o terceiro Rock Band consta de uma função chamada Pro Mode (modo profissional, traduzido livremente).

Esse é um dos controles disponíveis para o jogo, uma Fender Mustang da fabricante Mad Katz. Como você pode concluir simplesmente ao ver pela miríade de botõezinhos no braço da guitarra, a experiência de Rock Band 3 se aproxima muito mais da prática real de tocar uma guitarra. O jogo foi todo remodelado de forma que o gameplay se baseia não mais naqueles cinco botões coloridos de antes, mas sim em todas as posições oferecidas pelas casas do braço de uma guitarra.

Mas os botõezinhos sem dúvida ainda fariam os músicos elitistas reclamarem. Que tal então uma guitarra de verdade que possa ser usada no jogo?

Essa é a premissa do “controle” Stratocaster fabricado pela Fender: um híbrido de guitarra e controle de videogame, que pode ser plugado num amplificador comum e funciona como qualquer outra guitarra.

Rock Band 3 tenta aplacar a ira dos músicos de verdade, mesclando a jogabilidade casual que todo mundo conhece e adora com a possibilidade de trazer para o jogo os dotes musicais dos mais habilidosos com os instrumentos reais. Ou, indo na contramão, interessar os roqueiros de brincadeirinha em aprender técnica musical, até porque o game tem também um modo de treinamento que serve justamente para ensinar um leigo a fazer desde os acordes mais simples até os solos mais complexos.

Eu não sei bem se a ideia vingará como planejada. O público de jogos musicais é, em sua maioria, jogadores casuais – gente que vê games como uma distração. Combine isso com o inevitável preço elevado das guitarras compatíveis com o modo Pro, e eu acho que o público interessado na versão avançada do jogo será bastante limitado. Eu mesmo, que gosto tanto do game quanto de música de verdade, não me sinto muito inclinado a comprar os controles-guitarra.

Você acha que o modo Pro de Rock Band 3 acabará produzindo uma nova leva de guitarristas, mais acostumada com instruções coloridas numa TV, do que com tablaturas? Ou o apelo realista (e mais complicado e frustrante) dos novos controles acabará interessando apenas quem já tem habilidade com as cordas?