Nomeado ministro da Educação no último dia 2, Cid Gomes planeja trazer o Exame Nacional do Ensino Médio para o século XXI. Em uma entrevista dada à Folha, o ministro disse que pretende fazer do Enem uma prova totalmente online, com questões mais variadas e mais dias de aplicação.

Funcionaria da seguinte maneira: durante um período determinado de dias no ano, o estudante se deslocaria até um local credenciado (Universidades Federais e outras instituições de ensino público) e, usando um computador do local, faria a prova. Esta prova seria única para cada aluno, já que as questões seriam escolhidas a partir de um banco de dados com milhares delas.

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Para entrar numa instituição de ensino superior, ela determinaria que tipo de prova o estudante precisa fazer, seja com foco em exatas, humanas ou áreas específicas. O estudante também poderá fazer quantas edições do exame que quiser, graças ao período estendido de dias em que o Enem poderia ser feito.

O banco de dados, por sinal, seria público e teria com milhares de questões de todas as áreas. Como as perguntas são escolhidas aleatoriamente, não faria sentido para um aluno decorar todas as questões, o que garante um bom resultado para aqueles que estudaram. Os empecilhos para a execução desse projeto são vários: é necessário criar esse banco de questões que ainda não existe e, talvez mais importante, garantir a segurança e confiabilidade da rede onde os estudantes farão a prova.

Além de transformar o Enem em uma prova online, Cid Gomes também quer ampliar a quantidade de vezes em que o exame é aplicado no ano. Um projeto do governo federal com esse objetivo já havia sido proposto no passado, mas acabou engavetado. A mudança do Enem ainda não tem data para ser efetuada, mas Gomes diz que planeja executá-la enquanto estiver atuando como ministro.

Se conseguir, Cid Gomes vai fazer um merecido upgrade no nosso sistema de ensino público. E com ele, resolver também o problema dos atrasos de estudantes para fazer a prova e ao mesmo tempo economizar milhares de árvores que virariam os grossos cadernos do exame – atualmente cerca de 6 milhões de estudantes brasileiros fazem o Enem todo ano, é papel demais.

Crédito da imagem: Wilson Dias/Abr.

