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Financie isso: 1979 Revolution, um jogo que ensina história de uma forma bem autêntica

Renata Persicheto

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Nesta semana será quase impossível não falar de outras coisas que não os lançamentos dos consoles da nova geração. PlayStation 4 e Xbox One estão prestes a vir ao mundo e seus mínimos detalhes, antes limitados às linhas finas, começam a ser descobertos e debatidos. Incrivelmente, neste atual terreno infértil para novidades menos “importantes”, acabou florescendo um projeto bastante interessante – e ele quer a sua ajuda.

Se você gosta – ou não – de história, provavelmente vai querer saber qual é a de 1979 Revolution, projeto cuja campanha, que pede US$ 395 mil para ser fundada, foi lançada hoje (13) no Kickstarter.

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Idealizado por Navid Khonsari, que já trabalhou em séries como GTA e Max Payne, 1979 pretende ambientar o jogador no cenário da Revolução Iraniana com um clima de thriller/aventura/suspense/ação. Parece absurdo, mas a ideia bem diferente do que temos hoje em dia é bem intrigante.

Com cinematics utilizando gráficos semelhantes (aparentemente) aos de The Walking Dead, inspirado em HQs e prometendo uma narrativa madura, o jogo terá elementos históricos, baseados em documentários e pesquisas. 1979 contará a história do fotojornalista Reza, um visionário morador do Teerã, durante os dias da revolução, ocorrida no ano que dá título ao game. Reza perde um de seus primos durante a guerra e vira peça-chave na tentativa de despossar a monarquia do país.

O jogo será episódico e promete pelo menos duas horas por capítulo, que contarão com um casting bastante digno: os personagens principais são membros dos sets de Homeland e do vencedor do Oscar Argo. Ele também terá alguns minigames cotidianos, como tirar fotos e ajudar acidentados, além de trabalhar a coleta de materiais para averiguação e levar em consideração as decisões morais do jogador.

A cereja do bolo no meio de todas as particularidades do jogo é que 1979 foi idealizado e está sendo desenvolvido somente para dispositivos móveis. Exatamente, nada de computador, nada de nova geração. Por enquanto, somente tablets e smartphones poderão receber versões do game.

E a história ainda fica mais profunda. O enredo de 1979 foi inspirado na vida de Navid Khonsari, ou seja, o negócio é quase autoral. Navid conta na página da campanha que, aos 10 anos (em 1979), seu avô o levou às ruas do Teerã para que ele pudesse testemunhar o que acontecia em seu país. Sua família se mudou para o Canadá em 1980, mas as raízes permanecem. Por causa do jogo e das pesquisas para seu desenvolvimento, Khonsari é tido pela mídia iraniana como um espião, então seu acesso ao país foi bloqueado, impedindo-o de reencontrar sua família e levar seus filhos para conhecerem sua cultura.

1979

“Com as tensões contínuas entre o Oeste e o Irã, e depois com a Primavera Árabe e as revoluções tomando forma ao redor do mundo, eu senti que o tempo era propício e que havia uma oportunidade para destacar os temas universais das revoluções. Eu senti que poderia contribuir com a discussão de uma forma que seria envolvente, engajadora, importante e autêntica. Por virar as lentes do jogo para a Revolução do Irã de 1979, mais pessoas podem se engajar nas complexidades do momento e desanuviar a história e desmistificar definitivamente um povo e um país que não é muito compreendido no oeste”, diz o criador.

Depois disso tudo, eu nem consigo pensar em uma conclusão para essa notícia. Acho que toda a descrição do projeto fala por si só, né? Mas vamos lá:

Por que é legal? O autor está proibido de entrar em seu país sob acusações de espionagem, mas insiste no projeto mesmo assim. Sem contar que é uma maneira bem divertida de aprender história, não só iraniana, mas também a de revoluções em geral.

Por que é inovador? Quantos jogos por aí falam de momentos históricos do Irã? Quantos deles fazem isso após pesquisar muito, a ponto do criador ser banido do país?

Por que é vanguarda?  Mesmo com todo o contexto histórico e pesado, com minigames e elementos de grandes jogos, 1979 é desenvolvido apenas para tablets e smartphones.

Vale o investimento? Claro! O valor mínimo pedido pela campanha é de US$ 1, o que qualquer um com acesso à internet hoje em dia (mesmo que esteja no meio de uma lan-house) possui. Mas, se você estiver em semana de pagamento e quiser ostentar, dá pra doar US$ 1 mil e conseguir que sua imagem seja colocada no rosto de um dos membros da revolução.