Já pensou em poder acessar determinada rede WiFi em absolutamente qualquer lugar do mundo? O Outernet não oferece exatamente isso, mas chega perto: recém-anunciado, este projeto visa criar uma rede sem fio global com o uso de um “enxame” de satélites.

Mais precisamente, esta rede seria formada por CubeSats, um tipo de satélite de baixo custo e em formato de cubo, como o nome deixa explícito, que chama a atenção por seu tamanho diminuto, por seu peso que normalmente não passa de dois quilos e, pelo menos no caso do Outernet, por utilizar um sistema baseado em Arduino.

Um CubeSat (Fonte: Wikipedia)

Um CubeSat

A ideia é de explicação simples, mas de execução “extra hard”: estes pequeninos satélites seriam lançados ao espaço e, uma vez em órbita, receberiam sinal de uma rede de estações no solo terrestre para então realizar transmissões por alguma tecnologia WiFi multicast.

Como os CubeStats considerados para o projeto são muito pequenos e não têm sistema de propulsão, o seu lançamento ao espaço seria feito a partir de “caronas” em missões espaciais. Isso já aconteceu, inclusive: em novembro de 2013, a NASA instalou na Estação Espacial Internacional um lançador de CubeStats que têm diversas pequenas finalidades: capturar fotos do espaço, calcular a temperatura em determinados pontos da Terra, enfim.

outernet

Ainda não se sabe ao certo quantos CubeStats seriam necessários para criar a rede (estima-se que uns 150, inicialmente), qual seria o alcance de cada um e como seria a rotina de substituição das unidades danificadas ou incomunicáveis, mas o plano é cobrir todo o planeta, sem cobrar um centavo por isso.

Se o projeto der certo, conseguiremos acessar a internet de qualquer lugar? Pode até ser, mas não da forma como estamos acostumados. A prioridade é utilizar o Outernet para fins educacionais, oferecer comunicação em áreas afetadas por desastres naturais ou que sofrem censura política, dar acesso a determinados serviços online de interesse global (como o OpenStreetMap) e assim por diante.

Utópico? Talvez, mas o projeto ao menos pode ser o embrião de alguma tecnologia interessante.

Dá para saber mais neste fórum de discussão e no site do Outernet. Neste último, há uma campanha de doações que visa financiar o desenvolvimento do projeto.

Com informações: The Register

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Sofia Mhara

pra quem se perde até em configurar essas joças, achei um site, me serviu
https://19216801.tk/

Wesley Riann
Ernâni Machado Alvarenga A tecnologia que seria usada, pelo que li (agora), era de atrair o campo dos objetos para virem em direção a terra que naturalmente iriam se esmigalhar quando chegassem ao evento de impacto. Os objetos que serão atraídos são pequenos, pelo menos por agora. Realmente existem muitos lixos estelares fazendo ronda por ai, mas, dependo do tamanho, eles são passiveis de calculo. Dos outros não representam tanto perigo, acho que é minimo, é mais com intuito de precaver mesmo, creio. Porem, acho que já teve até umas reportagem falando sobre danos na viagem por causa de algum desses detritos, vou até pesquisar aqui pra complementar. Se encontrar posto :)
Ernâni Machado Alvarenga
Já li reportagens sobre projetarem algo para limpar o lixo espacial, que já estava num nível que oferecia muito risco para missões espaciais... o espaço é grande, mas estamos falando de objetos passeando por sei lá quanto tempo pela órbita, em velocidades insanas. E quanto mais objetos maior o risco.
Arimar Romualdo da Silva
no brasil, os MARINHO ñ deixam.
Sandro Alves de Souza
Amei essa notícia. Desejo muito MESMO que funcione, pois significa: 1 - Liberdade de acesso à internet; 2 - A extinção das operadoras de celular; 3 - A longo prazo, a extinção das emissoras de canais de TV, como a Globo e outras; Acredito que as primeiras versões não funcionem de primeira, mas a partir dos erros cometidos, novas versões vão surgindo até funcionar de fato. A idéia já está lançada, e a viabilidade será atingida conforme sejam utilizados os equipamentos adequados, mas ainda existirão as barreitas legais, burocráticas e principalmente políticas.
Elias Alberto
... além disso, tem a questão de licenciamento da frequência utilizada. Pode não ser legalmente permitido utilizar um satélite pra jogar essa frequência em todos os países do globo. Tem a questão da energia. Esses satélites pretendem jogar sinal de WiFi no mundo inteiro usando uma bateria nuclear ou meia dúzia de células solares? E tem a questão da radiação espacial. Equipamento que vai porto espaço como os jipes de exploração de marte e os satélites tem chips pensados desde seu projeto para serem resistentes à radiação cósmica. E nego acha que um Arduíno vai dar conta do recado? Acho a causa bastante nobre e a ideia é legal, mas é bem mais viável botar isso nos satélites de GPS (que também foram concebidos com a ideia de cobrir o mundo inteiro )
Elias Alberto
Péssimo por diversos motivos. O primeiro é a necessidade de parabólicas pra receber o sinal e a alocação de órbitas geoestacionárias pra todos os satélites. O segundo é a freqüência de operação, 2.4ghz é inadequado pra operar nessa distância. Sério mesmo, cidade de interior nego já sofre com instabilidade de internet a rádio e as distâncias são de poucos km. Além disso
Agronopolos Macho Alpha
Só fará sucesso se deixarem ver videocassetadas
Wesley Riann
Flávio Bezerra Exato, é muito espaço! Se você você souber o tanto de satelites e lixo espacial que criamos por ai... A Sandra Bullock iria ficar doida!
Flávio Bezerra
Não sei a que ponto você se refere sobre causar risco às futuras missões espaciais, mas com certeza não.
Matheus S. Inácio
Prevejo uma morte cheia de mistérios...
Ernâni Machado Alvarenga
Ideia interessante, mas não seria meio perigoso colocar mais coisas penduradas na órbita do planeta? Digo, não vai oferecer mais risco a futuras missões espaciais?