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s3ph1r
Estou respondendo 5 meses após a notícia.. estava ocupado.. mas enfim... Você comparou laranjas com melões... nada a ver.. Um prédio obrigatoriamente precisa da base para ser construído... mas mesmo assim pode ter melhorias no seu meio sem afetar a base.. por que não? Mas enfim.. o atual sistema básico de educação é ruim, todos sabemos.. mas seria possível sim melhorar educação superior sem antes passar pela básica.. Se a educação básica fosse excelente seria melhor? claro! É obrigatório primeiro melhorar a educação fundamental para só então buscar melhoria no ensino superior? depende, mas não necessariamente. Será que todo mundo tem que esperar melhorar em 1 coisa apenas para só então passar para a próxima? claro que não.
Tiago Souza
Cara isso é piada , Ministro mal assume o poder e já quer fazer merda, mas isso é Brasil pessoal só reclama e não age. Com Enem online ja vai ter vaga garantido a muitos. Brasil país onde ganância predomina
Willen Silva
Por um lado resolve o problema de retardatários nas provas, mas por outro, banaliza o ENEM uma prova que era tão séria, se chegar a esse ponto não será tão séria assim, pois rolará muita fraude, muitas pessoas tirando 1000, se na prova física infelizmente rola às vezes, imagina na virtual.
Higo Ferreira
Sim, é inviável computar os dados das respostas na mão. As grandes instituições usam leitora automática do cartão há uns 15 anos pelo menos. A questão é que o cartão resposta consiste em uma prova física do que o candidato realmente marcou nas questões. Com a prova totalmente online, fica difícil provar que vc marcou a letra A, e não a letra D numa questão...
josenildosky
acho uma pessima ideia...pense em quem tem fotofobia...passar duas ou três horas em frente a um computador refletindo a luz nos olhos
Vinicius Gonçalves
Eu não acredito ser uma boa proposta pelos seguintes motivos: 1 - Como seria garantida a infra estrutura para realização de provas nas cidades afastadas dos grandes centros? 2 - Quem vai garantir a confiabilidade e a segurança do processo? Praticamente todos os anos o ENEM, da forma que ele é hoje, tem algum problema. Informatiza-lo dessa forma fará com a que a confiabilidade das provas caia ainda mais, vide a urna eletrônica que até hoje levanta suspeitas das pessoas (lembrando que isso é minha opinião). 3 - E quanto ao problema da quantidade de papel, basta aplicar um sistema de devolução dos cadernos de questões para que possam ser reciclados e usados no ano seguinte.
Leonardo Stringary
Me pergunto se assim não seria possível mais fraudes em cima dessas provas. Sei lá,não entendo muito mais existe o jeitinho brasileiro pra tirar vantagem em tudo.
karllos
Bem, a idéia parece boa. Mas se o aluno vai quer ser se deslocar de qualquer forma a determinado local para fazer a prova, qual a vantagem. Quando eu li o título da matéria pensei que a prova seria online de "verdade", onde o aluno poderia fazer a prova de casa. Mas ai, seria mais fácil fraudar a prova. O que ia ter de neguinho pagando pra alguém fazer a prova por ele...
Rafael Salgado Ribeiro
A quem interessar: http://www.portalavaliacao.caedufjf.net/wp-content/uploads/2012/02/Guia_De_-Elabora%C3%A7%C3%A3o_De_Itens_MT.pdf
Rafael Salgado Ribeiro
Aparentemente o ministro não levou em consideração alguns problemas. Para se ter uma ideia de como a prova do ENEM é feita hoje: existe um banco de itens que são validados e vão para as provas. Esses itens permitem que se aplique a Teoria da Resposta ao Item, que atribui peso menor para o chute. Vamos focar um pouco na construção do item. Um item deve partir de uma matriz de referência, se baseando apenas um descritor (que, a grosso modo, é a habilidade cognitiva que o aluno avaliado deverá ativar a fim de resolver o que se pede). Um item normalmente possui apoios, textos-base, gabarito e distratores, que são as alternativas "erradas". Para se construir um item, segue-se uma série de regras, a fim de impedir que o aluno apenas chute. Todas as alternativas devem ser plausíveis, devem estar em ordem crescente/alfabética, não devem ser pegadinhas, não devem ser utilizadas palavras excludentes como "apenas", "exceto" nem generalizações como "sempre". Depois de aprovado, um item passa por uma pré-testagem, que envolve a aplicação em várias regiões diferentes do país, a fim de evitar que a pluralidade cultural que temos influencie na resposta do aluno. Após sua aplicação, o item é classificado de acordo com alguns critérios, dentre os quais dois são bastante importantes: 1. Dificuldade: quanto mais alunos errarem o item, mais difícil será; 2. Discriminação: quanto mais as respostas forem divididas entre todas as alternativas, mais discriminante o item é. Grande parte dos