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Dell fecha parceria de US$ 600 mil para introduzir mulheres ao desenvolvimento de jogos: qual é a importância disso?

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Em tempos em que o sexismo na indústria de jogos virou um assunto tão debatido, começam a pipocar iniciativas interessantes para tentar solucionar o problema. Embora a pauta já esteja sendo espremida até a última gota, o consenso a que chegamos, analisando brevemente a história da humanidade, é: independente da cultura ou do lugar onde você tenha nascido, assim como o azul representa os meninos e o rosa, as meninas, elas brincam de bonecas, enquanto eles jogam videogame.

Graças ao nosso senhor do bom senso, esses padrões vêm mudando e cada dia mais as mudanças vêm sendo melhor aceitas pela sociedade. Olha só: nesta quarta-feira, a Dell fechou uma parceria de US$ 600 mil com a Girl Scouts of the USA, uma organização filantrópica que visa ajudar jovens garotas a descobrirem e fortalecerem seus potenciais.

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A partir do programa Journey and Connect Through Technology, a empresa quer incentivar o crescimento da população feminina no mercado de jogos, abrindo portas para as participantes do programa buscarem áreas com que melhor se identifiquem dentro do desenvolvimento de games. Além da possibilidade de conhecer melhor as carreiras de ciência, tecnologia, matemática e engenharia, as meninas serão incentivadas a ter um pensamento crítico em relação ao que é feito atualmente pelas produtoras de jogos.

Como primeira etapa do programa, a Dell lançou o Be the Video Game Developer, um site onde pode-se criar um minigame em que noções básicas da programação de jogos (cronologia de história, escolha de personagens e sonoplastia, enredo e construção de código) são introduzidas.

Segundo o que foi dito, também serão feitas discussões sobre inovação e novas ideias para a indústria de jogos, além de tentar traçar quais habilidades as garotas precisam para seguir carreira no ramo.

“As garotas de hoje em dia são ‘nativamente digitais’, tão confortáveis em frente à telas de computador e smartphones quanto adultos. Be the Video Game Developer permite que as meninas entrem fundo no mundo da tecnologia, aprendendo novas habilidades vitais e descobrindo sua própria criatividade. (…) Girls Scouts e a Dell estão em uma parceria para criar uma experiência de aprendizado que deverá trazer mais garotas para esses revolucionários novos campos”, disse Anna Maria Chávez, CEO do GSUSA.

O site é bem dinâmico e cada parte do processo de criação do jogo vem bem mastigado, de uma forma bem lúdica. Você pode dar uma olhada no Be the Video Game Developer aqui.

Mas sabe por que isso é legal?

Recentemente, escrevi aqui no TB um pouquinho da história de Jennifer Hepler, a ex-roteirista de Dragon Age que, junto de sua família, sofreu ameaças de morte dos fãs mais fervorosos da franquia que não concordavam com as inserções feitas por ela na último jogo da série.

O caso de Hepler não foi isolado. Nesta semana, a turminha da zoeira da internet resolveu atacar Carolyn Michelle, do site Gamespot, por ter analisado o lançamento GTA V e destacado entre seus pontos negativos a misoginia. Choveram reclamações de que este seria um exemplo claro de por que uma mulher não deveria tocar em jogos evidentemente masculinos, além das piadinhas bem desnecessárias sobre sua condição sexual.

Anita Sarkeesian, uma feminista canadense, já havia passado por um tipo semelhante de discriminação. Ao ressaltar na série Tropes vs. Women in Videogames os problemas do sexismo presente nos jogos, como nos estereótipos de “donzelas em perigo” ou de prostitutas, a blogueira arrecadou uma base enorme de desafetos, ganhando “homenagens” como um estúpido jogo em flash que consistia em acertar seu rosto com socos.

Essa condição implícita de que videogame não é lugar pra mulher faz parte de uma cultura atrasada que, até que enfim, vem tentando ser combatida. É difícil, nós sabemos. Assim como muitas pessoas ainda acham estranho ou julgam a sexualidade de um homem maquiador, outras tantas vão olhar torto para uma mulher na indústria de jogos. E não só para elas – o problema também atinge os homossexuais envolvidos no meio.

Um programa como o da Dell, embora não seja global, já ajuda muito a diminuir o estigma de que videogame é coisa pra homem e que mulheres só devem se contentar com jogos de panela. Agora é torcer e se mexer para que outras empresas grandes tenham iniciativas tão boas quanto, contribuindo para que cada vez mais esse tipo de preconceito infundado seja extinto.

