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Facebook Home: antídoto contra a FaceEstafa?

"O coração da vida digital de um usuário de smartphone não são seus contatos do Facebook, ou outra rede qualquer. É a agenda interna do próprio telefone."

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Nesta semana, Mark Zuckerberg mostrou à imprensa o Facebook Home. Contrariando as apostas de um celular próprio ou um aplicativo reformulado, o Facebook Home é uma nova tela inicial para smartphones e tablets com Android, na qual o Facebook passa a ser o centro das interações e atividades do dispositivo.

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O Facebook afirma em seu release: “Se compartilhar e estar conectado é o que realmente importa, por que não ter um celular focado nas pessoas?” E completa: “(…) é uma experiência totalmente nova que nos permitirá ver o mundo através de pessoas, não de aplicativos”.

Sinto discordar, Zuckerberg. O Facebook Home não nos permite ver o mundo através de pessoas. E sim, através do… Facebook!

O círculo de relacionamentos virtuais de uma pessoa hoje vai muito além de uma única rede social. Ainda que o Facebook seja quase onipresente, é fato que estamos assistindo a uma leva de usuários muito jovens deixando de lado a rede do Zuckerberg em prol de opções mais leves e dinâmicas, como o Instagram e o WhatsApp.

O coração da vida digital de um usuário de smartphone não são seus contatos do Facebook, ou outra rede qualquer. É a agenda interna do próprio telefone. Por isso WhatsApp, Viber e afins estão cada vez mais populares, principalmente entre o público adolescente. Esses apps alavancam os relacionamentos que já existem, tornando a experiência virtual muito mais real. Tínhamos medo que essa meninada que hoje vai dos 12 aos 18 anos vivesse num mundo paralelo, excessivamente online, não? Pois podemos respirar aliviados: diferentemente da geração Y, a Z estreita seus laços online preferencialmente com pessoas que já existem em sua vida offline.

Convivo diariamente com dois desses “espécimes”, de 12 e 16 anos, e a cada dia me surpreendo com o modo como eles enxergam as redes sociais, o mundo virtual e o real. Eles não tendem a separá-los, o que às vezes é bom, mas às vezes também é ruim. Tampouco acho isso prejudicial ou benéfico. É apenas uma abordagem diferente. Ouço direto deles que o Facebook não é sua rede favorita. É apenas mais uma. Por isso acho que o Facebook Home tem chances de encalhar.

Mas por que essa moçada está cansando do Facebook?

Simples, excesso de monitoramento. Falta de liberdade e privacidade. Até o Twitter os faz se sentirem mais livres que no Facebook — curioso, já que tecnicamente falando, a rede do passarinho é bem menos privada, não?

Instagram já é um fenômeno há tempos. O Twitter é a rede que mais cresce entre os mais jovens. LinkedIn ganha mais e mais relevância entre as corporações, e redes menores, de nicho, como a ResearchGate para acadêmicos, ganha muita força. Cada dia nasce uma nova rede social de nicho. Será que fazer parte de uma rede social “só porque todo mundo está nela” realmente é importante? Bem, as novas gerações estão achando exatamente o contrário

No início, o Facebook era uma rede de colegas e amigos. Seu âmago era a paquera. Só muito depois vieram os parentes. Hoje, além dos pais e tios, até os avós fazem parte dela — suando bastante para entender como usá-la, é verdade, mas estão lá. Qualquer adolescente fica inibido com tanto familiar olhando tudo o que se posta e compartilha. As desavenças offline com os adultos muitas vezes brotam do Facebook, onde ego e vaidade se expõem da forma mais explícita.

Ri muito quando li um post de uma garota americana de 13 anos falando que, quando acessa seu Facebook, se sente num gigantesco jantar de Ação de Graças. Ela curte as receitas de bolos da tia, as fotos da pescaria do avô e as piadas sem graça dos primos para “cumprir tabela” — e não vê a hora de sair de lá para entrar nas redes que realmente curte. Via de regra, pelo celular, para que se possa gastar preciosos minutos num lugar mais reservado, sem olhos xeretas ao redor.

