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Por um triz

Quatro grandes teles dão início no 4G aos trancos e barrancos

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Promessa era de velocidades de até 100 Mb/s

Tem gente que acorda cedo, toma um bom café da manhã, desfruta o banho demorado e sai de casa a tempo de pegar o transporte coletivo – seja ônibus ou metrô – e ainda chegar no trabalho antes do chefe. E tem gente que acorda trinta minutos antes do expediente, só troca de roupa e sai correndo torcendo para que não ocorram atrasos no trajeto até o escritório.

Nossas operadoras de telefonia fazem parte do segundo grupo que descrevi ali em cima.

Ao longo deste trinta de abril, não uma, mas duas operadoras fizeram eventos para jornalistas e convidados com o objetivo de anunciar novidades. Tanto a espanhola Vivo, como a italiana TIM, revelaram hoje os planos para a exploração do 4G LTE no Brasil. Coincidência? Muito pelo contrário.

Você provavelmente vai se lembrar bem, assim como eu me lembro, de um artigo escrito por mim sobre o dia em que a FIFA definiu o futuro da rede de quarta geração no nosso país. Aqui está o link para provar. Naquele dia, 8 de novembro de 2012, a entidade máxima do futebol mundial decidiu quais cidades iriam sediar a Copa das Confederações, evento que precede o aguardado (ou não) mundial de 2014.

Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife e Salvador, além do meu Rio de Janeiro, foram as escolhidas. Destaque para a ausência de São Paulo na lista da FIFA. E com isso, com essa lista de cidades-sede, as operadoras tiveram de correr para se preparar e instalar o 4G a tempo das partidas de futebol que já estão ali, na esquina, quase acontecendo. Por imposição da Anatel.

Apenas mais um episódio do planejamento torto que o Brasil vem apresentando para os grandes eventos, como todos cansamos de ver nos noticiários. No caso do 4G, a situação se complica um tanto mais porque o 3G está saturado faz tempo. Ainda assim, não adianta colocar seu belo cavalo na chuva. Esse LTE que as operadoras estão apresentando, com a Vivo e a TIM chegando por último hoje, no prazo máximo definido pela Anatel, está aquém do que se esperava. Não sou eu quem diz; é o Instituto ProTeste de São Paulo, especializado em defesa do consumidor. Eles emitiram um comunicado oficializando a propaganda enganosa que se tornou a quarta geração de telefonia. De acordo com o órgão, todas as quatro grandes operadoras instalaram as antenas e o equipamento nas cidades-sede. Falta saber quantos são os “sites”, como chamam as localidades que permitem ampliar a cobertura da rede.

Reza a lenda que a cobertura é minúscula. Para inglês ver mesmo, pois os brasileiros ainda ficarão distantes das supervelocidades que o 4G LTE em tese promete.

E tem mais. Se você for consultar os contratos de telefonia móvel, perceberá que todos eles têm algo em comum. Claro, Oi, TIM e Vivo – todas elas – fixam a velocidade de download das conexões de quarta geração em 5 Mb/s. Ora, ora, cadê a internet tão rápida que daria para comparar a um jato supersônico? Pois é, meu amigo. Este jato não existe e nós ficamos a ver navios. Daqueles bem porcaria. Pode até ser que cheguemos a velocidades de 40 Mb/s ou mais. No contrato, que é o que vale para fins jurídicos, nenhuma operadora teve a coragem de escrever uma velocidade razoável para o dinheirão que os consumidores vão desembolsar pela velocidade a mais. Mandaram o texto para o jurídico, que fez o favor de colocar nos conformes – conforme os interesses das teles.

E não se esqueça dos aparelhos. Provavelmente este que você tem no seu bolso ou do lado do seu PC não é compatível com a quarta geração. Enquanto isso, a Samsung levou jornalistas ao Rio de Janeiro para lançar o Galaxy S4 no país – nosso Paulo Higa foi. O modelo compatível com as frequências do LTE brasileira custa a partir de R$ 2.500. Muita grana. Outras ofertas devem vir assim também, com preço inflacionado para pagar os investimentos na rede.

Ao menos o 4G começou a sair do papel. Para quem duvidava de sua existência, ao menos seis cidades no país possuem esse tipo de conexão, de alguma forma, nem que seja com uma pequena antena nos cafundós de uma rua qualquer.

Começa agora a fase de ampliação dessa rede. E o mais importante: dos testes. Cá no TB, já estamos nos preparando para colocar essa tecnologia a prova. Participamos de alguns experimentos no passado, mas eram em situações que não se comparam ao uso real da telefonia móvel: num ambiente controlado da Claro em Campos do Jordão (SP) e na Campus Party patrocinada pela Vivo. Vejamos como as quatro grandes teles se comportam a partir de agora.

Hoje foi só o começo. E quer saber? Foi por um triz.

S4: compatível com 4G por R$ 2.500

S4: compatível com 4G por R$ 2.500