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PureView não é sinônimo de muitos megapixels

CEO da Nokia explica que conceito diz respeito a fotografias melhores no celular.

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Como sabemos, a Nokia revelou ao mundo dois smartphones rodando Windows Phone 8. O Lumia 820, mais simples, deve chegar como um produto básico ou intermediário. Destaque mesmo vai para o Lumia 920, com direito a carregador sem fio (utiliza indução) e câmera com tecnologia PureView. Quer dizer que os consumidores têm os 41 megapixels do Nokia 808 em um aparelho mais avançado? Não exatamente. PureView não é sinônimo de quantidade de pixels.

Nokia 808 custa quase 2 mil reais

Embora o Nokia 808 tenha sido o primeiro celular com tecnologia PureView e tenha câmera de 41 megapixels, este não é o único objetivo da fabricante finlandesa, que vem desenvolvendo os componentes de câmera em parceria com a Carl Zeiss. O CEO da Nokia, Stephen Elop, disse em entrevista ao site The Verge que PureView designa o comprometimento com fotografia de qualidade superior.

Dois itens importantes credenciam o Lumia 920 para receber a alcunha de aparelho com PureView. Primeiro de tudo, um sistema flutuante move os grupos de lentes para que o resultado da foto seja melhor. De acordo com Elop, somente esta função por si só garante melhores fotos mesmo quando o dono do aparelho tem aquele tremelique básico ao fazer a foto. Avós de todo o mundo agradecem pela novidade.

A abertura da objetiva está maior: f/2.0. Seria a maior em um smartphone disponível atualmente no mercado, de acordo com a Nokia. Mais luz entra pelo orifício da câmera, o que tende a resultar em imagens melhores.

O Lumia 920 passa longe do “megazoom” (como vinha sendo chamado) do primeiro aparelho com PureView. A câmera faz fotos com até 8,7 megapixels, bem abaixo dos 41 megapixels. Porém, é importante lembrar que o Nokia 808 até fotografa nessa qualidade toda, mas as imagens finais, depois de passarem pelo processo de oversampling, têm 5 megapixels.

Nokia 920 com PureView

Para melhor ilustrar o uso do termo PureView basta traçar um paralelo com o Retina Display (ou “tela Retina”, como vem sendo chamado na comunicação oficial em português) da Apple. Inicialmente, com o iPhone, acreditávamos que se tratava de um número certo de pixels por polegada. Mais tarde ficou claro que se trata bem mais de um conceito (até filosófico, eu diria) do que uma especificação técnica. Há iPad e Macbook com Retina Display. Nenhum deles oferece a mesma densidade de pixels do iPhone.

A tecnologia PureView segue pelo mesmo caminho. Mais um conceito do que uma especificação. Excelente pedida para um mercado que se prende cada vez mais a experiências e menos a especificações.

Encontrei um documento (PDF) no site da Nokia que explica em detalhes a tecnologia de PureView. Fica a recomendação de leitura para quem se interessa pelo assunto. Em inglês.