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O mundo dos rumores da Apple. E daí?

Henrique Martin

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Vi um Mac pela primeira vez em 1995, creio. Terceiro ano do colegial, estágio num escritório estranho de arquitetura, mas essa não era nem nunca foi minha função: limpar vírus dos PCs do outro lado da empresa, na área de engenharia (fugi de lá dois meses depois). Mentira. Anos antes, um amigo em Santos tinha um Mac onde jogávamos Carmen Sandiego, mas acho que eu nem imaginava o que era Apple naquela época.

Em 99, comprei meu primeiro iMac, na segunda geração dos modelos coloridos (um verdinho bem simpático). Promoção em épocas de Fenasoft, veio com um tosco SuperDrive (não é nada do que está pensando hoje) e, com ele, sofri ao ser um dos primeiros assinantes do Speedy com Mac (quem configurava aquele diabo de Mac OS 9?). Já com um pé no jornalismo, acabei caindo no mundo da tecnologia. A Adriana, minha colega de redação na época, brincava que eu tinha conseguido a vaga quando cheguei um dia na editoria de informática e perguntei “ei, vocês viram os novos iMacs?” pro chefe. Mas isso tudo é passado.

O fato é que a Apple e seus computadores fazem parte da minha vida faz tempo. Escrevo esta coluna num MacBook, tive vários outros iMacs, iBooks, iPods e até me irrito ao teclar coisas erradas ao mexer no meu PC. Já escrevi para títulos de PCs, de Macs, e a história é sempre a mesma: cada rumor, cada sinal de fumaça vinda de Cupertino gera uma cobertura enorme da mídia e de blogs. Admito que já tive meu papel nesse mundo do hype (velha máxima: dá audiência, então fale disso), mas… cansei.

Cansei pelo simples motivo que entendi como a Apple é, pensa e funciona (sem precisar ler a biografia não-autorizada de Steve Jobs). A Apple quer inovação e simplicidade em tudo. Hype até faz parte do marketing muitíssimo bem pensado da empresa: eles são herméticos, e seu silêncio irrita. Quem não fala gera especulação. Faça produtos “cool” e não fale e a especulação será maior ainda.

Tente ligar pra alguém na Apple para conseguir “aspas” oficiais da empresa para qualquer matéria. Não falam (é raro, muito raro). A empresa fala, não as pessoas. A corporação que importa, isso sim. Lá fora, se você é brasileiro, latino-americano, marciano, inglês, não importa: não falam mesmo (quer dizer, falam, para poucos, muito poucos que dá para contar nos dedos). Entrevistar Steve Jobs, Tim Cook, Phil Schiller, Jon Ive? Esqueça. A regra vale também pro até-então-abert0-à-mídia-na-Palm Alexandre Szapiro, country manager da companhia no Brasil.

Então, se são tão quietos, deixem eles lá em paz. Nem me importo mais se o iPhone vai ter capacidade de transmissão intergaláctica ultraveloz, se vai existir um iNetbook ou um iToilet da Apple. Se existir, vai sair um dia. Quando eles quiserem falar, vão falar. Não precisa se preocupar com isso, nem um rumor vai mudar o mundo. Pode acreditar. É exatamente isso que eles querem.