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CEO da BlackBerry quer que desenvolvedores lancem seus aplicativos em todas as plataformas

Lucas Braga

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Não é novidade: os smartphones da BlackBerry perdem feio quando o assunto é disponibilidade de aplicativos. Como a participação da plataforma é pequena perto do Android e do iOS, é comum desenvolvedores priorizarem estes sistemas. Em uma aparente tentativa de reverter o jogo, o CEO da BlackBerry John Chen enviou uma carta à FCC (equivalente da Anatel nos Estados Unidos) alegando que não disponibilizar um app em todas as plataformas fere a neutralidade da rede – ou o entendimento que se tem dela.

Para quem não conhece, este princípio assegura que conteúdos sejam tratados da mesma forma em um aspecto de rede. Assim, uma operadora não poderia fornecer velocidades mais rápidas para o seu próprio serviço de vídeos, por exemplo, uma vez que tal prática a priorizaria em relação aos concorrentes.

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Veja um trecho da carta de Chen (em tradução livre):

Infelizmente, nem todos os fornecedores de conteúdo e aplicativos têm abraçado a neutralidade da rede. Ao contrário da BlackBerry, que permite que usuários de iPhone baixem e utilizem o serviço de mensagens BBM, a Apple não admite que usuários de Android e BlackBerry baixem um software que possibilite o uso do iMessage. A Netflix, que defendeu vigorosamente a neutralidade da rede, discrimina os usuários de BlackBerry ao se recusar a criar um app para a plataforma.

Da mesma forma, muitos desenvolvedores de aplicativos oferecem seus serviços apenas para usuários de iPhone e Android. Esta dinâmica criou um ecossistema de banda larga sem fio de duas camadas onde usuários de iPhone e Android podem acessar muito mais conteúdos e aplicações do que utilizadores de outros sistemas operacionais. Esta é, precisamente, uma forma de discriminação que os defensores da neutralidade de rede criticam nas operadoras. Portanto, se queremos uma internet realmente livre, a neutralidade de rede deve ser mantida tanto na camada de aplicações como na camada de conteúdo.

Estas colocações não fazem sentido, uma vez que a neutralidade da rede nada tem a ver com a disponibilidade de conteúdo nas lojas de aplicativos. O que Chen parece defender é, basicamente, que os desenvolvedores lancem seus apps em todas as plataformas móveis possíveis, mesmo naquelas que eles consideram inviáveis.

Por mais que a argumentação soe inconsistente, é curioso ver a BlackBerry se baseando na neutralidade da rede. No passado, a empresa “forçava” operadoras móveis a oferecerem planos de dados exclusivos (BIS e BES) para quem quisesse usar internet em seu smartphone.

Em muitos destes planos não havia sequer serviço completo de acesso, apenas conta de email, BBM e uso de meia dúzia de redes sociais. Com a nova plataforma BlackBerry 10, a exigência de um plano específico acabou, permitindo que o usuário contrate o pacote de dados que desejar.