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Nem o Google aguenta tantos impostos

Thássius Veloso

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Se você fosse dono de uma empresa com escritórios no mundo inteiro, em qual deles iria fazer a contabilidade? Naquele do país que cobra menos impostos, claro! Tudo bem que a maioria das empresas brasileiras não tem essa opção de recusar-se a pagar os altíssimos tributos que são cobrados por aqui, mas o Google tem.

A empresa aproveita-se de uma traquitana financeira para pagar menos impostos em âmbito global, revelou uma reportagem da agência Bloomberg.

O método usado pelo Google já é conhecido no meio tecnológico: o Double Irish ou Dutch Sandwich permite movimentar quantias monetárias da Irlanda e da Holanda para Bermuda, um paraíso fiscal no centro do Caribe. É uma jogada financeira bastante engenhosa, mas que permite à empresa evitar que o dinheiro vindo de subsidiárias do mundo inteiro sejam taxados em excesso nos Estados Unidos.

Desde 2006, a Receita Federal americana permite que o Google conceda os direitos de propriedade intelectual das patentes obtidas nos Estados Unidos a uma subsidiária, desde que os royalties digam respeito às atividades globais da empresa. O Google da Irlanda foi escolhido para tal atividade. No entanto, sua gerência está em Bermuda, de modo que o capital obtido pela empresa não pague os impostos da Irlanda.

O Google Irlanda recebe as remessas de capital dos escritórios do Google no mundo inteiro, depois envia esse dinheiro para o Google na Holanda. Por fim, o Google holandês remete esse dinheiro para Bermuda, que mais tarde o enviará para os Estados Unidos. Complicado, não?

O que importa nessa história toda é que, com esse movimento, o Google paga apenas 2,4% de imposto sobre o dinheiro vindo de outros países para a matriz americana. Em compensação, as taxas e impostos dentro dos EUA chegam a 35%. Um absurdo de tão caro (no Brasil pagamos 39% e também é caro). E não é só o Google que faz isso: Microsoft e Facebook utilizam-se do mesmo desvio na hora de remeter capitais.

Pena que não temos um dispositivo similar aqui no Brasil. Muitas empresas o adotariam sem pensar duas vezes.

Com informações: Bloomberg.