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Yuri Costa
Esses machistas são o lixo da sociedade, amearçaram até a família da mulher de morte o.O
Dime Costa
Poxa, o GTA V tem 3 personagens, pq não podia ter uma mulher entre eles? Ia ficar da hora.
gabilimalima
Olha, eu entendo perfeitamente que existe uma questão biológica envolvendo diferenças em habilidades naturais dos sexos (tipo, facilidade em exatas ou humanas etc), mas os exemplos do bullying do texto envolviam áreas de storytelling e de reviews.. Não tem como negar que, ao mesmo tempo que parte dos homens adoram ver mulheres jogando e as consideram igualmente capazes, outra parte acha que elas não tem condições de ser boas programadoras e game designers por puro determinismo. Se um cara comete um erro, é pq ele é ruim. Se uma mulher comete um erro, é pq ela é mulher e não serve pro trabalho.
danimaiochi
piada baduts do artigo "...mulheres só devem se contentar com jogos de panela"
gokernel
A dell parece que já sacou... entendo que o sex feminino leva vantagens em algumas áreas comparado ao sexo masculino, entre esses: Detalhes, cores ... Na maioria das vezes peço a opinião de minha querida esposa em uma área que acho que ela seria melhor ... agora na parte financeira/administrativa/ fica comigo para o barco nao fundar ;)
William Bannach
Homens na veia, mulheres na cadeia (cozinha). Brinks (seria excomungado kkkkkk).
Ibraim A. Lima
Inclusive o Tecnoblog aumentou e muito o número de 'autoras', hein?
Leo Ferreira
acho q os homens continuarão a desenvolver "games masculinos" onde O herói é homem, usa uma puta armadura e se houver mulher guerreira, ela tem umas tangas e atira umas flechas! kkkkkk SE for a do Desenho da disneY, o BRave, se não me engano, até vai, mas particularmente, seria interessante ver uma quebra de estereótipo se houvesse uma mulher no GTA, mas pode apostar q fatalmente, mesmo se ela fosse "do mal", seria uma vilã sensual´ssima, do tipo q todo cara se derreteria para transar com ela e seria morto nesse esquema...
Marcelo Costa
acho que uma coisa que pode ter contribuído para esse desinteresse, Richard, foi o próprio posicionamento da indústria. eu me lembro das propagandas antigas do NES, que se dizia "entretenimento para a família", com imagens sempre de moleques jogando vídeo-game... como se fosse algo exclusivamente masculino... e acho que os títulos eram direcionados ao público masculino. demorou um pouco pra cair a ficha que as meninas também eram um "mercado em potencial". http://www.vintagecomputing.com/wp-content/images/retroscan/nesfamily_large.jpg
Américo
Concordo, em partes. Citar um ou outro exemplo é muito complicado, porque vc citou um (ou três) exemplos, mas quantos pode cita de homens bons enxadristas? Eu acredito que cientistas e matemáticos sejam exemplos mais preciosos pois, na altura do bacharelado em matemática, existam números parecidos de homens e mulheres. Mas aquele matemático realmente absurdo, é muito mais homens. Entretanto, as mulheres bacharéis se envolvem com questões do que se convém chamar matemática aplicada. E se sustentam nessa área muito melhor que homens. Daí meu ver que talvez por questões biológicas, existam sim áreas mais proeminentes para homens e mulheres. Nenhum dos casos serve para 100% da população. Sempre haverá a exceção da regra. Mas exceções são raras e é aí que entra a população como todo. Não sei se me fiz compreender, mas, enfim.
Richard Mathias Aguiar
Seja bem vinda Juliane, também sou desenvolvedor de jogos, tenho um game lançado recentemente na appstore e na playstore. Se precisa de ajuda é só me adicionar: https://www.facebook.com/richardmaguiar twitter @richardmaguiar gtalk: [email protected] skype [email protected] turbosend: www.turbosend.net/richard
Juliane Macedo
Eu sou desenhista e meu sonho sempre foi ser game designer *o* Jogo tudo quanto é jogo dsede fedelha, até mesmo os mais violentos, e amo muito jogos fofinhos. Estou fazendo curso para criação de games e espero que em breve já possa comercializar meu próprio game.... e espero que gostem. rss
Marcelo Costa
acho que uma prova cabal de que raciocínio lógico independe do gênero é o caso das irmãs Polgár... três irmãs criadas pelo pai para se tornaram grã-mestres de xadrez. as Polgár macaram a história do xadrez, vencendo diversos ex-campeões do mundo, como o Kasparov e o Karpov...
Richard Mathias Aguiar
Mais uma vez essa bobagem de sexismo na industria de vide games. O sonho dos meninos desde a época do Atari é que as meninas gostem de video games como nós. Agora se eu jogo Street Fighter e você Candy Crush é outra estoria. Esse papo que a culpa é nossa é pura bobagem, as meninas nunca gostaram muito de video game. E os fato delas não gostarem de video games afeta a disponibilidade delas nesse mercado. Trabalho com tecnologia faz mais de 20 anos e sei como é difícil ter mulher nesse mercado, quanto mais no de games. É puro desinteresse feminino.
Américo
Permita-me tecer alguns comentários sobre a questão: - Jogos em que se dão socos na cara de alguém são tão comuns quanto tower defense (talvez mais). Obama, Dilma e até o papa Bento XVI (Francisco ainda não teve a honra, pelo menos que eu saiba) já tiveram o seu. E por motivos nobres ou não, prefiro que se expressem dessa forma do que dar socos reais; - Acredito sim que existam atividades mais femininas e atividades mais masculinas. Não, não falo de pedreiro e motorista, nem doméstica nem babá. Falo de atividades que envolvam algum tipo de facilidade por questões hormonais ou mesmo tato que a mulher tem para algumas áreas e os homens para outras, pelas questões que o que se chama de instinto (homens e mulheres tem instintos diferentes em vários aspectos). E acredito que, como roteirista, arte finalista e diversas áreas do desenvolvimento de games, as mulheres levem vantagem sobre os homens. Já sobre programação, algumas pesquisas apontam que os homens tem mais lógica em seu ser (até por isso há muito mais matemáticos daqueles nível Sheldon homens do que mulheres), embora outras pesquisas indiquem que a lógica independe do gênero e é algo que desenvolve-se quase que exclusivamente por interações externas (nem genética ajudaria muito, nesse caso); - Muito da misoginia citada, não só nesse jogo, como também em outros, fazem parte do game por estar ainda muito cravado na nossa sociedade. O jogo, na maioria, tenta colocar realidade (principalmente GTA). E o sexismo e a forma como homem enxerga a mulher e a mulher enxerga o homem ainda é envolta por preconceitos, o que parece mais preceitos sociais, em alguns casos. No mais, qualquer alternativa para incentivar mais pessoas em qualquer área profissional, em qualquer lugar do mundo, independente de gênero, sexo, opção sexual, cor, credo ou número de cabelos na cabeça é válida.
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