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Netbook e 3G: fenômenos brasileiros em 2009

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Internet móvel 3G e netbooks possuem muitas semelhanças. Nas alegrias e nos desgostos.

Para começar, são as duas tecnologias que brilharam no Brasil em 2009. A aquisição de aparelhos e modems 3G não pára de crescer. Em setembro, a Cisco relatou, em pesquisa, um aumento de 34% nas conexões móveis em relação ao semestre anterior. Ao contrário do que muitos imaginam, hoje 76% das conexões móveis são para uso pessoal, residencial, contra 23% do setor corporativo.

O fenômeno brasileiro é sui generis. Com a banda larga móvel, nem sempre é pura mobilidade o que os brasileiros buscam. O serviço veio a preencher uma lacuna de mercado, compensando as deficiências de território da banda larga fixa convencional. Apesar de terem cumprido suas metas com a Anatel, as operadoras ainda mostram enormes falhas de distribuição, baixa concorrência e preços elevados, dificultando a homogeneidade da inclusão digital por todas as regiões do país. Nesse ínterim, o 3G levou a internet de maneira mais democrática a pessoas até então desplugadas não por opção, mas por falta de disponibilidade.

Nossa adoção é representativa, mas ainda falta muita coisa. Se considerarmos nossos vizinhos da América Latina, então, os números são até vergonhosos. Apanhamos feio de argentinos e chilenos no acesso à informação e educação pelo meio digital.

Os netbooks trilharam um caminho parecido. Esses laptops super pequenos, leves, e de baixo poder de processamento, foram a salvação de grandes empresas de TI em tempos de crise. Crise, aliás, pouco refletida no Brasil em termos de vendas de terminais.

Enquanto em muitos países os netbooks se tornaram uma excelente opção como segunda máquina de profissionais móveis, estudantes e viajantes, no Brasil eles ganharam visibilidade maior na classe C. Foram vistos como opção para o primeiro computador de muita gente. O baixo custo é o principal atrativo, que, por sua vez, puxou para cima também a venda de modems para internet móvel. Pessoas até então restritas ao acesso web no trabalho, escolas ou terminais públicos, passaram a contar com seu próprio dispositivo.

Quando a lua-de-mel acaba…

Não é segredo algum que os serviços 3G estão muito aquém das expectativas em termos de qualidade.

Campeãs de queixas em entidades de defesa do consumidor, as operadoras ainda não nos deram explicações ou compensações pelos serviços ruins prestados. Os preços não caíram (ao contrário, em média aumentaram desde o advento dos primeiros planos de internet móvel do mercado em 2005) e o pós-venda continua ineficiente, mesmo após o vigor da lei do callcenter. Se servir de consolo, as operadoras também amargam altas taxas de insatisfação na Europa e EUA. A diferença é que há competitividade, e nesses lugares, as pessoas não pagam tanto quanto aqui. Temos a internet mais cara do planeta.

Os netbooks, mais uma vez, compartilham semelhanças. Uma pesquisa recente divulgada nos EUA há alguns meses mostrou que apenas 58% das pessoas que compraram esses portáteis mostraram-se satisfeitas com o desempenho dos equipamentos.

O barateamento dos netbooks atrai, muitas vezes, o público errado a esses equipamentos. Não temos números oficiais, mas é bem provável que o mesmo descontentamento esteja ocorrendo no Brasil, já que as limitações técnicas dos aparelhos parece ser simplesmente ignorada pelo comércio. Grandes varejistas vendem netbooks de marcas populares, como os da Positivo, a preços muito atraentes, mas os anunciam simplesmente como “notebooks”.

Tenho tido cada vez mais contato com pessoas que se dizem insatisfeitas e até lesadas com esse tipo de portátil. Mesmo geeks que se empolgaram com a novidade num primeiro momento esfriaram, ainda que esses mini-laptops estejam ganhando hardware mais poderoso.

Não é raro ver consumidores abandonando desktops ao comprar netbooks, um erro terrível. Infelizmente, esses mini-laptops não foram feito para atividades que exijam mais memória e processamento. A maioria sequer possui leitores óticos para CDs ou DVDs, mostrando claramente que seu objetivo é outro. Como o nome diz, “netbook” serve para proporcionar maior liberdade e mobilidade no acesso à web: páginas da internet, emails, serviços online. Em boa parte desses dispositivos, música e vídeo devem passar longe, já que com 4, 8 ou 16 GB de armazenamento quase nada pode ser feito. Os processadores e memória mais exíguos também limitam o uso de vários programas simultâneos.

