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Para a Qualcomm, processadores móveis octa-core são burrice

Emerson Alecrim

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Sendo uma das principais fabricantes de CPUs para dispositivos móveis da atualidade, a Qualcomm não poderia deixar de responder aos recentes anúncios de chips octa-core para este mercado. Só que esta resposta veio em forma de crítica (e das pesadas): para Anand Chandrasekher, vice-presidente da companhia, processadores de oito núcleos, do jeito que estão sendo anunciados, são “burrice”.

A declaração tem claramente como alvo a MediaTek, que anunciou no mês passado o True Octa-Core como sendo um chip móvel capaz de utilizar todos os seus oito núcleos simultaneamente, ao contrário do recém-atualizado Exynos 5 Octa, da Samsung, que possui quatro cores Cortex-A15 e outros Cortex-A7, mas alterna entre eles dependendo do nível de exigência de processamento.

Apesar da rivalidade apresentada, o True Octa-Core é um projeto semelhante ao Exynos 5 Octa. A principal diferença é que o novo chip terá uma variação estrutural para permitir que todos os núcleos trabalhem ao mesmo tempo, sendo possível também, de acordo com a MediaTek, desativar alguns deles quando não houver processamento pesado.

MediaTek True Octa-Core

Para a Qualcomm, esse esquema aí é “burrice”

Mas, na visão de Chandrasekher, fazer um processador funcionar assim é uma maneira de demonstrar “baixo nível de engenharia”. Em bom português, é uma gambiarra. “Você não pode pegar oito motores de cortadores de grama, juntá-los e então afirmar que tem uma Ferrari de oito cilindros. Simplesmente não faz sentido”, disse.

O executivo justificou seu ponto de vista dizendo que a Qualcomm tem como foco a experiência do usuário. Assim, os chips da empresa são desenvolvidos levando-se em conta não só o desempenho, como também fatores como autonomia da bateria e preço acessível.

Sim, isso significa que a Qualcomm não pretende lançar um processador octa-core, pelo menos não nos próximos meses, como a rival. Neste sentido, Anand Chandrasekher deu mais uma alfinetada: “quando você não consegue desenvolver um produto capaz de atender às expectativas, talvez veja este como o momento para adicionar mais núcleos. (…) Esta é uma maneira estúpida de fazer as coisas e creio que os nossos engenheiros não são estúpidos”.

A MediaTek não ficou em silêncio, mas não respondeu no mesmo tom de agressividade. A empresa se limitou a dizer que o seu processador octa-core é apenas uma de suas últimas iniciativas em tecnologia e inovação. A companhia declarou também que o chip terá capacidade otimizada de realizar multitarefas e, ao mesmo tempo, melhorará notavelmente a experiência das aplicações.

Não é preciso ser engenheiro para saber que os argumentos da Qualcomm são válidos. Mas, uma vez que é a MediaTek que está usando a questão dos oito núcleos como marketing, o ônus da prova é todo dela. Em 2014, quando os primeiros dispositivos com o True Octa-Core chegarem ao mercado, a gente saberá qual lado tem razão nesta história toda.

Com informações: TechHive