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Como um aparelho de R$ 160 está ajudando a burlar a censura do governo da Coreia do Norte

Paulo Higa

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notetel

Nós sabemos muito pouco a respeito da Coreia do Norte. Os norte-coreanos não sabem quase nada sobre o resto do mundo. Mas isso está mudando aos poucos, graças a um pequeno dispositivo de R$ 160 que está fazendo o maior sucesso do outro lado do mundo: trata-se do notel, um pequeno player de mídia portátil que permite aos cidadãos consumirem músicas, filmes e novelas de outros países, uma atividade proibida pelo governo ditatorial de Kim Jong-un.

A Reuters, que publicou os detalhes do notel (ou notetel), explica que o nome vem da junção de duas palavras: notebook e televisão. Simplificando, o gadget é um player de DVD portátil que possui porta USB, leitor de cartão de memória e sintonizadores de TV e rádio. Como a energia elétrica é escassa na Coreia do Norte, é possível fazer uma gambiarra, recarregando o aparelho com uma bateria de automóvel.

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O dispositivo é vendido no mercado negro da Coreia do Norte por 300 yuans chineses, o equivalente a R$ 156. Ele também pode ser encontrado em lojas estatais, porque foi legalizado pelo governo no ano passado. O problema com isso é que os norte-coreanos agora precisam registrar seus “notéis”, para permitir que as autoridades tenham noção de quem pode estar assistindo ao que não deveria.

Obviamente, o “jeitinho“ também existe na Coreia do Norte, e a população está conseguindo assistir facilmente a noticiários de outros países, filmes de Hollywood, música pop e novelas da Coreia do Sul. Tudo isso é proibido pelo governo, porque essas informações externas são filtradas a fim de evitar o enfraquecimento do regime. Mas como os norte-coreanos têm acesso a isso?

Simples: os norte-coreanos estão compartilhando conteúdos proibidos (como uma novela da Coreia do Sul) por meio de pendrives, que são minúsculos o suficiente para serem escondidos. Os pendrives com conteúdo não autorizado são plugados no notel; dentro do dispositivo, fica um DVD qualquer com conteúdo aprovado pelo governo norte-coreano. Se alguma autoridade bater na porta, é só arrancar o pendrive — dentro do notel, só haverá um DVD legal.

Kim não está feliz

Kim não está feliz

Embora a população norte-coreana seja pobre e ganhe pouco dinheiro, um contrabandista afirma ter atravessado ilegalmente 18 mil notéis de fabricação chinesa para a Coreia do Norte no ano passado. É uma pequena solução para fugir da censura num país que possui poucos computadores que só acessam uma intranet limitada e 2,5 milhões de celulares que não podem fazer nenhuma ligação para fora do país.