Os serviços da Netflix respondem por mais de 30% de todo o tráfego da web na América do Norte. Por conta disso, a empresa está se vendo obrigada não só a lidar com a expansão de sua infraestrutura como também a fechar acordos com empresas de telecomunicações para evitar traffic shaping. Mas esta última medida pode ser temporária: é possível que, em futuro relativamente próximo, a empresa adote tecnologias P2P para resolver de vez o problema.

Explicando rapidamente, sistemas P2P (Peer-to-Peer) fazem com que cada dispositivo participante da rede atue tanto como cliente quanto como servidor, ou seja, receba dados de outros computadores e, ao mesmo tempo, transmita as informações que já tem. É este princípio que faz o BitTorrent funcionar tão bem há anos.

Hoje, as transmissões da Netflix são feitas, essencialmente, de maneira centralizada: uma infraestrutura que combina servidores, cabos ópticos, protocolos e afins envia os dados dos vídeos para todos os milhares de assinantes do serviço, gerando um tráfego substancial.

Netflix - Fachada

Com uma arquitetura P2P, os usuários que já possuem dados de determinados vídeos enviariam estas informações para outros dispositivos, fazendo com que o tráfego não fique tão dependente dos servidores.

E não estamos falando de nenhuma técnica futurista. Recentemente, a gente viu uma ideia similar funcionar razoavelmente bem com o Popcorn Time, aquele aplicativo que faz streaming de filmes e séries a partir de torrents, não dependendo de nenhum servidor.

No caso da Netflix, a ideia poderia ser aplicada de maneira mista às transmissões que são feitas hoje: os servidores da empresa iniciaram o streaming normalmente e, de acordo com aspectos como velocidade de conexão e proximidade física, os dispositivos que já receberam dados dos vídeos transmitiriam estas informações para outros assinantes.

Desta forma, a Netflix conseguiria diminuir a sobrecarga de seus servidores, evitar “congestionamentos” em suas redes, amenizar os efeitos de problemas técnicos em sua infraestrutura e, principalmente, combater a postura acusadora das empresas de telecomunicações, afinal, o tráfego estaria diluído.

É claro que soluções P2P não são tão milagrosas assim: a Netflix também precisaria lidar com várias “ciladas” técnicas, como o risco de o serviço prejudicar a velocidade de conexão do usuário na retransmissão ou mesmo deixar seu dispositivo lento.

House of Cards - só o começo do 4K na Netflix

House of Cards – só o começo do 4K na Netflix

É em virtude disso que, por ora, a preocupação da Netflix parece estar somente em estudar o assunto. A notícia de que a companhia poderá adotar tecnologias do tipo surgiu depois que a empresa publicou uma vaga para engenheiro de software sênior especializado em redes P2P.

A empresa ainda não se manifestou sobre o assunto, mas a descrição do cargo informa que o profissional terá entre as suas funções pesquisar a integração dos sistemas de streaming da Netflix – incluindo aí o Open Connect, uma espécie de sistema de cache – com arquiteturas P2P. Ou seja: ainda não há nada pronto.

Para quem não está nos bastidores da Netflix, a ideia toda pode até parece excêntrica, mas não é: se a companhia já está enfrentando problemas agora, imagine quando os usuários começarem a utilizar massivamente as transmissões em 4K do serviço.

Com informações: Ars Technica

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Yuri Costa
E se algum link de algum tracker vazar não tem perigo de alguem baixar os filmes de graça?
Jeronimo Lopes
isso daria certo em smartvs?
Henderson Méle
Só eu acho meio absurdo esse negócio? Todos tratam como se fosse um bom negócio. A menos que a NetFlix me dê desconto de acordo com o tanto de upload que eu faço, eu acho absurdo. Eu pago um serviço e tenho que sustentar o serviço no ar? A grande maioria não faz isso nem pelo Torrent, que é de graça. Acaba de baixar e já apaga o torrent de lá. Ainda mais no Brasil, com empresas controlando limite de transferência. Meu Virtua 10Mb termina todo mês no limite da franquia de 100Gb. Não posso me dar ao luxo de ficar fazendo upload de tudo que assistir no NetFlix também. Isso sem falar dos corajosos que usarem 3G/4G.
@
Oba! Com P2P vamos ajudar a NetFlix economizar ao nos transformarmos em seus retransmissores! E não vamos ganhar nada de positivo com isso, como um desconto, por exemplo!
Fer
Enquanto isso o Spotify prefere sangrar dinheiro e diminuir a qualidade do serviço (embora eu não tenha certeza se a rede deles tá cada vez mais lenta por isso) pra se livrar do P2P!
qgustavor
[...] combater a postura acusadora das empresas de telecomunicações, afinal, o tráfego estaria diluído.
Espera, elas reclamam também do P2P, embora o tráfego seja diluído ele será maior uma vez que os usuários passarão a enviar os vídeos. De certa forma isso só alivia a infraestrutura da Netflix.
RamonGonz
Popcorn Time fazendo efeito... For Sure!!
Pedro Maich
Se lá nos EUA tivesse um "marco civil da internet" a Netflix não precisaria se preocupar com o traffic shaping e os acordos pra evitar isso.
Filipe Machado
O Spotify usava isso, mas vai desabilitar em breve... http://techcrunch.com/2014/04/17/spotify-removes-peer-to-peer-technology-from-its-desktop-client/
Vagner Alexandre Abreu
É uma excelente medida. Há uma coisa a se pensar também: pode ser usado uma espécie de "P2P de servidores", por exemplo, coloca alguns servidores em lugares diferentes do mundo, e a comunicação se basearia em pegar partes e partes de cada servidor. :)
Rafael Monteiro
Se inserissem o usuário dentro disso, algo que provavelmente não vai acontecer, poderia dar muito certo. Cada vez que você retransmitisse informação, pagaria menos na sua conta, você se tornaria o servidor da Netflix, matando assim o intermediário