Início » Arquivos » Comportamento » Colocar modelos em estandes de eventos não aumenta o público, diz CMO da Frontback

Colocar modelos em estandes de eventos não aumenta o público, diz CMO da Frontback

Spencer Chen diz que as booth babes podem intimidar os visitantes e provocar um efeito contrário ao esperado.

Por

Já faz algum tempo que a importância das booth babes vem sendo questionada. Elas são aquelas modelos bonitas que ficam fazendo pose nos eventos e viraram meio que uma marca dos de tecnologia, de tão frequente que é a presença delas.

A intenção é que atraiam o público para um estande e interajam com ele, fazendo com que fique interessado no produto que elas promovem. Mas, na prática, as garotas passam o dia todo em pé, com roupas desconfortáveis e saltos altos, aguentando cantadas e posando para fotos de pessoas que não têm o mínimo interesse na empresa. E, mesmo que tivessem, poucas vezes as booth babes têm informações sobre o que estão “vendendo”.

O chefe de marketing do app Frontback, Spencer Chen, contou ao TechCrunch de um teste que fez há algum tempo. O teste foi pessoal, sem nenhum embasamento teórico ou noções de psicologia utilizadas para comprovar algo e, portanto, pode ser considerado uma generalização. Ainda assim, ajudou a empresa dele a orientar melhor o orçamento para eventos.

Em um mesmo evento, foi promovido um produto (ele não fala qual era o evento nem o produto, só que era relacionado a tecnologia) em dois estandes diferentes, um deles com booth babes e o outro, não. Este tinha um time mais simpático do que atraente.

No fim, o resultado foi que o estande sem booth babes teve quase o triplo de visitas do outro.

Ele diz que o mesmo teste foi repetido mais de uma vez em eventos diferentes, e o resultado foi semelhante todas as vezes.

O fenômeno das hovering hands, as mãos flutuantes perto dos ombros das modelos

O fenômeno das hovering hands, as mãos flutuantes perto dos ombros das modelos

Os motivos apontados por Chen são que, primeiro, as moças intimidam os visitantes, que ficam nervosos em falarem com elas. Segundo, elas não fazem muita questão de iniciar uma conversa com eles para atrai-los até o estande e levá-los até um representante que possa apresentar o produto. E, por fim, as pessoas mais “importantes”, como executivos e outros contatos comerciais, não falam com elas: como costumam ter reuniões marcadas, vão direto atrás de quem lhes interessa.

A conclusão é um ponto que, segundo Chen, raramente é abordado nessa discussão: do ponto de vista de business, não há retorno do investimento nas booth babes. Logo, não há muito motivo para que elas estejam lá, a não ser pela “tradição”.

Talvez as empresas também tenham notado isso e, por esse motivo (além de todo o lance de objetificação das moças), a presença delas tem diminuído, pelo menos nos eventos de tecnologia, que costumam contar com um público que procura informações nos estandes, e não apenas fotos com moças bonitas.

Por isso, a preferência por um staff treinado e com um equilíbrio de gêneros tem aumentado. Até no Brasil isso é aparente: na BGS do ano passado, percebemos que o staff dos estandes estava bem equilibrado entre homens e mulheres. E, inclusive, com roupas mais discretas.