Há mais ou menos dois anos, me vi diante de um belo impasse que me levou a uma epifania sobre qual seria o ícone máximo dos videogames. Como muitos outros sujeitos com a minha idade, eu vivia prometendo a mim mesmo que um dia criaria a coragem pra me tatuar. Um dia finalmente adquiri a disposição para tal (impulsionado em parte por minha patroa, cujo corpo é adornado por um sem-número de tatuagens). Já no estúdio de tatuagem, prestes a marcar permanentemente meu corpo, veio a dúvida: o que tatuar?

Sim, por mais absurdo que pareça, eu tomei a decisão final de me tatuar sem saber exatamente o que tatuaria. Estava num estúdio acompanhando a tatuagem de uma amiga; ela e minha patroa aplicaram aquela pressão clássica (“Você já não queria se tatuar fazia anos? Estamos todos aqui mesmo, faz logo!”), e acabei assentindo. Paguei o artista e pus-me na “fila”, enquanto decidia o que tatuaria.

Quer dizer, eu sabia qual seria o tema da minha inevitável tatuagem. Como qualquer gamer dedicado, eu havia há muito tempo decidido que minha futura tatuagem refletiria meu hobby vitalício. Por motivos totalmente arbitrários, eu havia há muito tempo decidido que só poderia me considerar um gamer de verdade quando houvesse tomado a decisão (semi)irreversível de propagandear isso através de injeção subcutânea de tinta.

Mas aí estava o dilema. Eu queria uma tatuagem que ecoe minha apreciação de longa por games, mas que imagem seria melhor pra representar isso?

E a resposta foi o Space Invader.

O Space Invader (que na verdade é apenas um entre outros dois modelos diferentes, mas este é na minha opinião o “principal”) é, na minha humilde opinião o maior e mais duradouro símbolo dos videogames. Estou ciente de que esta opinião será possivelmente destroçada nos comentários; ainda assim tentarei convencê-lo.

Para que você possa apreciar o design icônico do Space Invader, precisamos compara-lo com outro personagem icônico com design simples porém eficiente.

Todo pesquisador de games que se preze conhece a origem do design do Mario. Miyamoto tinha um espaço muito pequeno e imensas limitações técnicas com as quais lidar ao desenhar o protagonista de Donkey Kong. Por isso, praticamente todos os elementos da aparência do Mario tinham como propósito deixa-lo mais reconhecível e menos parecido com um amontoado de pixels. O chapéu veio para que ele não precisasse animar o cabelo se movendo nos saltos, o protuberante nariz e o bigode eram as únicas características faciais que os poucos pixels dedicados à cabeça mostrariam, e o macacão (que deu origem à profissão do Mario, aliás) foi só uma forma de diferenciar os braços do resto do corpo.

Em outras palavras, limitação tecnológica deu origem a um dos visuais mais clássicos dos videogames.

Só que, comparado ao Space Invader, o Mario era essencialmente uma espécie de Full HD numa época em que nem se sonhava com isso. O pessoal da Taito tinha míseros 12×8 pixels com os quais criar não apenas um, mas três (3!) alienígenas distintos. Se eu desse a você a tarefa de desenhar um ET (ou melhor, três) numa área minúscula dessas, e sem poder usar cores, você talvez me dissesse que não há como.

Mas a Taito conseguiu. Graças ao absurdo sucesso das máquinas de Space Invaders no final dos anos 70 e começo dos anos 80, a imagem dos alienígenas se solidificou como um ícone da cultura gamer daquela época. Pra você ter uma leve noção de quão popular Space Invaders era, em 1978 a Taito arrecadou 600 milhões de dólares vendendo a máquina para os arcades. Imagina aí a fúria obsessiva com a qual se jogava Space Invaders na época.

Além disso, o Space Invader é agnóstico no que se diz respeito a fidelidades consolísticas (e por isso eu acho que ele destrona Mario na disputa de imagem mais icônica). O Space Invader não é um mascote de uma empresa, como o encanador italiano ou o porco-espinho azul supersônico. Ele não elicita a infindável discussão de qual console era superior. Ele é, simplesmente, uma imagem que remete à cultura gamer (e não apenas a games de forma geral, mas também à experiência dos arcades em particular). Essa desconexão de uma “ideologia”, digamos assim, o coloca num status maior em minha opinião.

Diga-se de passagem, Space Invaders foi o primeiro game eletrônico que joguei na vida, no 286 que meu pai usava pra trabalhar no final dos anos 80. Talvez por isso ele tenha se fixado tanto em minha mente como o símbolo máximo da cultura gamer.

