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Taxistas protestam contra Uber em SP com barricada e depredação de carro

Grupo de motoristas responde a decreto de Haddad que autoriza funcionamento do Uber na cidade

Paulo Higa

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Os taxistas protestaram nas ruas de São Paulo em resposta ao decreto do prefeito Fernando Haddad que regulamenta os serviços de transporte por aplicativos, como o Uber. Na tarde de terça-feira (10), um grupo de taxistas depredou um carro particular que passava no Corredor Norte-Sul, uma das principais vias expressas da capital. A região amanheceu bloqueada por uma cerca de pneus em chamas.

O veículo que transitava no Corredor Norte-Sul, mais especificamente na Avenida 23 de Maio, era um Corsa Hatch na cor preta. Não é possível saber se o motorista dentro do veículo fazia parte do Uber. Ao tentar furar o bloqueio, o carro foi cercado por um grupo de taxistas e depredado a chutes e socos. O ato foi transmitido ao vivo pela Globo News (assista a partir de 5min28s):

No vídeo, um carro preto é impedido de passar na via, no sentido aeroporto, entre um ônibus e um conjunto de táxis estacionados no local. O veículo tem a lataria amassada e os vidros quebrados pelos manifestantes; também é possível notar peças do automóvel se desprendendo. Após fugir da confusão, o carro passa em frente a quatro policiais militares, que apenas observam o veículo.

Na manhã desta quarta-feira (11), o sentido aeroporto do Corredor Norte-Sul, na saída do Viaduto Anhangabaú, estava interditado por um grupo de taxistas que montaram uma barricada e atearam fogo em pneus, por volta das 6h, como mostrado pelo Bom Dia São Paulo. A pista foi liberada às 7h, quando policiais apagaram o fogo, agentes da CET retiraram os pneus da pista e quatro taxistas foram presos.

Pneus em chamadas embaixo do Túnel Anhangabaú (Foto: TV Globo)

Pneus em chamadas embaixo do Túnel Anhangabaú (Foto: TV Globo)

Na noite de terça-feira (10), taxistas queimaram pneus na Marginal Tietê (Foto: Estadão)

Na noite de terça-feira (10), taxistas queimaram pneus na Marginal Tietê (Foto: Estadão)

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores das Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxi), Antônio Matias, pediu na noite de terça-feira (10) que os colegas levassem pneus à Prefeitura de São Paulo. Ao Estadão, o sindicalista afirmou que queria “fazer uma fogueira”, porque estava frio na cidade — naquele momento, a temperatura era de 20ºC. Em janeiro, ele foi intimado pela polícia após publicar um vídeo no Facebook em que criticava Haddad e fazia ameaças: “Chega de palhaçada nessa cidade, agora é cacete”, disse.

Os aplicativos de transporte individual privado, como o Uber, foram liberados em São Paulo por meio de decreto do prefeito. As empresas que prestam o serviço precisarão comprar créditos de quilômetros, com valor médio de R$ 0,10 por km, para trafegar na cidade. Haddad foi contra os interesses da Câmara Municipal, que havia aprovado em junho de 2015 um projeto de lei proibindo a atividade do Uber na capital, posteriormente arquivado.

Atualização às 19h44. Em entrevista à TV Globo, o motorista que teve o carro depredado, o enfermeiro Jorge Carlos Ferreira Santos, disse que avançou contra os taxistas para não morrer. Ele alega que passou por cima de um galho colocado na pista, quando foi abordado por um taxista que achou que Santos trabalhava para o Uber. A partir daí, iniciou-se a confusão. Naquele momento, o enfermeiro estava a caminho do trabalho, no Hospital São Paulo.