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Nuvens e trovoadas

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Cloud computing tem futuro?

Eu sou do tempo em que “nuvem” era apenas um lugar onde anjinhos dormiam e tocavam harpa. Hoje, “nuvem” é o lugar favorito da geração digital para guardar sua vida online. Quem dera essa “nuvem” de hoje fosse povoada por anjos. O que mais parece é que ela é habitada por diabinhos. Àquilo que as novas gerações estão abraçando com entusiasmo, os veteranos torcem o nariz, céticos. A nuvem está cinza e carregada, e a tempestade está só começando.

Trocando em miúdos: cloud computing, ou “computação na nuvem”, nada mais é que toda a sua vida online: dados, informações pessoais, documentos e até multimídia morando na internet. Basta uma conexão web e tudo está à mão, a partir de qualquer computador – ou dispositivo móvel. O ícone maior da computação em nuvem é o Google, sem dúvida, com seus aplicativos populares em todo o mundo – desde email até calendário e editor de textos. A iniciativa mais ousada foi o anúncio recente do seu próprio sistema operacional, o Chrome OS – todo baseado na web.

A caracterísitca de “nuvem” da internet atual só é possível graças à adesão de todo o planeta na rede mundial de computadores. De um lado, “cloud computing” trazendo a promessa da verdadeira internet ubíqua. Pessoas acessando seus dados a qualquer hora, de qualquer lugar, em qualquer dispositivo. Do outro, operadoras e servidores instáveis, além de aplicações com selos “beta” que não inspiram lá muita confiança.

“Computação em nuvem” e mobilidade tem tudo a ver. É por isso que os profissionais itinerantes foram os primeiros a abraçar, entusiasmados, essa nova forma digital de trabalhar e interagir. O Google está mais popular do que nunca e o serviço de armazenamento virtual da Amazon cresce a cada dia. O mercado de serviços na nuvem ainda está em estágio bem inicial de adoção, é verdade, mas provando ser tendência.

Os mais conservadores dizem não gostar de correr risco quando se trata de informações pessoais. E com razão. Você confiaria em sua operadora o suficiente para abrir na rua, às 8 da manhã, a caminho do trabalho, sua “agenda na nuvem” para checar os compromissos do dia? E confiaria no servidor de um serviço beta e gratuito para guardar os preciosos telefones, endereços e emails de todos os seus contatos?

No mundo mobile, a Apple tentou convencer usuários e desenvolvedores, ao lançar o iPhone em 2007, que os “web apps” eram o futuro e que os softwares, da forma como conhecemos hoje, estavam condenados à morte. Não colou: um ano depois surgiu a AppStore, cujo sucesso dispensa apresentações. São esses mesmos usuários e desenvolvedores que hoje torcem o nariz para o Google Chrome OS.

Por mais que a computação em nuvem seja inovadora, mudando desde já nossos costumes digitais, a verdade é que em termos de infraestrutura não estamos amadurecidos o suficiente para adotá-la em massa. E o que dizer das previsões apocalípticas de redes saturadas, crise de armazenamento e sobrecarga de sistemas?

Contudo, os “coroas da internet” não decidem mais nada. O poder está nas mãos dos mais jovens. São seus hábitos e exigências que ditam novos padrões de consumo. Sempre foi assim: caiu no gosto da molecada, não há mais volta. Basta ver no que estão se transformando as redes sociais – fenômeno de audiência que ninguém sabe direito como transformar em algo economicamente viável.

O CD player e o atual modelo da indústria fonográfica já poderia se considerar obsoleto no instante em que o primeiro adolescente do Napster fez o seu primeiro download, lá nos anos 90. Com a nova computação móvel, ubíqua e na nuvem, não será diferente. Cabe aos nerds rabugentos parar de questionar a nova tecnologia e trabalhar para melhorá-la, antes que fiquem obsoletos também.