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ACIGAMES inaugura filial em Miami

A conquista de um novo território pelas mãos de Moacyr Alves se fazia realmente necessária ou será apenas mais uma das vitórias do Jogo Justo?

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Você muito provavelmente já deve ter ouvido falar da ACIGAMES (Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games). Como sugere o nome, a associação, presidida por Moacyr Alves, busca uma mudança de visão dos jogos dentro do Brasil. Uma das responsáveis pela bem-intencionada, porém não tão bem-sucedida campanha do Jogo Justo, que pretendia vender títulos com taxas reduzidas de tributação, a ACIGAMES vem trabalhando na surdina e anunciou ontem sua expansão para uma nova sede, localizada em Miami.


Inaugurado nesta última quarta-feira (14), o escritório quer facilitar o relacionamento de seus associados durante eventos realizados nos Estados Unidos, bem como “a realização de pesquisas de mercado, buscando os melhores canais de marketing para lançamento de produtos brasileiros, sugerindo parcerias e indicando os melhores canais de distribuição e ainda, a busca por melhores publishers, o estudo das melhores propostas e a assessoria na área jurídica. “, segundo consta na página oficial.
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A Acigames surgiu no Brasil em 2010 prometendo ser uma força a mais para toda a indústria de jogos do país, o que, em teoria, incluiria desenvolvedores independentes e todas as vertentes relacionadas aos games. Mas não é bem assim que as coisas funcionam na prática. O tom de “pelo menos alguém está fazendo algo pelos jogos” soa forçado, uma vez que ainda não conseguimos ver algum resultado impactante nesse nicho – salvo por um ou outro desconto de tributação – o que favorece apenas lojistas e o consumidor final.

Mas o Brasil tem cada vez mais estúdios independentes sendo reconhecidos, fazendo trabalhos sensacionais (estão aí o Behold Studios e o Miniboss, pra confirmar) e se virando com muito pouco (ou quase nenhum) apoio de instituições que garantam algum retorno ou mesmo uma boa campanha de divulgação de seus jogos. Recentemente, o estúdio SwordTales, responsável pelo jogo Toren, conseguiu o apoio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura, que permite que jogos digitais e outras produções audiovisuais sejam apoiados através da captação de recursos de empresas apoiadoras, mas esse vem sendo um caso bem isolado, até agora.

E onde a nova sede da Acigames – ou mesmo sua filial brasileira – entram nesse meio? Isso mesmo, ninguém sabe.

Talvez falte determinar um foco para a associação, que tem se voltado a fechar parcerias pelo mundo – o que explica a necessidade de uma nova sede – mas sem mostrar onde está realmente chegando, enquanto poderia, em minha humilde opinião, estar se mostrando mais acessível e parceira do cenário atual dos jogos no Brasil. Baixar os preços dos jogos já fabricados é importante e é fato que a ideia agrada muita gente, mas em termos culturais, valorizar os artistas e os produtos feitos em nosso país não seria muito mais coerente?

De qualquer forma, agora o Brasil tem também em terras internacionais alguns representantes interessados na questão, o que pode ser muito bom, do ponto de vista otimista da coisa. No que isso vai dar? Continuemos aguardando os próximos capítulos.

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Ayslan Dielf
Não consigo ler sobre a ACI Games e achar que é só mais um empresa que ganhar dinheiro por trás de uma politica de "Quero o melhor para todos nós"... Só me vem a cabeça ACI Games = Politica = mesma merda que se encontra o setor
Richard Mathias Aguiar
Recentemente lancei um jogo para iOS: http://goo.gl/REji1y e Android: http://goo.gl/n6tQKx chamado Pet's Racing. Quero muito entender o papel da ACI Games nesse mercado e que vantagens eu teria em me associar.
Diogo Ramos Gutierre
Concordo, uma coisa que parece bonita de repente parece apenas um projeto pessoal que beneficia poucos.
Paulo Cesar Pc
Moacir & Aci Games a cada dia mais ricos. :)
Charles Albert Martins
Ficar de olho pra esses caras não cagarem a distribuição digital para facilitar a vida das grandes lojas de jogos físicos, que é provavelmente a intenção real deles.
Felipe Machado de Sant'Anna
Fico chateado ao saber que a campanha Jogo Justo, até o presente momento, só serviu como trampolim político e facilitador de "networking" em relação aos seus responsáveis. Tudo bem que 3 anos não são suficientes para quebrar todos os paradigmas envolvendo o custo de produção e venda de jogos no Brasil, porém já é um tempo considerável para que ao menos pudéssemos observar indícios de mudanças (o que não aconteceu até hoje).