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Cientistas trabalham em coração artificial que bombeia urina para dar “vida” a robôs

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A busca por soluções para problemas complexos muitas vezes resulta em pesquisas nada ou pouco convencionais. Esta, conduzida por cientistas da Bristol Robotics Laboratory, tenta criar uma espécie de coração artificial que bombeia urina. A ideia final é criar robôs ecologicamente corretos.

Dependendo do ponto de vista, a urina pode ser considerada uma fonte inesgotável (ou, pelo menos, abundante) de energia, uma vez que humanos (urina de outros seres não foi testada) precisam eliminar esta substância diariamente. A dúvida que fica é: como a urina pode alimentar robôs?

O truque, surpreendentemente, tem a ver com biologia. Quantidades específicas de urina passam por um tipo de bateria feito de células de combustível biológico. Estas são compostas por microrganismos que, ao “digerirem” os resíduos, levam à geração de eletricidade.

A corrente elétrica, mínima, passa então a um circuito que alimenta um condensador que, por sua vez, concentra energia até atingir um nível que a torne usável. De fato, a energia proveniente das células surge em quantidade ínfima, mas havendo uma grande quantidade delas, é possível produzir eletricidade suficiente para dar autonomia a um robô, garantem os pesquisadores.

Este é o EcoBot III, o robô onde está sendo testado o combustível oriundo dos humanos

Este é o EcoBot III, o robô onde está sendo testado o combustível oriundo dos humanos

Tudo muito engenhoso, mas no que esta técnica se parece com um S2 coração? Bom, se é para dar autonomia aos robôs, é necessário que estes recebam energia constantemente. Para este fim, os pesquisadores estão trabalhando em um mecanismo composto de “músculos artificiais” que podem, efetivamente, bombear urina às células.

Estes músculos aquecem quando recebem corrente elétrica e, consequentemente, se contraem, ejetando o líquido. Quando a corrente é cortada, os músculos voltam ao estado original e dão início a um novo ciclo.

Por enquanto, os cientistas estão utilizando uma bomba convencional – e menos confiável por se basear em um motor -, mas uma vez que o coração artificial tenha sido criado, restará desenvolver um reservatório de urina, por assim dizer, acessível. A primeira ideia que nos vem à mente são mictórios que impedem a urina de seguir para a rede de esgoto.

Pelo menos na teoria, a causa é nobre: gerar energia limpa para máquinas que poderão fazer tarefas importantes, como monitoramento de áreas contaminadas, por exemplo. Mas, com as mentes férteis que temos, é impossível não pensar em cenários como o de robôs criando humanos unicamente para manter a sua imprescindível fonte de energia.

Com informações: The Register