Netbooks nasceram, como dito anteriormente, como um dispositivo a mais para usuários que demandam muita mobilidade. Cabem em qualquer bolsa, despistam gatunos, são versáteis nas interfaces de acesso à internet e possibilitam mais conforto de tela e teclado para aqueles que querem um pouco além de seus smartphones.

É irônico que os dois ícones digitais do país em 2009 possuam, ao mesmo tempo, percepções semelhantes em termos de adesão ou descontentamento. O que foi responsável por isso? Pouca informação? Publicidade enganosa? Falta de rigor de entidades que deveriam fiscalizar a prestação de serviços? É bem provável que seja um pouco desses três itens, já que, assim como o 3G e o netbook, eles também são fenômenos tipicamente brasileiros.

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Rodrigo
O problema é sempre a falta de informação. Conheço gente que comprou netbooks para ficarem ligados em casa, o dia inteiro. E gente que insiste em rodar jogos pesados e fica reclamando pelos fórums que os portáteis não vem com placa aceleradora e nem dvd. Eu tenho desktop em casa, um notebook DualCore que é o segundo micro doméstico, e um netbook Positivo 1050, com modem 3G da Brt/Oi. Este último sempre me quebra o galho em viagens e até dentro do ônibus. Uso estritamente para acessar internet, ler webmails e baixar fotos e filmes da câmera, quando estou longe de casa. Agora já tenho dois smartphones (eu e a esposa), e já estamos indo para outro patamar: abandonar o modem 3G e usar os celulares. Não fosse a falta de teclado e a tela pequena, eles quase substituiriam o netbook.
Carlos Araujo
Realmente Netbook e serviço de Internet móvel 3G foram disparados fenômenos brasileiros em 2009. No meu caso um positivamente e outro negativamente. Não estou satisfeito com o serviço 3G que uso. Tenho tido muita dor de cabeça. Durante 2008 e 2009, apenas usei plenamente banda larga móvel [em algumas áreas] em São Paulo, Recife e Olinda-PE. Não consegui conexão satisfatória em toda Paraíba e nem no Oeste da Bahia e parte de Goiás, áreas em que atuo. Sem contar que minha operadora corta a velocidade do serviço quando atinge determinada quantidade de dados. Já perdi as contas das vezes que liguei cobrando qualidade na prestação de um serviço que não existe em toda sua plenitude. Quanto ao Netbook, aderi plenamente a nova onda dos ultraportáteis. Comprei um com configuração de 2GB de RAM e 160GB de HD, wifi, bluetooth e leitor de cartão de memória. Há tempos que aposentei o CD/DVD ROM. Meu netbook tem me servido bem no que quesito navegar, usar software para apresentações e ler livros em PDF. É isso!
zeroleo
3G é pura enganação, apesar da cobertura da tim na cidade de são paulo ser satisfatoria, (pelo menos por onde eu ando), a verdade é que a velocidade da conexão esta muito longe do que podemos chamar de banda larga. Sobre netbook, comprei o meu de curioso e acabei me amarrando no bichinho, um Acer Aspire One A150. Apesar de todo mundo dizer que é uma maquina fraca e bla bla bla, eu insisto em rodar meus velhos companheiro de trabalho, fireworks, photoshop e Flash em versão CS3 e alguns games, como CS e Quake 3 arena.
Vagner Aniceto
Realmente a situação do 3G, pelo que pude constatar com minhas experiências, é triste mesmo. Quatro estados (RJ, SP, PR e BA) e quatro operadoras sem uma experiência realmente satisfatória. Não dá pra contar com isso pra trabalhar. Quanto ao netbook estou satisfeito, é leve o bastante para carregar para qualquer lugar, não uso mais mídia ótica há milênios, e tudo de mais pesado é feito nos desktops em casa ou na empresa. Como foi barato (~R$ 1mil), o investimento se pagou rapidamente. Não penso em comprar um 'notebook de verdade'.Mas tenho que admitir que não serviria como meu único computador, mesmo este, que veio de fábrica com 2 GB de RAM e HD de 160 GB.