Ontem, o mundo dos jogos foi surpreendido por um trailer que ninguém entendeu muito bem. O jogo se chama Hatred e é o primeiro do estúdio Destructive Creations. Ele mostra um homem se lotando de armas enquanto faz um discurso sobre como odeia todos os humanos e irá começar sua “jornada de genocídio”.

Em seguida, surgem cenas do gameplay em que o protagonista mata todo mundo que vê pela frente de maneira violenta, explícita e injustificada. O trailer e a proposta do jogo são tão absurdos que há quem acredite que seja um viral ou hoax de algum tipo.

No site do jogo, há uma tentativa bem mequetrefe de explicar o porquê de ele existir: “Hoje em dia, muitos jogos são coloridos, politicamente corretos e tentam ser alguma espécie de arte em vez de somente um entretenimento – nós queremos criar algo contra a tendência. Algo diferente, que pudesse dar ao jogador um puro prazer de jogar”, pode-se ler.

A história, ao que parece, também não é profunda o bastante para que faça algum sentido a violência exacerbada: o site diz que o protagonista inicia um genocídio porque tem um ódio muito profundo (daí vem o nome do jogo) e cabe ao jogador pensar nos motivos que levam alguém a fazer algo assim. Dizer isso é ainda mais preguiçoso: parece que, na falta de haver uma motivação real pensada pelo estúdio, é o jogador que tem que pensar em algo quando for jogar.

Numa época em que os jogos lutam para conquistar espaço como uma mídia de entretenimento tão válida quanto outras mais tradicionais, como o cinema, e em meio a tanta violência gratuita no mercado, Hatred aparece como um desserviço. Até a Epic Games, dona da engine utilizada, a Unreal 4, pediu a remoção de seu logo do trailer para não ser associada a ele. A Destructive removeu, mas também deu uma resposta com tons de sarcasmo que não eram necessários.

O lançamento é prometido para o segundo trimestre de 2015 e queremos acreditar que os desenvolvedores alterem alguma – ou melhor, muita – coisa até lá com base no feedback tanto dos jogadores como da imprensa, que tem sido bem negativo.

Com informações: Polygon

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Felipe Peres
os games também já são uma arte concretizada culturalmente e economicamente (inclusive chegam até a faturar mais do que o cinema), os únicos que ficam chocados querendo questionar e proibir os games são esses políticos velhos com mais de 60 anos que estão no poder (e ficam tentando criar leis para banir os games), eles nunca irão conseguir banir completamente os games (de uma forma ou outra os gamers irão jogar eles, seja de forma legal ou de forma ilegal), e essa questão de banimento um dia vai acabar, é só questão de tempo até que esses " dinossauros " que estão no poder morram, e o público mais jovem (que é o público que aprecia de verdade os games) renove os pensamentos em relação a questão dos games quando tomarem o poder !!!!!!
Felipe Peres
só vejo um bando de maricas sensíveis que se incomodaram com um jogo, mas que na vida real defende e incentivam toda a barbárie que os " dimenor " cometem contra a população, santa hipocrisia !!!!!!!
lENDl Night
A mesma fonte do Tumblr que eu poderia criar para acusar o Sr. Marcoscs de ser nazista e homofobico. E a valides e a mesma.
lENDl Night
Fontes confiaveis sao necessarias. Eu poderia criar agora um Tumblr falando que voce e um nazista homofobico. Seria verdade? Voce gostaria de alguem acreditando em tal informacao? Inocente ate que prove-se o contrario. O mesmo para os desenvolvedores do game. Eu mesmo sou obrigado a manter em meu FAVORITOS links que eu nao suporto. Mas noticia e importante, e varias fontes sao necessarias para formar uma opiniao. A justificativa dele e plausível. E nao importa o que ele e, o direito dele publicar o game fica inalterado ate ele demonstrar odio a algum grupo especifico DENTRO do produto. Isso nao acontece.
lENDl Night
Desservico e esse pseudoartigo de opiniao. Essa mania despresivel de julgar algo pelos padroes morais individuais, e esquecer que o mundo nao gira ao redor de um unico individuo. O jogo ta ai, tem sua proposta, e tem seu lugar. Vai ajudar a medir quanto do mundo dos games e da midia externa ainda tem deficiencia mental quando se trata de polemica. Felizmente, o lancamento do jogo nao parece ter gerado a polemica esperada na midia externa. Demonstracao de que e possivel quebrar as barreiras da ignorancia e da falta de cerebro de certos individuos. E puxar os limites e um servico a comunidade, nao um desservico. Eu nao vou comprar hatred, mas definitivamente defendo sua existencia. Defendo o direito da empresa em publicar o que bem entender. E para refletir>>> Sera que hatred e tao violento mesmo? Nele, a premissa e a violencia. Ok. No GTA temos opcao. Atirar em um civil no GTA ou no hatred... qual o mais violento, afinal? Eu diria>>> GTA. La suas acoes sao opcionais, nao parte da premissa.
Matheus Lanahie

