China

Deu certo! Aquela ideia que você apresentou no Kickstarter agradou tanto que a campanha foi um grande sucesso. Agora é só usar o dinheiro arrecadado para tirar o projeto do papel, certo? Certo. A não ser que um chinês tenha decidido tirar esse projeto do papel antes de você.

Ter uma ideia inovadora — ou, ao menos, potencialmente lucrativa — copiada na cara dura é um pesadelo que um número crescente de pessoas está enfrentando. É o que relata o Quartz. Em alguns casos, a imitação chega ao mercado antes de o produto original, alvo da campanha de financiamento, ser fabricado. Não há pagamento de royalties ou licenças, tudo é feito descaradamente mesmo.

O caso retratado pelo Quartz é o de Yekutiel Sherman. Ele criou uma campanha no Kickstarter para um produto que deixaria o Inspetor Bugiganga orgulhoso: uma capa para iPhone e smartphones Samsung que vem com um “pau de selfie” retrátil de 72 centímetros.

Stikbox

Trata-se de uma engenhoca de gosto duvidoso, mas essa é a minha opinião. Tem gente que gostou da ideia e apoiou o projeto. A Stikbox, como foi chamada, superou a meta de arrecadação de US$ 33 mil no final de 2015. Nada mais justo que Sherman colha os frutos desse trabalho.

Só que as etapas seguintes se mostraram tão desafiadoras quanto buscar financiamento para o projeto: encontrar uma fábrica para produzir a Stikbox, entregar as recompensas dos apoiadores e, claro, levar o produto para uma escala comercial.

Imagine a cara de Sherman ao descobrir, enquanto cuidava dessas tarefas, que o seu produto não só já estava sendo fabricado por chineses como também estava à venda em páginas do AliExpress. Para piorar a situação, as versões “genéricas” custam entre US$ 10 e US$ 20, enquanto Sherman, na expectativa de encontrar viabilidade financeira, deu um preço de aproximadamente US$ 50 para a Stikbox.

stikbox

O que mais preocupa são as dimensões que essa prática pode alcançar. Já houve casos de ideias copiadas — um projeto apresentado no Kickstarter ganhava uma versão similar no Indiegogo, por exemplo —, mas esse problema é relativamente fácil de ser resolvido. As imitações em forma de produto, porém, podem desestabilizar todo o ecossistema do crowdfunding.

Para começar, a cópia pode lançar uma percepção negativa sobre a própria ideia. Se a imitação tiver má qualidade, o consumidor pode acreditar que aquele tipo de produto não cumpre o que promete. Se ele tiver esse pensamento, nem mesmo o produto original irá convencê-lo.

Mas há casos em que a cópia é tão boa quanto o produto original. Como? A sua ideia deu certo e, por conta disso, você contratou uma fábrica chinesa para fabricar o produto. Para isso, você entrega à fábrica a descrição do projeto, os requisitos, o design, enfim.

Suponha que você tenha encomendado 5 mil unidades do item. Mas, sem você saber, a fábrica produz 50 mil. As 45 mil unidades sobressalentes são distribuídas para pequenos vendedores que as comercializam por preços bem mais atraentes, afinal, a fábrica tem escala suficiente para produzir gastando pouco. Essa versão pode até ter rótulo diferente ou uma alteração de design, mas é, na essência, um produto igual ao seu.

Para o idealizador, esse cenário gera o medo de o projeto ser copiado facilmente. Para o consumidor, pode haver a decisão de não apoiar uma ideia porque, provavelmente, uma versão similar e mais barata irá aparecer em um site chinês muito em breve. Percebe como toda a cadeia do crowdfunding pode ser abalada?

Stikbox Ctrl C + Ctrl V

Stikbox Ctrl C + Ctrl V

O problema não chegou a um nível crítico. Ainda não. De qualquer forma, alguns cuidados já estão sendo recomendados. Um deles é a aplicação de uma patente com validade na China. Outra saída é assinar um contrato de produção que assegure que a fábrica ficará impedida de produzir unidades não autorizadas.