Eu adicionaria mais um problema, desta vez técnico: a péssima qualidade das versões móveis do Facebook. Ao contrário do Twitter, que nasceu pronto — desde o começo se consegue ler, interagir, citar e conversar privadamente com contatos — o Facebook parece eternamente incompleto. Estamos em 2013 e, em muitos dispositivos móveis de última geração, um ato banal como compartilhar um post ainda é impossível!

E vocês, já sentiram na pele a FaceEstafa? Acham que a interface “Home” pode dar um novo sopro de vida àqueles que estão deixando a rede de lado em prol de outras mais ágeis?

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Thanara Corrêa
Facebook se tornou tão enjoativo, só tenho um pra me logar aqui e em outros sites que estou cadastrada, acho o login com facebook tão mais fácil que fazer cadastro e tal.
portela.thiago
Pois é Bia, o Facebook sempre incompleto. Na interface do Android, para quem usa a "análise da linha do tempo", como eu, tem q usar um navegador web, pois o app não abre mais essa "feature" do Facebook. E como eu gosto de manter o controle sobre aquilo q postam na minha linha do tempo ou naquilo em q sou marcado, isso acaba se tornando um problema.
Daniel Lobo
Fiz um comentário parecido a este aqui na Agência de Publicidade onde trabalho e a galera meio que duvida disto. Eu não sou tão antigo na internet, só uso-a desde 2002, mas de lá pra cá vi muitos aplicativos e meios sociais (sites de bate-papos e outros) nascerem, crescerem e morrerem ao longo dos anos. Acontece com todos, simplesmente porque a geração que o usa, cresce e enjoa e os que vem depois, não usam. Eu comparo isto com as gerações de bandas adolescentes, que crescem junto com as mesmas e não conseguem levar o sucesso das mesmas para os mais jovens, que vão preferir usar as "coisas" do seu tempo. Fora que todo mundo da família usa e adolescente é bicho chato, que não gosta de fazer as coisas que os pais e tios fazem, pois não é "da hora".
Thiago Torres
Eu imagino que ela se refira aos grupos que podem ser criados no whatsapp, onde vc tem várias pessoas conversando ao mesmo tempo e tal
Lucas Galvão
Não conheço, e não tenho a menor vontade de conhecer o G+. Há um limite para redes sociais. FB: Família e Amigos = Algo Público. Twitter: Um pouco mais leve e com mais privacidade que o FB. WhatsApp: Conversas muito mais privadas e diretas. LinkdInn: Rede corporativa Feedly (já que o Google Reader morreu): O meu jornal eletrônico. Só me falta UMA rede social, que estou esperando alguém criar: - Uma que me permita JOGAR os meus jogos com pessoas de DIFERENTES consoles. Exemplo: Tenho Fifa 13 no iPhone. Eu adoraria jogar contra algm no PC, no PS3, ou contra algm no android. Seria SENSACIONAL essa interação multiplataformas. - E aí sim, poderia contabilizar todas as minhas medalhas babacas nessa rede social única. /QueroCréditosPelaIdéia ;)
Gaius Baltar
Não sei se pela influência da sua "amostra" adolescente, a Bia está focando muito no usuário jovem, quando há uma imensidão de usuários adultos e seniores que por conservadorismo, preenchimentos das necessidades ou desconhecimentos de alternativas usam o Facebook como rede principal (ou única). Se uma rede social é definida pela sua agenda de contatos, a maioria dos meus estão no Facebook, uma boa parte no Instagram e poucos no Twitter ou Google+. Para mim as redes sociais se dividem por funções: 1) Facebook: Contato com amigos próximos e família. Os chatos e os desinteressantes que por protocolo social (Sheldon's feelings) precisei adicionar estão devidamente alojados nas listas "Conhecidos" ou mesmo "Restritos". Sem falar que de vez em quando dou uma limpada nas listas. 2) Twitter: É o meu "feed". Uso mais para consumir que para partilhar conteúdo. Sigo pessoas (entre elas a Bia) e entidades (entre elas o Tecnoblog) que me forneçam conteúdo interessante. Eventualmente comento em resposta a alguma postagem. 3) Instagram: É a rede de diversão, para ver as fotos dos amigos. 4) Google+: Como tenho poucos amigos reais que aderiram à rede social do Google, uso-a principalmente pelas comunidades. 5) WhatsApp e iMessage: Para contato diário e imediato com amigos e familiares que não têm e têm iDevices, respectivamente. 6) Viber: Para chamadas de voz e/ou para comunicar com quem não tem WhatsApp.
