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Ameaça ao YouTube? Facebook atinge 8 bilhões de visualizações de vídeos por dia

Com tanta audiência nos vídeos, o Facebook consegue construir uma plataforma sólida?

Jean Prado

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Na quarta-feira (4), o Facebook anunciou alguns números impressionantes. O número de usuários ativos mensalmente na rede social chegou a 1,55 bilhão, um crescimento de 14% em relação ao mês anterior, sendo que pelo menos 1 bilhão de pessoas entram na rede social todos os dias. É muita gente ― aproximadamente metade do público que tem acesso à internet.

Seus serviços também cresceram: em três meses, o Instagram e o WhatsApp ganharam 100 milhões de usuários, passando para 400 milhões e 900 milhões, respectivamente. No entanto, outro número se destaca: as 8 bilhões de “visualizações” diárias que os vídeos publicados no Facebook recebem. Não é um número a se desprezar. Mas será que é tudo isso mesmo?

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Isso depende do que você considera uma visualização. Para o Facebook, se alguém ficou mais de três segundos em um vídeo, já é um view a se contar. O YouTube é mais rigoroso: o usuário precisa ficar 30 segundos assistindo ao vídeo para contar uma visualização. Considerando que o Facebook também ativa a opção de autoplay por padrão, qualquer rolagem pela timeline pode registrar um view a mais ― e isso é importante para os anunciantes.

Não sei você, mas a minha timeline está cada vez mais recheada de vídeos, publicados por páginas de notícias, empresas e amigos. O algorítmo do Facebook passou a mostrar mais desse conteúdo, o que incentiva as páginas a publicarem (e anunciarem) mais vídeos para aumentar seu alcance orgânico.

É importante frisar que 65% das visualizações desses vídeos acontecem no celular ― que também tem autoplay. Uma marca pode, por exemplo, anunciar seu aplicativo com um vídeo de divulgação e esse conteúdo aparecer logo no começo da timeline (isso acontece frequentemente no meu feed). Sem dúvida, chama mais atenção que uma foto, e para os pagantes pode ser muito mais vantajoso que anunciar no YouTube.

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Usando a força que sua timeline tem, de levar mais ou menos tráfego significativo para sites que dependem da rede social para ter audiência, o Facebook percebeu como pode pegar uma grande fatia do mercado de vídeos patrocinados. Seja um trailer de um filme, jogo, aplicativo ou até um comercial de televisão, pagando o suficiente, o alcance é enorme. No caso dos vídeos, há o bônus do conteúdo chamar mais atenção (o autoplay também ajuda).

Entretanto, o YouTube continua referência para os produtores de conteúdo. Ainda que alguns publiquem os vídeos também no Facebook, a rede social ainda não consolidou a sua plataforma de vídeos. Muitos criadores tiveram problema com o freebooting, situação em que o vídeo com copyright era retirado de outra plataforma e enviado para o Facebook por outra pessoa, infringindo os direitos autorais.

Ainda assim, até antes de chegar a 8 bilhões de “visualizações” diárias, o Facebook começou a se mobilizar. Desde analisar como os usuários se comportam assistindo a um vídeo até criar um sistema de compartilhamento de receita proveniente dos vídeos com os criadores de conteúdo, a rede social continua mostrando que tem potencial para desenvolver uma plataforma mais sólida.

Há pouco menos de um mês, o Facebook começou a testar novos formatos de vídeo no iOS. Ao rolar pela timeline e ver um vídeo ― já tocando ―, o usuário pode ver vídeos relacionados deslizando para baixo. Se você está assistindo a uma receita de cheesecake, o Facebook pode te mostrar como fazer brownies em seguida. E o melhor: também é possível navegar pela timeline ao assistir a um vídeo.

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Com uma aba dedicada aos vídeos, a rede social também pretende apresentar mais conteúdo relevante aos usuários, seja ele compartilhado por páginas, curtido por amigos ou até mesmo selecionado pelo próprio algorítmo do Facebook. A rede social também afirmou estar trabalhando com produtores de conteúdo para criar ferramentas de gerenciamento dos vídeos.

Então não deve demorar muito para o Facebook consolidar um conteúdo de alta qualidade em vídeo. “Há uma certa classe de conteúdo que só virá para o Facebook se houver uma forma de compensar os produtores de conteúdo por isso”, sinalizou Mark Zuckerberg, CEO da rede social, no anúncio dos lucros do terceiro trimestre.

No entanto, o compartilhamento da receita se limitaria aos vídeos sugeridos, e não aos que foram publicados diretamente no feed de notícias. Seria como uma seção exclusiva construída por um algorítmo de vídeos semelhantes e anúncios, como explicou o Re/code. A divisão da receita seria baseada em quanto tempo do vídeo você assistiu, ficando 55% com o criador e 45% para o Facebook.

De qualquer forma, será um desafio para a rede social conseguir tanta relevância no mercado de vídeos como o YouTube. O Facebook tem meio bilhão de usuários a mais e as 8 bilhões de “visualizações” são impressionantes, mas ele ainda não é uma grande ameaça. Talvez em um futuro não tão distante.

O que você acha? O Facebook pode construir uma plataforma de vídeos, com os criadores, tão sólida quanto a do YouTube?

Com informações: Re/code, TechCrunch.