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Estúdios brasileiros de games fecham parceria com a Square Enix para publicar seus títulos

Projeto Amerika, da Hoplon, e Trivella, da Ilusis, foram os jogos abraçados pela publisher

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A Square Enix, produtora de Final Fantasy, resolveu pegar todo mundo de surpresa durante a Brasil Game Show 2013 ao anunciar uma parceria com duas produtoras brasileiras de jogos, a fim de colaborar na produção e publicar seus títulos.

Ao todo, cinco estúdios da América Latina entraram nessa dança, entre eles os mineiros da Ilusis Interactive Graphics e os catarinenses da Hoplon Infotainment. De acordo com o anúncio, a ideia da Square é – assim como fez com Final Fantasy, cuja proposta era ser um RPG para o público japonês – incentivar a criação de jogos feitos por latino-americanos e voltados para os jogadores latino-americanos.

Para saber mais sobre a iniciativa, o TB aproveitou a Brasil Game Show para conversar com Guilherme Loureiro, diretor de publicação da Hoplon, que explicou como aconteceu todo o processo até que a parceria fosse fechada.

Estande da Hoplon na BGS

Estande da Hoplon na BGS

De acordo com Guilherme, a relação entre Square e Hoplon começou no BIG Festival 2012, cujo intuito é ajudar os desenvolvedores nacionais a ganharem mais visibilidade na indústria de games, que aconteceu em novembro passado no Museu de Imagem e Som, em São Paulo. A companhia de Yasuhiro Fukushima esteve no Brasil para sondar o mercado para seu novo projeto, que consistia em produzir jogos personalizados para as culturas regionais, a fim de fomentar a indústria nacional.

A partir disso, o pessoal da Hoplon conseguiu uma reunião com a gigantesca companhia de Kingdom Hearts e a conversa se iniciou. O que ficou combinado com a desenvolvedora brasileira foi a produção de projeto para um RPG free-to-play, voltado para tablets e smartphones com Android e iOS, cujo roteiro conversasse com a cultura latino-americana.

A parceria com a Square Enix acabou trazendo bem mais ao estúdio do que somente a visibilidade. Guilherme Loureiro contou que o contato direto com uma empresa do porte da publicadora fez com que a Hoplon “tomasse um rumo”, deixando de ser uma produtora “de um jogo só”, que lutava apenas para conseguir retorno financeiro desse título. Além da melhora significativa no padrão de desenvolvimento, o convívio foi útil também para que a empresa se posicionasse melhor no mercado, valorizasse seu trabalho e tirasse do papel mais alguns jogos, como o MOBA Heavy Metal Machines e Minhokarts, que devem ser lançados em breve.

Tipo exportação

O jogo, apelidado até o momento de Projeto Amerika, foi aprovado e desde então a participação da Square Enix vem sendo ativa no desenvolvimento. A empresa acompanha diariamente o progresso da produção (de acordo com Loureiro, a responsável pelo gerenciamento de projetos da Square na America Latina, Sabrina Carmona, está em contato direto para dar suporte e coaching para a equipe da Hoplon) e entrou no jogo como co-investidora, mas sem fazer muitas ressalvas e dando total liberdade para que os brasileiros trabalhem no título como bem entenderem, desde que prezem sempre pela qualidade de som, imagem e roteiro.

Projeto Amerika, apesar da ideia inicial, não vai ser voltado somente para brasileiros. Pelo que diz a Hoplon, o jogo, que se passará em um universo de fantasia, terá elementos de toda a America Latina, além de alguns detalhes que rementem à cultura da America Central.

Conforme Guilherme contou, a história será assinada por uma roteirista de HQs brasileira “que ainda não podemos revelar”, indicada pela própria Square Enix. Para o enredo, estão sendo pesquisadas lendas e mitologias que fujam do estereótipo “brasilizado”, então dá para esperar monstros e fases inspiradas em partes bem específicas da cultura, como a lenda pernambucana da Perna Cabeluda.

Apesar de seu desenvolvimento em Unity permitir a portabilidade do jogo para diversas plataformas, por enquanto Projeto Amerika só está garantido mesmo para iOS e Android, embora haja estudos que possibilitem o lançamento também para portáteis, como o Vita ou o 3DS. O game será freemium e lançado no segundo semestre de 2014 em português e inglês, o que sugere seu lançamento também para os Estados Unidos.

Render de Trivella, da Ilusis

Render de Trivella, da Ilusis

Já o projeto da Illusis, conhecido até o momento como Trivella, vai levar o futebol às plataformas móveis. A ideia do game, também free-to-play, não envolve precisamente times ou jogar futebol em si: em Trivella, o intuito é gerenciar a carreira do jogador, desde os campos de futebol moleque, de várzea, até os grandes gramados. De acordo com o estúdio, o jogo, que deve ganhar um modo multiplayer, terá elementos de RPG e a evolução do personagem virá pelos itens e tarefas completadas.

Ambos os jogos devem chegar em 2014, e, mesmo publicados pela Square Enix, terão todos os direitos dos estúdios brasileiros preservados. Ou seja: vai ter logomarca da produtora de Final Fantasy ao lado da nossa bandeirinha do Brasil! 😀