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Ainda tem essa: Jungle, o portátil da Panasonic

Izzy Nobre

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Pouca gente lembra (se você está lendo essa coluna, deve ser um deles) do malfadado 3DO, o console da Panasonic. Peculiar por seus métodos de licenciamento e royalties – ao contrário de quase todos os outros videogames da história, o 3DO era fabricado por quatro empresas diferentes; cada uma vendia sua própria versão do bicho -, o console morreu antes do seu aniversário de 3 anos.

A Panasonic tinha planos de produzir um sucessor até, o M2. Considerando o fracasso do 3DO (cujo nome real era, segure o fôlego, Panasonic FZ-1 R.E.A.L. 3DO Interactive Multiplayer), não é surpresa para ninguém que o projeto foi cancelado.

O ano era 1997. A Panasonic admitiu então a derrota perante os gigantes já bem estabelecidos no meio, e o mundo gamer interpretou sua tentativa de penetrar o mercado como uma pisada de bola fenomenal.

13 anos depois, eis a Panasonic tentando o Round 2.

Este é o Jungle, o vindouro console portátil da Panasonic. Como você pode notar, o aparelho tem um quê de minilaptop, com tela dobrável e teclado QWERTY.

Mais importante que isso é a filosofia por trás do Jungle: aparentemente, ele será o primeiro console portátil desenvolvido com jogatina online em mente. Essa é a mensagem do pequeno teaser do site do console.

Não há muita informação sobre o Jungle ainda, mas eu seria capaz de apostar que isso mudará ainda esse ano. Pessoalmente, eu me empolguei um pouco com a notícia. Sou um entusiasta de portáteis, como alguns devem saber, e competição é algo que sempre recompensa os consumidores. Além disso, a idéia de um portátil dedicado a jogos online (embora muito ambiciosa) faz bastante sentido no mundo cada vez mais conectado em que vivemos.

Por outro lado, é difícil depositar muita confiança num console produzido por uma empresa cuja única experiência no mercado foi o grande fracasso do 3DO. Alguns poderão apontar que o PlayStation também era uma aposta de uma recém-chegada e acabou virando um grandíssimo sucesso, mas vocês estariam ignorando o contexto da coisa – para quem não lembra, o PS1 seria um add-on para tornar o SNES compatível com jogos em CD. Quando a Nintendo e a Sony se desentenderam e a última decidiu lançar o tal add-on como um console separado, a Sony já havia adquirido todo um know-how, além de um relacionamento próximo com as desenvolvedoras.

A Panasonic, por outro lado, entrará no mercado sem ter feito esse dever de casa. É uma aposta arriscadíssima, especialmente no paradigma atual, em que consumidores encontram menos e menos motivos para comprar até mesmo os consoles portáteis já bem estabelecidos. Por que apostar num novato?

E lembre-se que não serão apenas os gamers que precisarão colocar fichas no Jungle. Mais crucial ainda que isso, os desenvolvedores deverão ser convencidos a fazer jogos para ele. Por que um estúdio dedicaria tempo e dinheiro produzindo jogos para um console que ninguém tem interesse…?

A única esperança do Jungle é ter um preço atraente, uma fortíssima seleção de jogos first party (ou seja, jogos produzidos pelo próprio fabricante do console), e muita sorte. Sem isso, eu digo com plena certeza que a história vai se repetir para Panasonic.

E talvez nem isso seja suficiente. Veremos.