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Feliz por não saber

Bia Kunze

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Nesse início de ano, enquanto organizo móveis, eletrodomésticos e faço uma limpa em armários e prateleiras, um ato é curioso para muita gente: estou me desfazendo do último aparelho de TV, que estava encostado num canto há muito tempo, criando teias de aranha.

Pois é! Por pura falta de uso, cheguei à conclusão que TV aqui em casa é algo desnecessário, já que nem eu nem meu marido temos o hábito de assistir. Só sobrou um monitor grande da Samsung, que fica lá na sala ligado ao mediacenter, onde assistimos filmes, DVDs e eventualmente um seriado.

Mas engana-se quem acha que somos ratos de internet, daqueles que se alimentam de vídeos online ou deixam o computador ligado o dia todo, baixando torrents sem fim. Só assistimos aos episódios de The Office via iTunes e os DVDs da locadora do bairro. Mas gostamos muito de cinema – o da tela grande mesmo – e, para 2010, definimos a meta de frequentar cinemas semana sim, semana não. Ainda mais agora, com o 3D bombando e as 2 salas IMAX em Curitiba e São Paulo. Ok, IMAX não é para ir sempre, pois o ingresso é salgado. Mas ver Avatar no último fim de semana em IMAX, 3D (legendado!) e com assentos marcados (uh-huuu!) definitivamente me empolgou. Foi uma das melhores experiências em termos de entretenimento que tive nos úlitmos anos!

Muito antes dessa constatação, TV já estava caindo em desuso gradual há pelo menos 5 anos. Nunca fui lá muito chegada, seja na programação aberta ou TV a cabo (cara e de péssima qualidade), preferindo o rádio para me informar. Em casa temos 3 aparelhos de som, onde também plugamos nossos iPods para ouvir música e rádios, tradicionais ou online. Ganho muito tempo me informando com áudio, algo que posso fazer dirigindo ou cuidando dos afazeres domésticos. Estou antenada com notícias que realmente me interessem.

Mas conforme as já parcas horas defronte à telinha diminuíam, mais aumentava o número de livros lidos. Fechei 2009 com 31 livros lidos! E agora com o Kindle, ninguém me segura: vou ganhar muito tempo (e economizar uns dindins) sem o frete internacional da Amazon.

Nessa era da informação, é preciso saber filtrar o que chega até nossos olhos e ouvidos. A mídia de massa não traz informação de má qualidade só na TV, agora ela também está na internet, onde é mais fácil ainda dispersar-se ao trabalhar ou estudar. As 3 grandes pragas do entretenimento moderno – programas de auditório, reality-shows e pseudo-jornalismo – já se alastraram de maneira irremediável na web.

Se você é do tipo que não liga para isso, que “se mata a semana inteira e quando descansa em casa quer mais é mesmo se alienar defronte a TV ou a internet”, saiba que sua própria saúde está em risco. Recentemente li vários papers de um consagrado neuropesquisador sobre o mal de Alzheimer – uma parcela significativa de meus pacientes possuem a doença. E as conclusões são chocantes: o mau entretenimento é extremamente danoso ao cérebro!

Explicando melhor: sabe-se hoje que manter o corpo e mente ativos na vida adulta e 3ª idade é fundamental para evitar doenças degenerativas cerebrais, como o Alzheimer e demências como um todo. Os cientistas enfatizam que a leitura e os trabalhos manuais são a ginástica do cérebro. E, em contrapartida, o entretenimento de má qualidade e a passividade da mente são tão nocivos quanto o sedentarismo físico.

Os Titãs tinham razão! 🙂

Você ainda está em tempo de mudar isso. Livros nunca estiveram tão acessíveis. E para não viciar seus pequenos em entretenimento imbecilizante, afaste-os das Xuxas e Didis da vida. Os resultados são rápidos, e se refletem no desempenho escolar global. Quem lê bastante desde criança aprende tudo sem esforço, desenvolve raciocínio lógico e opinião e tem boas notas em todas as matérias.

Cuidado também com o conteúdo idiotizante na internet, os virais absurdos e sem sentido, e a vergonha-alheia nas redes sociais. (Aliás, nesse caso, o que certamente vai acontecer é uma vontade absurda de ir morar em outro planeta…)

A idéia desse artigo me veio à mente agora nas festas de fim-de-ano, quando somos jogados nas indefectíveis reuniões de família e eventos das empresas. Minha sogra mencionou a mega-sena mega-acumulada, que nem eu nem meu marido havíamos tomado conhecimento. Aliás, também não sabíamos quem era o tal do “Pedro do chip”. Nós dois boiamos quando o assunto é novela, seriados norte-americanos, reality-shows, modinhas da internet, músicas trash do momento e jornalismo de celebridades. Não basta dizerem que Fulano está namorando Beltrana. A gente nem sabe quem são esses seres! E olha: fico feliz por não saber.