E você, que símbolo representa melhor a cultura gamer? O joystick do Atari 2600? O controle do NES? a Triforce? Um cogumelo?

Comentários

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João Pedro Vargas
space invaders, cogumelo, esmeralda e pac-man, são grandes concorrentes de "simbolo" dos games...
Murdock
Acho que só Pac Man ou Space Invaders competem. Cogumelo, Triforce ficam restritos aos gamers enquanto os outros escapam um pouco e nessa o Pac Man leva uma vantagem enorme. Qualquer um reconhece o "Come-Come". Lembrando que pra falar em ícone é bom pensar em uma imagem única, literalmente um ícone de computador. Imagina isso aplicado a Tetris ou Pong.
Murdock
Realmente, acho que só ele pra competir com o Space Invader.
Rafael
Faltou a COBRINHA
@ursogb
eu acho na verdade que o maior icone gamer é o pac-man ou os galaxyans do pac-man kkkk minha tatto foi 3 galaxyans :P
@cleytoncoro
kkkkkkkkkkkkkkkkk Sempre que vejo isso me lembro disso aqui: http://hbdia.com/essa-internerd/trolls-you-are-doing-it-wrong/ O bom para o Izzy é que nunca saberemos se determinado erro foi de propósito ou não!
@jowth_
Vocês se lembram do Space Invaders, do Mario, e mais uns trocentos jogos... mas, porque ninguem se lembra do Pong? Ou, sei lá, Tennis For Two, talvez?
Gabriel Bemfica
Tenho o mesmo problema do Izzy para decidir tatuagem: sempre quis algo que refletisse meu espírito nerd, mas sem cair em 2 pontos: 1) Idolatria a marcas, que é algo que pode mudar rapidamente (mesmo com os clássicos, imagina se descobrem que Zelda foi uma ideia roubada de outra empresa?) e 2) Algo que fuja dos clichês, modismos e hypes. Como, no universo nerd, isso é algo praticamente impossível de se conseguir, estou com a pele imaculada até hoje. P.S.: aceito sugestõe de tatuagens nos comentários, haha :)
Diones Reis
Concordo em número, gênero e grau. A influência cultural deste game, foi além das telinhas, chegando as mais variadas formas culturais. Até uma música do Legião Urbana menciona o game. (Perdidos no Espaço) Para complementar, além de ter feito uma fortuna de 600 milhões, Space Invaders causou um efeito curioso no Japão: A falta de moedas de 100 yens. O governo japônes precisou cunhar mais moedas deste valor, devido a falta dela entre o comércio, tudo porque o pessoal usava esta moeda de 100 yens nas máquinas de Space Invaders, que era o valor para uma jogada.
@fbslikan
Concordo totalmente. Uma coisa que amplia a importância dos aliens do space invaders é que os outros jogos da mesma época eram compostos basicamente por formas geometricas. A exemplo de asteroids e pong! (poderia incluir até mesmo pac-man nessa parada). Alias o "come-come" é outro simbolo universal de cultura gamer, acho que não tenha um ser em qlq área civilizada desse planeta que não tenha tido contado com a "pizza fatiada"!
Sr. Sem Papo
Mais facil achar o Wally KKK
Jader
Izzi, achei que eu estaria sendo nerd demais quando pensei em tatuar esse carangueijo espacial no lado do braço, mas agora vejo que não estou sozinho. Esse monstrinho, em sua poderosa simplicidade, representa toda a magia do mundo dos games. Acertou em cheio.
Robuske
Ta de sacanagem né? Ouriço e porco-espinho é basicamente a mesma bosta, fora que o Izzy mora no Canadá, ele provavelmente sabe a tradução de hedgehog O.o
Arthur Novello
Existem tantas coisas que você fala erroneamente e ninguém repara porque já caiu no cotidiano, como o caso do Sonic, é fato chamarem ele de porco-espinho.
@trovalds
E o nosso "querido" (mas desinformado) colunista insiste em taxar o Sonic de porco-espinho. O primeiro jogo do Sonic é "Sonic the HEDGEHOG". Não tenha preguiça, dá um copy/paste no HEDGEHOG, jogue no google e pare de ficar falando besteira.[/fúria] Agora falando da coluna: endosso o "space invader" como sendo um ícone dos games pela (r)evolução do telejogo que era algo, no mínimo, estranho.
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