O tribunal islâmico da cidade nigeriana de Kaduna proibiu que grupos de defesa das liberdades civis locais utilizem ferramentas como o Twitter e o Facebook para se comunicar. Tremendamente ligado aos antigos costumes, a punição para os que ousarem descumprir a ordem é nada menos do que a amputação de membros.

A decisão foi tomada depois que grupos conservadores pró-Sharia (“o caminho”, ou um guia de conduta moral que deve ser adotado por um fiel da fé islâmica) argumentaram que organizações progressistas poderiam usar a tecnologia para “conspirar” contra os tradicionalistas e “corromper” a sociedade. O Grupo de Defesa das Liberdades Civis da Nigéria, um dos mais afetados com a nova determinação, afirmou à rede BBC que irá recorrer do veredicto.

“A ordem dada é que se impeça e proíba a criação de fóruns de discussão no Facebook , Twitter ou blog para se debater a amputação de Malam Buba Bello Jangebe”, afirmou o juiz responsável pelo caso, citando o caso do primeiro homem a ser condenado por um tribunal islâmico do país. Em 2000 Jangebe perdeu a mão direita depois de ter sido culpado pelo roubo de uma vaca.

Os tribunais islâmicos são muto comuns na Nigéria, e apesar de normalmente se limitarem a cuidar de questões domésticas como casamentos e divórcios, seus juízes têm o podem de condenar pessoas a amputações ou mortes por apedrejamento, por exemplo, mas raramente essas condenações são levadas adiante. Atualmente a Sharia está em vigor em 12 dos 36 estados do país e os cidadãos podem escolher sob que sistema gostariam de viver.

De qualquer maneira, enquanto o Google reclama que o governo chinês supostamente tenha promovido a invasão das contas de e-mail de dois ativistas dos direitos humanos, outros lugares da Terra nos mostram que a coisa sempre tem um imenso potencial para piorar.