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Segundo dia de Linuxcon – Kernel e MeeGo

Paulo Graveheart

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O segundo dia do Linuxcon começou mais vazio, o que causou comentários logo no primeiro painel. “Me parece que os brasileiros não gostam de acordar cedo. O que é estranho, essa é a melhor hora do dia, na minha opinião…”, falou Jim Zemlin. De uma certa forma, isso podia ser explicado pela escolha nos paineis da manhã: todos tratavam de assuntos mais técnicos e não contavam com nomes que chamavam pessoas (Torvalds ou Jon Maddog Hall).

Embora o painel sobre Kernel fosse um pouco maçante para alguns, o keynote de Jane Silber trouxe um pouco da visão da Canonical (que produz o Ubuntu) para a área de TI e Ted Ts’o impressionou com um assunto inicialmente chato: sistemas de arquivos no Linux.

O Kernel, ele.... ZZZZzzzzzZZZZ

O segundo round de palestras até começou bem, mas é chato notar que, como comentei sobre o primeiro dia, muitos ainda têm mentalidade pequena sobre o assunto “Software Livre”: a palestra “Benefícios da Implementação de um Hospital e Sistema de Informação em Saúde Livres”, uma das que mais me interessou na programação do dia, era recheada de frases de efeito contra o capitalismo, a falta de respeitos das megacorporações pela América Latina e como todos os males do mundo são causados pelo software proprietário. Uma das poucas palestras que abandonei, justamente quando a postura de boicote do Stallman foi elogiada. 🙁

VIVA ZAPATA!!!!!!!!!

Logo depois, um pouco sobre o MeeGo para desenvolvedores. Embora Hélio Chissini tenha puxado muito a sardinha para o MeeGo, muito do que ele disse pode fazer sentido, e o MeeGo pode se tornar uma plataforma interessante para desenvolvedores. Na opinião dele, a Apple tem fechado e restringido cada vez mais o iOS, limitando os desenvolvedores, e o Android tem se fragmentando tanto em tantas versões diferentes que a vida dos desenvolvedores está para virar um inferno. Com o MeeGo, que já possui uma boa base da Nokia e da Intel, isso pode mudar, tornando o desenvolvimento de aplicativos mais ágil para desenvolvedores. Percebam que usei “pode” várias vezes durante o parágrafo, porque… né?

"E, com o MeeGo, vocês poderão jogar Bejeweled duas vezes mais rápido..."

Digno de nota também é o Projeto Cauã, apresentado por Jon Maddog Hall, que ainda está em fase de busca de recursos, mas que pode revolucionar o mercado se der certo: a aplicação de thin clients em favelas, prédios, condomínios e empresas poderia diminuir os recursos naturais utilizados na informática (energia elétrica, por exemplo) além de tornar a inclusão digital muito mais simples e barata. Falando com muito bom humor e apresentando dados concretos, Jon conquistou vários interessados no Projeto Cauã.

Aqui, Papai Noel explica como conseguiu obter mais produtividade no Natal usando software livre

As outras palestras mantiveram o bom nível do dia anterior, o que é ótimo. De negativo no evento, além da falta de organização, nota-se o mesmo que já comentei em outros eventos técnicos: se vai ter tradução simultânea, que pelos sejam chamadas pessoas com nível técnico e que saibam o que o palestrante está falando. Era possível pegar vários erros bobos, como chamar “placas de vídeo” (video cards) de “cartões de vídeo”. Não estou exigindo alguém com nível superior em informática, mas se a mensagem vem truncada para as pessoas que estão assistindo a palestra, informações importantes podem ser perdidas.

No mais, interessante ver como a comunidade vem crescendo e se amadurecendo a cada ano. Pessoalmente, espero que tenhamos uma nova Linuxcon no ano que vem. Maior e melhor. 🙂