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Removendo a quarta parede nos videogames

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Estamos nos aproximando do final dessa geração de consoles. Há alguns anos era fácil prever o rumo da evolução dos consoles – entre algumas outras novas funções, havia sempre um inevitável update gráfico nos sucessores dos videogames atuais.

O problema é que, assim como a Lei de Moore que ditou um limite para tecnologia de processamento, existe um teto tecnológico para a qualidade gráfica que videogames podem produzir, mesmo nas futuras gerações (porque na atual, creio que já atingimos tal teto). Que rumo a tecnologia do entretenimento tomará uma vez que o update gráfico, que praticamente move a evolução gamer, não for mais um fator relevante?

A indústria dos videogames flertou temporariamente com a ideia da realidade virtual. Era, além de um conceito atraente, o próximo salto lógico. Em vez de criar um mundo digital numa tela na frente do jogador, por que não colocar o jogador dentro dele?

Vocês lembram destes arcades?

Muita gente provavelmente não lembra. Os arcades de realidade virtual apareceram nos shoppings de algumas capitais brasileiras por volta de 1995-1996, mas nunca pegaram de vez. Aliás, o paleozóico site de um dos fabricantes deixa bastante claro em que década o produto deles vive. E pior, a breve moda veio e foi sem que eu jamais tivesse a chance de experimenta-la.

Com o Wii, a Nintendo entendeu mais cedo do que os concorrentes que gráficos bonitos eventualmente não seriam mais suficientes e introduziu um novo paradigma no mundo dos consoles, o sensor de movimento. Não foi a primeira vez que tal aplicação apareceu nos videogames (a Power Glove, o LaserScope e o Activator, por exemplo, surgiram bem antes), mas foi a primeira vez em que os consoles eram inteiramente baseados nesse formato de controle.

Olha o naipe do LaserScope

Olha o naipe do LaserScope

Enquanto as tentativas passadas de criar o paradigma de um novo controle serviram apenas como breves (às vezes ridículas) notas de rodapé na história dos videogames, o Wii veio para ficar. Ele acabou influenciando a competição a seguir o mesmo caminho, o que resultou no Move e no Kinect.

Mas qual será a próxima inovação de interface interativa? O Nintendo 3DS, capaz de reproduzir efeitos tridimensionais que dispensam óculos especiais, está a caminho. A Nintendo também arriscou timidamente com o Vitality Sensor (em outras palavras: apresentaram na E3 2009 e mal mencionaram E3 do ano seguinte), um futuro acessório que medirá sua pressão e usará este dado para produzir mudanças no jogo.

Eu começo a pensar que este pode ser um rumo interessante para envolver o jogador no mundo virtual que ele habita. Borrar a linha que separa os dois, não através de gráficos realistas, mas talvez utilizando estímulos sutis do mundo real para criar manifestações no mundo do jogo.

Não é uma ideia completamente nova.  Em 2003, o jogo de Game Boy Advance “Boktai: The Sun Is in Your Hand” utilizava um sensor que detectava luz solar para carregar a arma do personagem principal.  O jogo de terror “Eternal Darkness” também borrava a linha entre a realidade e o virtual produzindo efeitos que simulavam o mal funcionamento da televisão, aumentando a imersão do jogador no ambiente de suspense que o jogo promovia.

E bem antes disso, o Psycho Mantis no “Metal Gear Solid” de PS1 exigia que você plugasse seu controle na outra entrada do console, para impedir que o vilão lesse sua mente e antecipasse seus movimentos. A insinuação, novamente, é que os eventos do jogo de alguma forma “escaparam” do console e afetam o mundo ao seu redor, destruindo a quarta parede e tornando o jogo mais real.

Outra forma interessante de criar um ambiente de imersão é a experiência interativa oferecida pelo app do filme “Inception”, ou “A Origem”. O app utiliza o acelerômetro, GPS e microfone do seu dispositivo iOS para capturar estímulos externos, como sons ou movimento, e criar uma experiência auditiva que segue a premissa do funcionamento dos sonhos de acordo com o filme. É difícil de descrever, mas o app é gratuito. Baixe e experimente por si mesmo. Sugestão minha: rode o app e vá para cozinha, mexa no microondas, ligue a torneira da pia etc, e imagine o quão interessante seria o futuro jogo baseado no filme caso aplicassem esse tipo de funcionalidade.

Pessoalmente, estou mais empolgado com jogos que utilizem esse tipo de interatividade, do que com a contagem de polígonos do próximo “Crysis” ou ficar pulando e agitando os braços feito louco na sala de estar. E você?

