Na primeira olhada, parece um brinquedo ou um acessório esportivo, mas a luva da ilustração abaixo tem um fim bem mais nobre: ajudar pessoas que sofrem da doença de Parkinson a combaterem os tão limitadores tremores de mão. O acessório ainda não está pronto, mas já tem nome comercial: GyroGlove.

GyroGlove

A doença de Parkinson é uma enfermidade degenerativa do sistema nervoso que tem entre as suas principais manifestações rigidez de músculos (principalmente daqueles próximos a articulações), instabilidade postural (gerando dificuldades de equilíbrio), lentidão de movimentos e os tão conhecidos tremores. A doença pode afetar pessoas mais novas, mas se manifesta com mais frequência em indivíduos com mais de 60 anos, razão pela qual é tida como uma enfermidade típica da terceira idade.

Os sintomas motores costumam ser, como você deve ter imaginado, todos bastante debilitantes, especialmente nos estágios mais avançados da doença. Mas os tremores são, na maioria das vezes, a manifestação que mais traz limitações ao indivíduo que sofre de Parkinson.

Foi isso o que Faii Ong percebeu quando estudava medicina. Há cerca de dois anos, ele cuidava de uma paciente com 103 anos de idade que tinha dificuldades para tomar sopa: os tremores das mãos causados pelo Parkinson tornavam essa tarefa simples em um grande desafio para a idosa.

Na ocasião, Ong chegou a procurar uma enfermeira para saber se havia alguma coisa que pudesse ajudar a senhora, mas ficou frustrado quando a mulher respondeu que nada poderia ser feito. Inconformado, o estudante de medicina tratou de buscar uma solução capaz de ao menos aliviar os transtornos causados pela doença de Parkinson. Foi aí que surgiu a GyroGlove.

Inicialmente, Ong considerou vários componentes diferentes para criar o dispositivo: molas, sistemas hidráulicos, mecanismos robóticos, entre outros. Porém, sempre havia algum problema: a ideia simplesmente não funcionava nos testes, os custos eram inviáveis e assim por diante. Até que, inspirado em um brinquedo, Ong teve a ideia de usar um giroscópio mecânico sobre uma luva.

Esse tipo de dispositivo, explica Faii Ong, funciona como um pião, ou seja, “sempre tenta se manter erguido conservando o movimento angular”. Foi daí que o agora médico teve a ideia de usar um giroscópio para criar uma resistência instantânea e proporcional aos movimentos de uma mão com tremores. É como se, com o seu movimento, o giroscópio executasse um processo de compensação, atenuando os efeitos do tremor.

O projeto, feito com o apoio de engenheiros e outros profissionais, é de fácil compreensão: o giroscópio fica posicionado na parte superior da luva (dorso) e, na versão final, deve ficar protegido por um compartimento plástico que também esconde a bateria. Quando o usuário realiza movimentos, o giroscópio entre em ação para criar resistência ao tremor. A intensidade e a orientação dos movimentos são controladas por um pequeno circuito.

Um dos protótipos do projeto

Um dos protótipos do projeto (giroscópios menores serão usados na versão final)

Testes com protótipos mais recentes estão trazendo resultados bastante favoráveis. Há pacientes que estão conseguindo reduzir os efeitos dos tremores em até 90%. Com a regulagem certa para cada pessoa e o aperfeiçoamento da luva, é de se esperar que resultados ainda mais interessantes sejam alcançáveis em pouco tempo.

Pacientes que usam a luva poderão recuperar uma série de atividades rotineiras que foram comprometidas pelo avanço da doença: escrever, cozinhar, tomar sopa, ler livros, usar o telefone, abrir embalagens, etc.

Há alguns detalhes a serem acertados (inclusive o design final), mas Ong espera que a GyroGlove seja lançada até setembro. O melhor é que o acessório não deverá custar muito: algo entre US$ 550 e US$ 850. Ok, também não é barato, mas talvez o preço fique mais acessível à medida que o produto se populariza.

Vale lembrar que a GyroGlove não é o único produto que tenta trazer um pouco de qualidade de vida para quem sofre da doença de Parkinson: outro projeto de destaque é a Arc Pen, uma caneta especial que detecta os movimentos involuntários da mão e responde com vibrações na mesma medida para tornar a atividade de escrita o mais estável possível.

Com informações: MIT Technology Review, Alphr

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Anayran Pinheiro
Lembrou uma adaptação que fizeram de um estabilizador de lentes em uma colher, mas sem dúvidas essa luva será bem mais útil!
Supersonic
Bem legal.