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Cientistas apresentam material plástico que consegue se “regenerar” em questão de minutos

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Você já deve ter ouvido falar de materiais que conseguem se “regenerar”. O problema é que a tecnologia disponível atualmente permite apenas a recuperação de danos bem superficiais. Mas este cenário pode evoluir mais cedo do que a gente espera: pesquisadores da Universidade de Illinois conseguiram criar um polímero capaz de fechar sozinho a perfuração causada por um tiro, por exemplo.

O assunto não é novidade, mas ganhou certa notoriedade há alguns meses, quando a LG anunciou o G Flex, um smartphone que chama atenção não só por sua tela curvada como também pela capacidade de “regeneração” de sua carcaça. O que o aparelho faz, na verdade, é apenas se recuperar de riscos mais brandos. Um dano mais profundo vai continuar gritando “oi, olha eu aqui”.

Na pesquisa em questão, os cientistas se inspiraram na regeneração de organismos vivos. Se você sofrer uma lesão na pele, por exemplo, seu corpo começará o processo de recuperação parando o sangramento e, posteriormente, direcionando de maneira gradativa as células necessárias para fazer com que o ferimento não exista mais, ainda que o resultado final seja uma cicatriz.

Passo a passo da recuperação do polímero

Passo a passo da recuperação do polímero

O polímero criado na Universidade de Illinois age mais ou menos da mesma forma: o material é formado por uma rede de canais minúsculos preenchidos com dois tipos de líquidos que podem formar estruturas sólidas ou semissólidas. Quando há uma perfuração, estes canais se rompem, fazendo os líquidos saírem até preencherem todo o espaço existente ali.

Neste processo, os dois líquidos se misturam graças à presença de um catalisador. O composto resultante é um gel que, apesar de semissólido, é forte o suficiente para suportar o próprio peso e não se soltar. Como este gel também é poroso, o material permite a passagem de uma terceira substância que vai preenchendo os espaços vazios e, ao mesmo tempo, reagindo com o composto para se tornar sólido.

Nos testes, esta técnica fez um buraco de aproximadamente 1 centímetro levar cerca de 20 minutos para se fechar sozinho. A marca do dano ainda ficou lá, como uma cicatriz, mas eventuais problemas causados pela perfuração acabam sendo mitigados neste processo.

É possível que uma adaptação desta pesquisa permita a criação de celulares que se recuperam de riscos mais profundos, mas os cientistas vislumbram aplicações bem mais nobres para a tecnologia, como o reparo automático de rachaduras nas asas de um avião, por exemplo.

Mas, até lá, muito trabalho precisa ser feito: os pesquisadores precisam melhorar a resistência do polímero, que equivale a apenas 62% do material original. Além disso, é necessário vários testes para compreender a influência de fatores externos no processo: o que um vento forte ou o contato do combustível de um tanque perfurado podem fazer, por exemplo?

Com informações: Science/AAAS