itens é descartada nessa pré-testagem, por não entregar o que se espera para um item de qualidade. Agora, voltemos para a proposta de fazer um banco de dados grande o suficiente para que randomize questões de qualidade sem repetir para os alunos. É algo absurdamente difícil e custoso. Trabalhei em um projeto de um curso pré-universitário para a secretaria estadual de SP. Fizemos uma análise estatística para ver quais os conteúdos que mais caíram nos principais vestibulares dos últimos dez anos e utilizamos as questões para avaliar o desempenho do aluno. O que aconteceu muitas vezes foi a repetição das questões, pelo simples fato de não existir questões suficientes para randomizar. Em relação ao foco em uma área do conhecimento específica, acho complicado. Hoje, a matriz de referência separa as disciplinas em quatro áreas do conhecimento: * Linguagens e códigos: Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física e TIC; * Ciências da natureza: Física, Química e Biologia; * Ciências humanas: História, Geografia, Sociologia e Filosofia; * Matemática: compreende apenas essa disciplina. Quando o ministro fala em focar em algumas áreas específicas, a crítica que levanto é que o ENEM deve refletir o Ensino Médio e o que se espera dele. Se o ministro espera isso do ENEM, que comece alterando a matriz curricular do Ensino Médio que, por sinal, é o nível de ensino que mais fracassa hoje. A conclusão que chego é que não adianta colocar o ENEM no século XXI se o Ensino Médio ainda está no século XIX.
Matheus Paes
Eduardo no dia da prova presencial do ENEM, são distribuídas provas diferentes entre os alunos da mesma sala... Não são iguais.. tem tipo de prova A, B, C e D... Não é só alterada a ordem das questões, o conteúdo também. O que avalia se o candidato sabe ou não, não é a questão e sim o conceito. Se ele tem o conceito na cabeça ele vai saber resolver as duas perguntas.. Quem tem conhecimento não se importa com pergunta facil ou mais dificil, ele vai conseguir resolver entenda isso. Não existe pergunta sobre Cinemática e Cinemática escalar difícil se você souber do que se trata, isso é coisa de aluno que gosta de enrolar e que empurra os estudos com a barriga.
Sirley
"Não é obrigatório ter que melhorar o ensino básico para só então buscar melhorias em outros lugares, dá para buscar fins diferentes para problemas distintos..." Vc não poderia ter sido mais infeliz nessa colocação. Não se faz melhorias no meio do prédio e deixa a base sem alicerce. Quem fala em educação, sabe como é de enorme importância a melhoria na EDUCAÇÃO BÁSICA nesse país. Acho sim, que a prova online pode ser sim, ótima. Mas jamais dar prioridade nisso. Sim na EDUCAÇÃO BÁSICA
Jorge
Estou absurdamente arrependido de ter votado em Dilma para Presidente do Brasil. Sabia que Cid Gomes daria um jeito de fazer parte do governo Dilma, mas jamais imaginei que ela o colocaria no Ministério da Educação. Simplesmente porque ele, pelo descaso no Ceará com a Educação, não demonstra competência para assumir um Ministério da Educação. Aliás, no Ceará, a Universidade Estadual do Ceará, seus professores e alunos podem ser a melhor testemunha do descaso desse senhor com a Educação Superior de uma Universidade Estadual, DE RESPONSABILIDADE DO GOVERNO DO ESTADO, no Estado do Ceará no caso, ex-governador Cid Gomes. O absurdo que ele propõe, denota o desconhecimento dele sobre as dificuldades de se aplicar uma prova de forma em que se possa, num país igual ao nosso, comandado por corruptos, garantir a isonomia a todos. O estilo das provas atuais é elaborado com inteligência e busca contextualizar o universo do conteúdo trabalhado na escola dentro da realidade social. Isto prejudicou muitos dos donos de cursinho que faliram e escolas particulares nas quais os alunos engoliam as decorebas sem se quer digerir, mas sempre levavam vantagem. Parece-me que incomoda a esse senhor o atual estilo de prova ou talvez incomode o fato de nunca ter havido na história tantos alunos de escola pública estudando em universidades públicas. Não acredito nesse senhor. Uma criatura que nem saber dialogar as diferenças dentro da sua prepotência é uma ironia ser indicado como Ministro da Educação. Lamento profundamente não ter feito campanha e votado em Aécio Neves.
Thiago Sabaia
Acho legal, várias faculdades aplicam provas assim e funciona muito bem.
Thiago Sabaia
o resultado do enem atual já é calculado pelo computador, sabe aquele monte de traço preto no cartão resposta? É para o software deles escanear melhor a folha, o código de barras identifica o aluno, e junto dos dados pessoas dele, fica o cartão resposta, então apenas com o número de matricula funcionarios dessa parte conseguem alterar os dados.
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