iAd, a plataforma de publicidade da Apple para o iPhone OS (Reprodução/Gdgt)

“Temos vários aplicativos gratuitos. Nós gostamos disso e os usuários gostam disso, mas os desenvolvedores têm que achar uma maneira de fazer dinheiro, e nós gostaríamos de os ajudar.” Assim Steve Jobs apresentou hoje a plataforma de publicidade móvel para iPhone OS chamada (sem surpresa alguma) iAd. Ela será parte integrante do iPhone OS 4 que chegará no meio do ano. Mais do que isso, ela será totalmente integrada ao sistema operacional de forma nunca antes vista. E, é claro, será administrada pela própria Apple.

Os anúncios serão como pequenos apps dentro do próprio app. Tocando-se no banner publicitário, se abre uma página por cima da tela que pode conter grande interatividade. Na demonstração de hoje, Jobs mostrou um iAd do filme Toy Story 3 que continha até vídeos e jogos. O objetivo, segundo o executivo, é trazer “emoção e interatividade” aos anúncios.

Como a plataforma de publicidade será parte integrante do sistema operacional, será possível tomar proveito de funcionalidades bastante específicas do iPhone (como por exemplo agitar o iPhone para fazer alguma ação dentro do iAd), além da possibilidade de vender apps dentro da própria propaganda. E como tudo é integrado ao sistema, tudo isso é feito sem que se saia do aplicativo, o que é uma grande diferença em relação ao que se tem hoje.

“As pessoas não clicam em publicidade porque são arrancadas do seu aplicativo. Pelo iAd estar no próprio OS, nós conseguimos colocar conteúdo interativo e vídeo sem nunca te tirar do aplicativo,” disse Jobs na apresentação hoje.

“Porque é tão diferente? Esses apps de 185k não existem em computadores. Eles são um novo fenômeno, esta é a primeira vez que esse tipo de coisa existe. Nós nunca tivemos isso no desktop, então busca era a única maneira de achar muita coisa,” disse Steve Jobs na sessão de perguntas e respostas com jornalistas, ao fim do evento.

Os iAds serão hospedados e gerenciados/posicionados pela própria Apple. Diferente do modelo praticado atualmente com aplicativos da App Store (70-30), nos iAds 60% da receita ficará com o desenvolvedor e 40% vai para a conta da empresa da maçã. Aparentemente, a divisão 60-40 é mais condizente com o que se pratica atualmente no mercado de publicidade.

O que Steve Jobs não disse explicitamente no anúncio (mas deu a enteder na sessão de perguntas e respostas com jornalistas) foi que o anúncio do iAd é mais um tapa na cara do Google pela Apple — as duas empresas já não se entendem como antes há tempos. A líder atual do mercado de publicidade móvel é a AdMob, que foi comprada pelo Google em novembro do ano passado. Perguntado a esse respeito durante a sessão de perguntas e respostas, Jobs comentou:

“Nós tentamos comprar a AdMob, mas o Google a tomou porque não queria que nós a tivéssemos, então nós compramos outra empresa menor, a Quattro,” disse Jobs.

Em uma grande ironia do destino, enquanto a Apple está lançando sua plataforma iAd, o Google ainda tem sua aquisição da AdMob atravancada enquanto não recebe a aprovação da Comissão Federal de Comércio americana (FTC).

E só para terminar a sessão de alfinetadas em recentes desafetos, a Apple manda mais uma: todos os iAds e seu conteúdo rico são feitos integralmente em HTML5. Adobe, essa foi pra você.