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A história por trás do Kinect e do Move

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Lá em meados de 2006, quando ainda se usava o termo next gen para descrever os consoles atuais da Nintendo, Sony e Microsoft, ocorria pela internet afora uma guerra de consoles que quase fazia justiça à Grande Guerra 16 bits. Como veterano daquele conflito (e eu estava do lado vencedor – o SNES, naturalmente), há muito tempo eu não via tanto ódio e animosidade alimentada por preferências pessoais de um console sobre outro.

E a guerra por opção de consoles está prestes a se reacender nos grupos de discussão na internet com a chegada do Kinect e do Move, os periféricos do Xbox 360 e do Playstation 3 que os tornam capazes de reconhecimento de movimento de uma forma similar (embora mais sofisticada) ao Nintendo Wii.

Leia | Tudo sobre o Microsoft Kinect no Brasil

Nos aproximamos do fim do ciclo de vida previsto para os consoles – que costumava ser 5 ou 6 anos -, e não parece haver sinais de renovação de hardware no horizonte, o que é bastante peculiar. O Nintendo 64 foi exibido pela primeira vez ao público mais de 2 anos antes do seu lançamento, por exemplo. A essa altura, já deveria falar-se de um sucessor dos consoles atuais, mas o rumo agora é outro.

Isso acontece porque a tendência atual é remodelar um console (vide os diversos PSPs ou DSs por exemplo) ou oferecer add-ons que extendam sua vida útil. O principal motivo por trás disso é que os custos de desenvolvimento, produção e distribuição de consoles nunca foram tão altos. Para você ter uma ideia, 2010 foi o primeiro ano em que a Sony lucrou com o Playstation 3. Por quase 4 anos – ou seja, quase um ciclo de vida inteiro, ao menos como era definido antigamente -, a Sony perdeu dinheiro com o Playstation 3.

Paralelamente a isso, a métrica pela qual se costumava medir o sucesso de um jogo mudou de uns 10 anos para cá. Antigamente um jogo que vendesse algumas centenas de milhares de cópias significava um sucesso de público. Hoje em dia, espera-se que um jogo atinja pelo menos um milhão de vendas (e rápido, no primeiro mês ou perto disso), ou o custo de produção não é recuperado. Jogos atualmente exigem mais tempo, mais profissionais (e, consequentemente, mais dinheiro) para serem produzidos. Isso torna-os muito mais caros que um jogo da era 16-32 bits. E isso sem nem considerar  os ajustes inflacionários.

Até a vovó pode jogar

Considere o terceiro ponto. O Nintendo Wii era considerado uma grande piada do momento que foi anunciado (passando pelo dia em que abandonou o “Revolution” em prol de um nome que faz referência, em inglês, a urina), até a manhã do dia em que o console foi à venda na América do Norte. O Wii vendeu mais de meio milhão de unidades nos Estados Unidos na primeira semana de lançamento. Em contrapartida, o Xbox 360 vendeu apenas 200 mil unidades no primeiro mês de lançamento no mesmo mercado.

O interesse do público pelo Wii revelou que o mercado não-gamer tinha um grande interesse por jogos casuais. O público hardcore torcia o nariz e debatia em fóruns até ser temporariamente bloqueado por excesso de mensagens (isso quando não era banido por causa do teor mais agressivo das discussões), mas o povão em geral falava mais alto. E com suas carteiras.

Iniciou-se a era do gamer casual, conforme claramente definido nos comerciais do Wii: a vovó, a mamãe, a irmãzinha mais nova. Em suma, gente que não se interessava em videogame. E todos, notem, em situações sociais. Não é coincidência que os comerciais do Kinect e do Move tentam capturar a mesma atmosfera. Eles estão sendo oferecidos para o mesmo público.

Todos esses fatores – a necessidade de um período de vida mais longo, de expandir o potencial de venda de games, e o surgimento de uma nova classe de gamers casuais/sociais – culminaram no surgimento do Kinect e do Move.

Tanto o Kinect e o Move têm como objetivo expandir o ciclo de vida dos seus consoles (embora especialistas na área duvidem que dará muito certo) e atingir um público casual que era até então quase exclusivo do Wii. A consequência disso, teoricamente, seria um visível aumento nas vendas de software.

