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É, falhou: China e Brasil não conseguiram colocar o satélite CBERS-3 em órbita

Emerson Alecrim Por

Não que houvesse grandes expectativas para o evento, mas o lançamento do satélite CBERS-3, fruto de uma parceria entre China e Brasil, falhou miseravelmente. Se tivesse entrado em órbita, o equipamento iria mapear e capturar imagens de regiões agrícolas e de pontos de desmatamento, por exemplo.

O lançamento aconteceu à 01h26 desta segunda-feira, de acordo com o horário de Brasília, na base aérea de Taiyuan, no norte da China. Sem oferecer qualquer ferramenta de acompanhamento em tempo real, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que responde por parte do desenvolvimento do CBERS-3, apontava a operação com um sucesso absoluto minutos depois, inclusive com alguns veículos da mídia repercutindo esta informação.

Mas não demorou muito para a verdade vir à tona. De acordo com os planos da missão, o lançador orbital do satélite, o foguete chinês Longa Marcha 4B, deveria viajar por 12 minutos após o lançamento para alcançar a altitude de 780 km, quando então começaria a sequência de estabilização e entrada em órbita. Três minutos depois, já no andamento deste procedimento, o CBERS-3 deveria iniciar e manter contato com a base terrestre, mas isso não aconteceu.

CBERS-3 (Fonte: INPE)

Lançamento do CBERS-3 #fail

O INPE afirma ter havido tentativas de se obter e corrigir o posicionamento do satélite, como é típico em situações de desvio de órbita. Como nenhuma medida deu certo, o órgão soltou um comunicado horas depois do lançamento para confirmar o fracasso da missão, dizendo que o CBERS-3 provavelmente retornou ao planeta, uma maneira “otimista” de dizer que o satélite caiu em algum lugar.

Os engenheiros chineses ainda tentam descobrir exatamente o que causou o incidente, embora tudo indique que o problema tenha ocorrido no lançador. Claro, também estão tentando descobrir onde diabos o CBERS-3 foi parar.

Apesar da costumeira sensação de “eu já sabia (que ia dar errado)” que circundam iniciativas que envolvem o governo brasileiro, a frustração não deixa de ser grande: o desenvolvimento do projeto tem custo avaliado em cerca de R$ 300 milhões e o lançamento se deu com pelo menos três anos de atraso.

Isso porque caberia ao CBERS-3 ocupar as funções outrora pertencentes aos satélites CBERS-1, 2 e 2B, todos já desativados. Este último deixou de funcionar em 2010, razão pela qual o INPE se vê obrigado desde então a adquirir imagens e demais informações de monitoramento territorial de outros países.

O plano, a partir de agora, é o de tentar antecipar para 2014 o lançamento do CBERS-4, cuja previsão inicial apontava sua entrada em órbita apenas no final de 2015.

Com informações: Valor, Agência Brasil, Último Segundo

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Elias Ribeiro Rocha
É realmente uma pena que não tenhamos tido êxito com o projeto. Mas eu acredito que, se não todos, a maioria dos que postam seus comentários sabem o quanto se aprende também com o fracasso. E o Brasil ganhar essa expertise para: projeto, desenvolvimento, lançamento, e monitoramento de satélites pode trazer benefícios para o Brasil em diversas áreas. Apesar de mais um fracasso, entendo eu que, vale a pena insistir no programa espacial brasileiro.
leandro_laia
Perfeito cara. Brasileiro ainda não aprendeu e continuam com esse sentimento imbecil. Não percebem que com isso, realmente as coisas nunca andarão pra frente.
Antonio J Santos
A Palhaçada é tanta com o dinheiro publico.que me vem um cientista de diz que não foi um prejuizo... foi um avanço tecnologico.kkkk um avanço da porcaria de tecnologia cientifica que temos no brasil,a mesma tecnologia de cabral que nunca desligou dos paises europeus.fato ou não,cade o satelite ... nem tem capacidade para localiza-lo.deverse-i-a cobrar de todos os envolvidos e faze-los paga-los.pois grana teve.e ai ... ipva - iptu - imposto mais caro, para banca os gastos deste incopetentes.não foi prejuizo ... não foi não. palhaçada.ficar refem de tecnologia estrangeira .cobra dos cientista.pais sem lei ... é isso que dá.brinca com o dinheiro que não deles.cara que furia.
Arthur Novello
"Como bem dito: Triste perceber que uma bebida energética tem um programa espacial melhor que o do seu país." - Cardoso
Bruno Martins Santana
é o que dá Confiar em Produto Chinês !!! Da próxima vez vai comprar a Porra de um Foguete Russo !
portela.thiago
Nosso dinheiro foi para os ares e caiu nos mares...
Marcelo Prietsch
Ou então, ou então! "NÃO SE FAZ COPA DO MUNDO COM SATÉLITES ASSIM!"
Marcelo Prietsch
Brasil... China... Ninguém surpreso aqui.
Roberto Goes
não explodiu não , só se desintegrou... kkkk
Willian Carlos Dos Santos
Lá pelos anos 80 uma música do Ultraje a Rigor chamada {inútil} fazia mto sucesso com os seguintes refrãos: A gente ñ sabemos escolher Presidente, agente ñ sabemos escovar os dentes tem "gringo" pensando q nós é indigente. Hoje ele teria q acrescentar agente ñ sabemos tb lançar foguetes, fala sério....Rsrs
Agronopolos Macho Alpha
Se o nosso pais ao menos tivesse um plano espacial decente... (nem sei se temos um!)
Wellington Gabriel de Borba
Todas agências espaciais do mundo apresentam falhas nos lançamentos. Hora ou outra aparecem notícia de satélite da AE ou da NASA frustrados. Evidentemente, as pessoas que assistem tudo de maneira acrítica se esquecem disso, pois é mais relevantes essa síndrome de cão vira-lata do brasileiro. O problema no Brasil não é incompetência dos cientistas e sim financiamento, coisa que aqui muito mal acontece.
Bruno Di Castro
Mas acho que ficou meio óbvio que, apesar de todo o descaso do Governo Brasileiro com o projeto e todo o atraso, a falha foi do Governo Chinês, que ficou responsável pelo lançamento. Vale ressaltar que o projeto é uma parceria entre os dois governos.
Wescley Leal
Satélite Xing Ling não dá rs
Luan Yata
Made in China
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