Edinho Kunzler
Overdose de facebook?! No, thanks! A vida real, com todos os seus problemas, é muito mais bela que a vida maquiada do site do Zuck...
ricardo
Excelente texto. Para mim o Facebook não passa de um grande portal de exibicionismo para pessoas sem nada de interessante a oferecer.
Ygor Nascimento
Desculpe mas, a parte do texto onde diz: "“parecendo” que cada celular é diferente um do outro, mas continuando sendo todos Android", não concordo, porque, O iOS veio primeiro e quem copiou a home foi o Android(aplicando as alterações claro como os launchers), e o Windows Phone não é igual, é totalmente diferente...
Lucas Braga
Antigamente, o que você conhece hoje como "rede social" era chamado de site de relacionamento, da mesma forma que serviços de chat eram chamados de mensageiros instantâneos. O conceito "rede social" nada mais é do que uma representação sobre qualquer tipo de rede que faça com que você mantenha contato com outras pessoas. Nisso, se incluem os antigos sites de relacionamento, serviços de mensagem instantânea e até algo que nem é tão online assim, como o próprio serviço telefônico.
Felipe Lima
em matéria de apps o G+ é muito melhor
Felipe Lima
fora q o twitter vc pode criar vários fakes
Rogério Souza
Acho que a comparação ficou falha. Digo isso pelo Whatsapp (desconheço o viber) é mais um comunicador de mensagens instantâneas do que uma rede social. Muitos daqui já usaram ICQ e MSN nas suas épocas áureas, antes de entrar no facebook (uma opinião: a microsoft, ao unir os serviços de mensagens instantâneas no skype, deixou o mercado órfão de um mensageiro simples, mas que tinha recursos mais complexos, por mais que não funcionassem direito. Se o msn tivesse tido uma versão boa mobile e não tivesse sido expurgado, seria um serviço muito usado. O skype já possui uma visão mais séria, voltada para conversas mais formais). O Facebook pra mim serve para diversão. Permite você filtrar o conteúdo de quem deseja ver e permite filtrar quem vê o conteúdo que vc posta (de uma maneira complicada, mas possui). O Facebook Home será um sucesso, pela facilidade de se obter em um aparelho Android, e pela base de usuários que o facebook possui. O que a empresa pode fazer é facilitar as configurações para você ver o conteúdo que deseja, e decidir de uma maneira mais facilitada quem vê o seu conteúdo. Enquanto isto não é complicado, prefiro não adicionar parentes/chefes no facebook.
João Almeida
Você ver o que quer no Facebook. Consegui retirar a orkutização do meu perfil e está excelente.
João Almeida
Parabéns, Bia! Excelente texto. Eu ainda gosto do Facebook e creio que ainda existe a falta de privacidade por lá, não falo de questão de segurança, mas de gerenciar de maneira inteligente, o que meus amigos (como os familiares) podem ver. Amo por demais o Twitter e vejo que ela se torna cada vez melhor. Também vi que o pessoal está aderindo rápido o WhatsApp, pois é como acontecesse uma conversa real ali, só você e a outra pessoal. O Goolgle+, acho que não vai tirar o poder do Facebook nem tão cedo, o pessoal ainda gosta dela e parece ser mais um agregador de notícias que uma rede social. Enfim, falou bem e creio que se o Facebook se der conta do que está fazendo, poderá melhorar e muito a rede social.
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