Início / Arquivos / Aplicativos e Software /

Testes no Droid 2 indicam que Jobs pode estar certo sobre o Flash

Juarez Lencioni Maccarini

Por

Notícia
Achados do TB Achados do TB

As melhores ofertas,
sem rabo preso 💰

O editor da Laptop Magazine Avram Piltch publicou uma matéria que coloca mais lenha na fogueira que arde forte entre Adobe e Apple. Por que as duas empresas começaram a trocar farpas publicamente? Porque Steve Jobs cansou de ser criticado pela ausência de Flash nos seus iDispositivos e veio a público dizer que não era ele que não estava pronto para o Flash, e sim o Flash que não estava pronto para os dispositivos móveis.

A Adobe, por sua vez, disse que o que Jobs havia falado não tinha fundamento e que o Flash funcionava bem sim em dispositivos móveis. A prova disso seria o sucesso do Flash nos smartphones com Android, já que Adobe e Google trabalharam em parceria para levar essa tecnologia para os gadgets do robozinho verde com a melhor experiência possível. Porém, a não ser que Piltch tenha sido o único azarado com quem o Flash no Android ficou muito abaixo das expectativas, parece que nem tudo correu tão bem quanto o planejado.

Piltch testou o Flash 10.1 no novo Droid 2, o primeiro Android 2.2 a já vir com o Flash Player pré-instalado. Segundo os relatos dele, para começar, a visualização de vídeo em Flash no aparelho ficou abaixo do sofrível. Alguns vídeos não carregavam, outros pareciam mais um slideshow de tão mastigados que ficavam, e, invariavelmente, todo o sistema ficava lento e demorava a responder a qualquer toque quando o Flash Player era utilizado.

Outra coisa que incomodou o editor da Laptop Magazine foi o fato de que os vídeos que ele tentava assistir acabavam, em grande parte, travando e exibindo na tela uma mensagem que dizia “este vídeo não está otimizado para dispositivos móveis”.

“Este vídeo não está otimizado para dispositivos móveis” — Não era essa a ideia?

Os únicos vídeos que realmente eram reproduzidos com fluidez eram aqueles que haviam sim sido otimizados para a reprodução em um dispositivo móvel. Mas aí cabe a pergunta: a função do Flash não seria exatamente a de possibilitar que qualquer vídeo em Flash pudesse ser visualizado em seu dispositivo móvel? Mesmo porque, se distribuidores de vídeo forem mesmo obrigados a convertê-los em nome da compatibilidade com dispositivos móveis, são grandes as chances de que eles prefiram já converter de uma vez para HTML5, como muitos já fizeram ou estão fazendo.

Depois de testar o vídeo, Piltch foi ver como seria a experiência com jogos em Flash. Não demorou muito para perceber que o fato de eles não terem sido projetados para um dispositivo touch-screen tornava o jogo frequentemente incompatível com o seu Droid 2 — que não tinha a tecla Ctrl ou os botões do mouse que os jogos exigiam. Sem contar a demora para carregar os jogos e o fato de eles deixarem o sistema inteiro lento e com pouca resposta.

Outra dificuldade encontrada foi em navegar em sites que utilizam componentes em Flash. Com o plugin desligado, esses elementos simplesmente não são carregados, ou são substituídos por versões sem Flash. Com o Flash ativado, o editor da Laptop Magazine teve dificuldade e lentidão ao carregar algumas páginas, pois o navegador ficava engasgado tentando lidar com o conteúdo em Flash e não terminava de carregar o restante do site.

Nem tudo foi uma tragédia, e algumas coisas funcionaram muito bem, mas Piltch ressalta que a maioria dos usuários não são geeks que têm paciência com bugs e incompatibilidades, são pessoas que só querem que seus smartphones funcione.

“Em algum momento nessa semana, ou a [operadora de telefonia celular] Verizon ou eu vamos receber um telefonema exaltado da minha mãe quando ela tentar assistir a um vídeo em Flash e a tela ficar travada […]”, escreveu ele.

Cabe ressaltar que essa foi a experiência de um jornalista que resenhou o novíssimo produto. É possível que nem todos venham a ter uma experiência tão ruim quanto ele teve — mas se tiverem, esse fracasso pode ser o golpe de misericórdia na guerra entre o Flash e o HMTL5.

Piltch concluiu:

“Baseado em minha experiência inicial com o Flash Player 10.1 para dispositivos móveis, ele poderia em breve se juntar ao disquete no cemitério tecnológico, outra coisa que Steve Jobs ajudou a matar.”

Com informações: Laptop Magazine.