Particularmente, ainda estou em cima do muro sobre com relação ao Kinect e ao Move. O Kinect ainda está na fase do “só acredito vendo” para mim. Só acredito que ele funciona tão bem quanto prometido e que esse tipo de jogabilidade permanecerá divertida após os 5 minutos iniciais quando tiver a chance de experimentar por mim mesmo.

PS Move: cópia do Wii

Já o Move é tão similar ao Wii que chega a causar constrangimento. Ambas a Microsoft e a Sony visivelmente queriam um pedaço do mercado casual, mas a Microsoft ao menos teve a decência de tentar se diferenciar na competição.

E a questão é: tal estratégia dará certo? Tenho minhas dúvidas. Alguém que se interesse no Kinect ou no Move precisará ter um Xbox 360 ou um PS3 na sua sala, o que restringe um pouco o apelo realmente casual dos aparelhos (o Wii era mais simples e mais barato, certamente sua popularidade se devia em boa parte a isso), e também não fará grande diferença no quesito “atingir novo público”.

Mas não acho que será um grande fracasso que rivalize as grandes pisadas de bola do mundo dos games. Não chegará à infâmia do Virtual Boy, por exemplo.

Se eu fosse um homem de apostas, diria que as chances são altas de que o ciclo de vida renovado esperado pela Microsoft e Sony não chegará nem na metade do planejado, e eles se verão de volta à prancheta.