Mas nem isso garante proteção contra a cópia descarada. A obtenção de patentes é demorada e, muitas vezes, cara. Já o contrato pode proibir que uma fábrica lance versões do produto sem autorização, mas nada impedirá que o projeto seja repassado clandestinamente para outra empresa.

Uma recomendação que tem ganhado força é a elaboração de um trabalho de marketing que faça a marca ser uma referência para a ideia — GoPro é uma marca, mas a usamos como sinônimo para câmera de ação, para citar um exemplo.

Essa abordagem pode dar resultado porque o produto original será procurado primeiro. Mas, novamente, não há garantia de proteção total. Por isso, quem quer se aventurar no crowdfunding precisa analisar todos os aspectos do projeto para adotar uma estratégia proativa. O pensamento deve ser este: já que é praticamente certo que o meu projeto vai ser copiado por um chinês, que pelo menos eu consiga ganhar algum dinheiro com ele.

Comentários

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Leandro Santiago

Seu trouxa !!! Apple criou a indústria d smartphones e aplicativos e foi copiada pelos malditos asiatasiá!!! Vc é um trouxa seu mane!!

SDuarte
BassVix
Nada se cria, tudo se copia, apesar de que algumas empresas botam rótulo de ultra mega revolucionário e uma logo de maçã comida.
Marcos Oliveira
Kibestarter, HAUaHuAHUHAUh
Jorge Luis
Não gosto muito de intervenção também não. Apenas acho que uma intervenção mínima seria necessária para garantir a dignidade humana. E não sabia que o salário deles está próximo do nosso. A última vez que soube parecia mais uma escravidão cor cargas horárias sinistras.
Johnny Walker Junior
Também já copiaram muito... Mas agora fazem o seu...
Keaton
http://i.imgur.com/h9hhB3X.jpg
Maezono
kkkk, boa. Mas eu sou japonês
Anthony Fernando
Kkkkkkkkkk
Minatonami
eu também parto dessa premissa que você disse, leia meu comentário de novo e você vai entender. O problema é que se você se mete nesse processo, você ATRAPALHA o nascimento de novas empresas, e faz com que os trabalhadores fiquem reféns das poucas empresas, e desses poucos empregadores que conseguem vencer essa regulação extra. Acaba que tudo fica nivelado pelo patamar mínimo que foi regulamentado. Não é por acaso que os países com menos intervenção na relação empregado/empregador são os que menos tem desemprego. HOJE, o salário médio chinês é quase o mesmo valor absoluto brasileiro, e eles estão numa economia mais barata, ou seja, ganham mais na prática
Ricardo
Apple, Google, Samsung, Sony, LG... não importa de onde vem, e sim o quanto pagam pelos royalties ou nos processos em que se metem. Não faz muito tempo, que víamos um notícia que acirrava ainda mais a guerra de patentes. A MS até hoje lucra muito com a venda de Androids. O propósito do texto é alertar que essa prática prejudique ou até interrompa a evolução dos financiamentos coletivos.
Ligeiro
Me pergunto o porque da população ocidental não clonar a capacidade de clonagem e produção chinesas...
Jorge Luis
mas vc parte da premissa que o empregador não oferece melhores condições porque não pode no momento? eu já parto da premissa de que eles pagam pouco porque tem muita gente sem emprego. Eu sou a favor do máximo possível de liberalismo do mercado, mas nesses casos onde há muita gente para pouco emprego, acredito que deva ser tomado certos cuidados. O ser humano não é confiável a ponto de não ter regulação sobre ele e esperar que tudo dê certo naturalmente.
Leonardo Caldas
"De qualquer forma, alguns cuidados já estão sendo recomendados. Um deles é a aplicação de uma patente com validade na China. Outra saída é assinar um contrato de produção que assegure que a fábrica ficará impedida de produzir unidades não autorizadas." Como se chineses respeitassem patentes...
Mago Erudito®
Nada se cria, tudo se copia.
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