Início » Arquivos » Ciência » Financie isso: SCiO faz análise molecular de qualquer material e mostra os resultados em seu smartphone

Financie isso: SCiO faz análise molecular de qualquer material e mostra os resultados em seu smartphone

Emerson Alecrim Por

SCiO

Já pensou em ter em mãos um dispositivo que indique os valores nutricionais de um queijo? Ou que é capaz de checar se há agrotóxicos em uma maçã? Ou que pode estimar a quantidade de álcool em sua cerveja? Pois o SCiO, um sensor molecular que entrou recentemente em campanha no Kickstarter, quer levar estas e várias outras informações para a tela do seu smartphone.

A expressão “sensor molecular” pode transmitir a ideia de algo complexo, mas usar o SCiO é uma tarefa bastante simples: essencialmente, basta aproximar o dispositivo do item a ser analisado, apertar um botão, aguardar as informações serem coletadas e analisadas para, enfim, visualizar os resultados no celular.

Mágica? Engenhosidade soa melhor. O que a Consumer Physics – empresa por trás do projeto – fez foi criar um espectrômetro infravermelho portátil (o sensor pesa 20 gramas e mede 73 x 25 x 16,5 mm), isto é, um pequeno dispositivo que permite a análise da composição de materiais de diversos tipos a partir da medição do espectro da luz incidente.

Normalmente, equipamentos do tipo são grandes, podendo ter desde o tamanho de uma impressora a jato de tinta convencional até as dimensões de uma mesa, razão pela qual costumam ser caros e, na maioria das vezes, restritos aos muros de um laboratório.

O espectrômetro do SCiO pode não ser tão sofisticado quanto às opções tradicionais, mas tem recursos suficientes para analisar frutas, alimentos, remédios, líquidos, entre vários outros itens.

A peça-chave do projeto está na já mencionada integração com o smartphone, que pode ser um iPhone ou um aparelho com Android 4.3 (ou superior). Quando em atividade, o SCiO joga uma luz sobre o item e o seu espectrômetro “captura” o reflexo resultante. Os dados obtidos são então repassados para o smartphone via Bluetooth, cabendo ao app do sensor enviar estas informações à análise nas nuvens para, por fim, apresentar os resultados na tela do aparelho.

Como cada tipo de molécula vibra de maneira única à presença da luz, é relativamente fácil identificar a quais materiais e elementos se relacionam a análise em andamento, uma vez que os algoritmos que executam esta tarefa usam como base os padrões registrados no banco de dados da empresa.

A consequência? A análise do espectro sobre um queijo irá estimar quantas calorias, proteínas e carboidratos há ali, por exemplo. A análise de uma pílula, por sua vez, indicará que fármaco a compõe. Com o passar do tempo, a quantidade de análises feita tornará possível obter dados cada vez mais abrangentes sobre vegetais, minerais, alimentos, dorgas remédios, entre outros.

SCiO - Resultados

Ainda não dá para saber se os dados são de todo confiáveis, mas muita gente está disposta a arriscar: a campanha, que tem meta de US$ 200 mil, arrecadou mais de US$ 1 milhão no Kickstarter até agora e restam ainda 39 dias para o seu fim.

Por que é legal? Porque o SCiO dá informações “mastigadas” e quase em tempo real sobre vários tipos de materiais.

Por que é inovador? A invenção precisa apenas de um pequeno espectrômetro e de um smartphone para funcionar.

Por que é vanguarda? O SCiO coloca nas mãos de qualquer pessoa informações que, via de regra, exigem equipamentos mais sofisticados ou mesmo análises em laboratório.

Vale o investimento? Para quem vê utilidade neste tipo de análise, com certeza: o SCiO custa a partir de US$ 199 mais US$ 15 de frete para quem estiver fora dos Estados Unidos. O envio começará em janeiro de 2015.

Com informações: BBC

Comentários

Envie uma pergunta

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Rogério Souza
Mesmo assim, para um aparelho com funções do dia-a-dia, é necessário um sistema muito qualificado. Só pra começar, não tem como você saber se aquele "teor alcoólico" que está sendo medido é somente do etanol da bebida. Muitas análises necessitam sim de um sistema de separação atrelado a ela, para que estes detectores respondam somente a aquilo que você quer saber. Só de saber a quantidade de proteínas de um alimento, a análise mais usada é baseada no método de Kjeldahl, que envolve separar o nitrogênio que vem das proteínas de nitrogênio inorgânico; depois uma reação colorimétrica para medir em um espectrômetro UV-Vis, com a utilização de padrões para verificar a quantidade. Ou seja, só para medir um teor de proteína, haveria muitos passos. Eu trabalhei com análises de agrotóxicos em alimentos, e o processo de extração para posterior determinação destes demorava cerca de 1h para cada amostra, sendo que o equipamento utilizado custava cerca de US$300K. Será que não é querer vender um equipamento que o financiamento deste está na casa de US$ 1 milhão? E além disso, se uma empresa vender estes aparelhos com essa faixa de preço, qual seria a necessidade de um laboratório de conter equipamentos mais sofisticados, sendo que um equipamento simples já faz isso?
Não Esqueci
ele estão vendendo uma aparelho para funções do dia a dia e não uma ferramenta avançada para laboratórios. Ver teor de de veneno em maçã vais er a tarefa mais elaborada disso na maioria das vezes vão ser usados em mesa de bar para "aferir" bebidas.
Edmilson Junior
Se rolar propaganda disso em um CSI da vida vai vender milhões.
Vitor Hugo
Hum… a ideia é interessante, mas tem muitos pontos cinzas. Para funcionar ficará atrelado a companhia por causa da análise na nuvem e ao app no celular (o que deu a entender, poderá ser cobrado). Além do funcionamento parecer mágico demais, o mecanismo do espectofotometros é realmente simples, mas para atingir isso não muito. Saber se a melancia está doce só pela casca? Hum… não é fácil assim. Sem falar no público-médio sem base científica para compreender os resultados, ou seja, já vivemos num era de terror alimentar e afins.
Adilson Schmitt Junior
Tricorder!
Rogério Souza
Minha opinião: um tanto difícil ser preciso quanto a isto; há várias coisas parecidas em termos moleculares que muitas destas análises necessitam de um tipo de extração para poder saber quanto tem, outra questão é saber o que tem, mas para quantificar tem que ter uma padronização, ou seja, utilizar compostos do mesmo tipo para saber quanto o detector irá responder. Outra questão é que um espectro de infravermelho não é fácil de ser diferenciado de outro, devido a sua complexidade. E bem, equipamentos de ultima geração para análises em laboratórios e outros lugares chegam a custar o valor financiado pelo empresa.