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Germano
Tinha um Wii, mas vendí e comprei um xbox... q em 1 mês joguei mais q o ano todo q passei com o wii. Senti muita falta de jogos como Call of Duty e Halo. Um amigo comprou um kinect e sempre juntamos uma galera pra jogar, é muito legal porém é legal pra jogar com outras pessoas... não me imagina chegando em casa a noite depois do trabalho e jogando sozinho no kinect. Comprei meu xbox pra jogar jogo de Macho! de meter bala e explodir as coisas! e principalmente, pra jogar na live.
Jonatas
Ótimo ponto de vista, porém não podemos esquecer dos jogos. Acredito que são eles que garantirão a paridade do consumo entre os 3 consoles. Sendo a Nintendo um caso à parte, tendo em vista os fãs de Mário e afins e, por exemplo, o lançamento que fez alguns grupos chorarem (tanto por felicidade quanto por medo de ver o assassinato de um verdadeiro clássico, como foi no N64) é o relançamento do Donkey Kong Country. Já a Sony e a Microsoft tem clássicos imbatíveis que fazem o público 'hardcore' comprar ambos, mesmo no modo Kinect ou Move.
Adrimar
Eu adiquiri um ps3 no último més, logicamente, comprado nos EUA, o preço no Brasil é impeditivo. Ele já veio com o Move e devo dizer que é uma maneira muito interessante de divertimento. Os gráficos são melhores do que os do WII e a facilidade de usar apenas um controle para os movimentos me parece melhor também. Entretanto, alguns jogos necessitam de dois controles, o comum e o de movimento e isso é uma bola fora do jogo. Eu não sou um jogador muito ávido e por isso fiquei bastante satisfeito com a aquisição, prinicipalmente pelo fato de o console ser um blue-ray player e também ter tecnologia 3D, que fazem grande diferença.
@caiokg
Desculpa amigo, mas onde você olhou isso?! Paguei R$ 950,00 no PS3 slim, meu irmão pagou R$ 850,00 no Xbox 360 e o wii continua na média de preço, sem contar que os jogos originais de wii estão na média de preço dos outros consoles.
bryan
cof #sonymaníaco# cof
Hernani
Esse papo furado de máquina de xerox, é conversinha de fanboy, dizer que copia tudp é rídiculo amigo ;)
anderson rr
na verdade move é uma cópia do controle da nintendo sim, como sempre a sony é uma máquina de xerox, a sony não tem suas proprias idéias só copia mesmo e acho que não vai muito longe, ja o kinect é interessante, algo novo mais tbém não vai pra frente tbém o nintendo wii é o vencedor não tem como alcançar mais, a nintendo revolucionou e ela merece esse status de melhor produtora de games do planeta.
kylefurtado
Amei o artigo.
Hernani
Excelente post Izzy. É de conhecimento de todos que o lançamento do Move e Kinect(antigo Natal) é justamente tentando pegar uma parte dessa imensa fatia de jogadores casuais, sacada que a Nintendo teve lá atrás, e já tem quase todo esse mercado. Tenho PS3, sou gamer hardcore, e comprei o Move para tirar minhas conclusões, não fiquei com ele 1 semana, por mais que a jogabilidade fique diferenciada, se "balançar" na frente da tv não é muito o foco de gamers do XBOX e PS3. Logo, acredito que nessa geração esses acessórios não irão muito longe do seu hype de lançamento. Mas o passo que a Microsoft deu é muito mais importante, porque nos leva mais próximos da tão desejada, realidade virtual. Obs: Já existem comerciais do PS4 no Youtube
Guilherme Costa
Gostei do artigo, mas discordo de vários pontos dele. A idéia da discussão sobre o tempo de vida dos consoles atuais realmente deverá ser revista em breve, até porque a evolução dos processamentos gráficos e centrais nos computadores comuns também chegou numa barreira que nem mais a lei de Moore é respeitada (aquela que dita que o poder de processamento dobra a cada ano). Logo, esses consoles atuais podem ter uma vida útil maior, de 8 ou talvez 10 anos. E lançar acessórios que utilizem sistemas atuais pode sim expandir essa vida útil, nem que seja por 3 ou 4 anos. Afirmar que o Move é uma cópia do Wii é exagero. É claro, é uma cópia do conceito, de utilizar mapeamento de movimentos como forma de controle, mas a semelhança para por aí. Tenho o Wii e o PS3, e tive a oportunidade de testar o Move, e posso garantir que o Move é muito mais profundo do que o Wii. Pegue os jogos de tênis de ambos, e você vai reparar que balançar o braço no Wii é mais do que suficiente para jogar, enquanto que no Move sua movimentação e sua posição importam pro jogo. E aí sim você estará jogando tênis. Muito dessa diferença se deve à forma com que tal mapeamento é feito, e a imersão dentro de cada jogo é infinitamente superior no Move, e com gráficos que realmente estão de acordo com a média dos jogos do PS3. Quanto ao Kinect, alguma coisa me deixa frustrado, como por exemplo jogos de corrida. Vou acelerar e frear com meu pedal imaginário, ou o jogo fará isso sozinho? Se fizer, não iremos perder parte do desafio de uma corrida? No fim das contas eu torço que estes novos acessórios realmente chamem a atenção de gamers hardcore ou casuais, porque aí a concorrência se tornará real. E assim, todos saem ganhando.
Raphael
Também acho que os dois falharão em conseguir uma massa crítica pra até mesmo serem considerados competidores do Wii. Vão se tornar um pequeno nicho. O único jeito de conseguir um sucesso como o Wii é repensando toda a interface com o videogame do zero e integrando essa solução desde o ínício, só assim os 2 fatores necessários ocorrem, a viabilidade comercial, já que todos possuem o mesmo hardware você maximiza o mercado potencial do seu jogo e as novas capacidades e exoticidade da interface que atiçam a criatividade dos desenvolvedores. Não usei o kinectic ainda mais já usei o Move e acho que vai ser preciso e cômodo o suficiente pra jogar FPSes. Só resta os jogos suportarem. PS: Feliz aniversário Izzy. :D
Izzy Nobre
Respondi pelo visualizador web (acho que é assim que se chama) do Echofon, meu cliente do twitter.
@guilherme_holz
Tracking precisa de uma câmera, o Wii não funciona com tracking, ele não tem noção de profundidade e rotação no eixo y, eu não estou falando da boca pra fora esta na documentação das plataformas.
Eduardo Gordo
Eu sou nerd gordo. Quero jogar videogame sentado, sem muitos movimentos além dos olhos.... ;-)
@tduarte
Que navegador é esse do seu iPhone, Kid?
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