quem escreveu deve ser um coxinha hipocrita asqueroso que venha este excelente game.

Flavio Bello
e daí? matar uma pessoa sem motivo faz diferença? sair matando gente a esmo no GTA é diferente pq aí vc tá "zoando" e não faz parte da missão? que argumento mais hipócrita...
Mateus B
na verdade o que torna o jogo diferente dos de hoje em dia, GTA, Mortal Kombat, FPSs e vários outros jogos os quais o objetivo é o mesmo, matar todos ou o máximo possível, a razão das criticas negativas ao jogo é pelo fato da brutalidade, as execuções que o jogo possui, e de o jogador só matar inocentes, civis e policiais, mas se os alvos fosse traficantes, mafiosos ou qualquer ou escória do mundo, muitas opiniões contrárias ao jogos não existiriam.
ohistoriador
Concordo, só acho que não vale a pena lançar um game com violência explícita debaixo do argumento de que o politicamente correto é pura bobeira filosófica. Será que realmente convém criar um jogo que tem como ponto principal um dos maiores problemas da sociedade? Isso além de destruir a moral humana (pra quem tem alguma pelo menos) acaba espalhando a idéia de que o ódio pode ser descarregado no mundo virtual com segurança, através do entretenimento. Isso por acaso ajuda a combater o ódio e a intolerância das pessoas? Ou só cria um lugar para ela descarregar?
ohistoriador
Com certeza será proibido em vários países.
ohistoriador
Será que o correto então é criarmos um alvo para nossa ira ao invés de combatê-la? "Por acaso podemos resolver o problema do lixo jogando ele em aterros maiores e mais afastados? Ainda haverá muito lixo. O certo é diminuírmos a produção dele. A mesma coisa serve para os sentimentos passados por esse jogo."
ohistoriador
Copiando e colando uma mensagem minha anterior.... "Creio que games não inspiram genocídios. Creio que games ensinam aos jovens a ideia de que podem descarregar sua raiva em video games por pura diversão. Mesmo que sem motivo. Só porque ensinamos a descarregar nossa raiva em lugares seguros, não quer dizer que fazermos o certo e que o "politicamente correto" é pura besteira filosófica. Deveríamos cultivar a idéia de que se deve evitar o ódio. Porque um dia, ele pode estrapolar dos games e vir para o mundo real. Por acaso podemos resolver o problema do lixo jogando ele em aterros maiores e mais afastados? Ainda haverá muito lixo. O certo é diminuírmos a produção dele. A mesma coisa serve para os sentimentos passados por esse jogo. (perdoe-me pelas parábolas. adoro usá-las)"
ohistoriador
Essa é questão desse jogo. A violência é gratuita, sem nem explicação ou motivo. É simples e pura violência.
ohistoriador
the sims?
ohistoriador
A questão, amigo, é que GTA V te permite "zoar" na cidade mas contém uma história e objetivos que na maioria das vezes não envolve isso. Esse jogo aparentemente não apresenta nada além de mortes desnecessárias com violência explícita. Uma coisa é poder fazer a matança (mas ser uma escolha sua), outra coisa é ter que fazer a matança. Tudo bem que muita gente vai dizer...."AHHH, não joga se gosta". Mas sabemos que as coisas não funcionam bem assim. Sabemos que é por valores como ódio que a sociedade passa por diversos problemas. Cultivar esses valores mesmo que virtualmente só faz destruir uma moral que tentamos construir como sociedade. Diferentemente do que muitos pensam, creio que devemos ensinar as pessoas a amarem ao invés de descarregarem sua ira em videogames se é que vc me entende.
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