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@Skarabuz
Não é o que estou vendo. Procure direitinho suas fontes pois ele atinge sim o mítico "1080p". Graficamente os dois vgs são identicos, nunca ví nenhum "TOP GRAFICO KILLER" nem em um nem em outro. Se ouver diferença é temporária até um novo lançamento do concorrente. Fora que eu comprei justamente o XBox depois de desistir de ter só o PS3 por causa da infinita cara de pau da Sony de fazer downgrade gráfico dos lançamentos (Vide o primeiro motorstorm entre outros) e sempre ficar com esse papo de "Tem muito potencial a ser explorado" isso é papo. Todo o jogo que saí ele fica graficamente melhor simplesmente pelo fato dos algoritmos serem otimizados. Isso acontecia até na era 8Bits. E todo o lançamento exclusivo de PS3 eles falam que "Chegaram ao limite" é papo da Sony! Cansei dessa baboseira toda e vendi o meu e só fiquei com a caixa
Cleiton Duarte
Eu acho que o fato de vc "ficar pulando e agitando os braços no meio da sala de estar" contribui muito pra sua saúde... enquanto vc faz algo que tanto gosta, que é jogar VG. Tirando assim a associação de video game ao sedentarismo. O kinect vai transformar nerds em atletas.... kkkk
Darox
Muito bom texto, verdade pura.
Sarna
Tinha o monster rancher de ps1 em que vocÊ conseguia monstros colocando cds aleatorios no leitor. Lembro que na época revirei todos os cds de música, de computador ou jogos pra ter monstros diferentes.
Alexandre
xbox nao é fullHD, ele chega a 1080i que é full HD "miguelado". Sobre a renderizacao e fx em tempo real, concordo contigo, mas ainda há muito a ser explorado no PS3, logo logo isso fica comum. Cito o PS3 pois ele é o mais avancado e com poder de processamente muito subutilizado. eu tenho um xbox..
Hernani
Uma coisa que não consigo entender, é porque temos de escolher entre Crysis ou Jogabilidade ao extremo, veja, os jogos casuais fazem mais sucesso por sua jogabilidade ser facilitada, qualquer um pode jogar, será que não é possível ajuntar os dois? Para a realidade virtual eu gostaria muito de ver um ambiente bem próximo a realidade, me ajudaria a acreditar naquilo, alguém ai já viu o comercial do PS4 no youtube? Aquilo te deixa com uma pulga atras da orelha. Para mim, o melhor dos dois "mundos" será nossa próxima evolução
@rhobsonv
1080i < 720p ;) Mas nao é a resolução de um jogo que influencia na qualidade gráfica, e sim (de uma forma BEM básica) a contagem de polígonos.
@feeapple
Ótimo artigo e comentários interessantes também (:
FBanin
O grande pulo vai ser o videogame que nos transportara conscientemente para dentro do vídeo game... em uma espécie de Matrix....
@Fireballmaker_
Ainda há espaço para o update gráfico na próxima geração, pelo menos. Mas é bom que fiquemos mais perto da perfeição, assim posso gastar menos comprando hardware e mais comprando software. Minha esperança é que os portáteis (NDS, PSP, iOS e Android) evoluam bastante até ficarem próximos dos consoles de mesa. Aí, com a portabilidade, seria possível integrar as plataformas compatíveis. Imagina só poder jogar seus games favoritos num console portátil quase tão poderosos quanto suas versões maiores? Claro que isso é um sonho, não dá para pensar nisso com a cobertura 3G horrorosa que existe no Brasil.
@Fireballmaker_
Eu adoro meu PSP justamente por ele tentar ser um PS2 de bolso, este é o grande trunfo dele. Sobre os reflexos na tela, comprei uma película anti-reflexiva. Aliás, deveriam inventar algo semelhante para todas as telas de celulares e laptops.
kylefurtado
Adorei o artigo.
Guilherme Mac
Acabei de ver um vídeo do R-Zone e pelamordedeus! Q coisa horrível! =O Pior que o VirtualBoy
@brunogdb
Pior que isso eu vi não sei aonde um comentário de um blog de tecnologia e tinha lá, Internet Explorer, só que o 6!11ONZE!
@Skarabuz
Amigo, não falo ao fato de ser full hd... pois o XBox também é. O que eu digo, é uma renderização em tempo real com a mesma qualidade do filme Avatar. Com todos os efeitos de fluidos, físicos e atmosféricos.
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